Warner Bros. Entertainment
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'Batman Eternamente' ainda funciona, 25 anos depois. Você só precisa saber no que deve focar nele

O Batman de Val Kilmer foi bom, seu Bruce Wayne melhor, mas a menos que seja Jean-Paul Valley embaixo do capuz, Batman não deveria ser loiro

David Betancourt, The Washington Post, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2020 | 08h39

Um quarto de século depois, uma bat-verdade permanece: jamais haverá um filme do Batman como esse Batman Eternamente. Se isso é bom ou não, depende da sua tolerância com os bat-mamilos.

O nome do diretor Joel Schumacher se tornou sinônimo de dois filmes do Batman dos anos 1990, especialmente o absolutamente terrível Batman & Robin de 1997, que surgiu oito anos antes de Christopher Nolan ressuscitar os filmes do Batman com sua icônica trilogia " Cavaleiro das Trevas.

Será que Schumacher provocou uma bat-destruição na telona em parte porque ele pensou que escalar George Clooney seria uma senhora cartada e ele ficaria ótimo em Batman & Robin? Sim. Ele foi o principal motivo pelo qual Michael Keaton disse ter se recusado a aparecer como Batman pela terceira vez? Com certeza. Keaton disse isso.

Mas não se esqueça, não haveria Batman & Robin se Batman Eternamente não conseguisse de alguma forma não destruir o continuum espaço-temporal do filme de quadrinhos. E embora ninguém esteja pedindo a versão de Schumacher em qualquer um de seus bat-filmes, Batman Eternamente, de 1995, foi bom o suficiente para a Warner Bros. dar a ele mais uma viagem a Gotham City. Batman Eternamente, que faz 25 anos esta semana e estará disponível na HBO Max até 1º de julho, não foi o fim daquela primeira série de filmes do Batman. Foi o início do fim.

E ainda há luz no início do bat-apocalipse que é o filme de número três. Eu sei disso porque, apesar de passar a maior parte da minha vida adorando no altar o filme Batman de Tim Burton, de 1989, posso assistir a uma exibição de "Batman Eternamente", que se afasta do que Burton conseguiu e, mesmo assim,  ele consegue me fazer sorrir o mesmo número de vezes quando o vi pela primeira vez na adolescência.

Existem inúmeras razões para não gostar deste filme. Um Cavaleiro das Trevas loiro (Val Kilmer)? Blasfêmia. O radar geek dispara quase imediatamente. O Batman de Kilmer foi bom, seu Bruce Wayne melhor, mas a menos que seja Jean-Paul Valley embaixo do capuz, Batman não deveria ser loiro. Você teria que realmente gostar dos quadrinhos do Batman dos anos 1990 para saber disso.

Dificilmente existe uma única linha de diálogo que possa ser levada a sério ("É o carro, certo? Garotas adoram o carro", "O bat-sinal não é um sinal sonoro") e a ausência não só de Burton, mas também do gênio sinfônico Danny Elfman no original "Batman" são grandes perdas.

Mas são as pequenas coisas que o levam a rever Batman Eternamente.

Como o barco réplica do batmóvel, que foi aos ares antes mesmo da chance de conseguir um primeiro arranhão. Desapareceu cedo demais.

Um filme do Batman que se parece com a versão de Adam West com um potencializador de desempenho? Batman Eternamente é esse filme. A partitura jazzística de Elliot Goldenthal parecia sintonizar em um programa clássico de televisão dos anos 1960 às vezes. E antes que você diga "grande coisa", lembre-se de que a mesma sensação foi testada com Batman & Robin, e não funcionou. Batman Eternamente é como o soro de super soldado. A fórmula só funcionou uma vez.

Toda vez que você vê Nicole Kidman, fica vermelho porque a mãe de Aquaman está se agarrando com Batman.

O elefante estranho na sala é Batman Eternamente acontecendo em um universo remixado de Burton / Batman. Há o falecido Pat Hingle (comissário Gordon) e o falecido Michael Gough (Alfred Pennyworth) reprisando seus papéis nos dois primeiros filmes de Burton sobre Batman. A psiquiatra interpretada por Nicole, Chase Meridian, até menciona "roupa de vinil e um chicote" em referência à mulher-gato de Michelle Pfeiffer, que apareceu em Batman - O Retorno. Mas Burton, enquanto trabalhava como produtor em Batman Eternamente, não está por trás das câmeras desta vez, porque era isso que WB queria: mais diversão e menos escuridão.

Nem todo mundo herdou a poesia de Burton, no entanto. Billy Dee Williams foi substituído como Harvey Dent por outro nome triplo, Tommy Lee Jones. E depois há Jim Carrey fazendo, bem, o papel de vilão exagerado que ele ainda é pago para fazer em 2020. (Ele era o vilão no filme Sonic the Hedgehog, lembra?) Considerando que Carrey deixou claro que Jones não o suportava, é um prazer ver os dois tentando se superar nas muitas cenas juntos.

Se você piscar, sentirá falta de Jon Favreau de 20 e poucos anos - agora o padrinho cinematográfico do Universo Cinematográfico da Marvel e a pessoa mais responsável por Star Wars ser legal novamente em live-action - como assistente de Bruce Wayne.

Uma pista do Universo Estendido da DC? Aconteceu em Batman Eternamente, quando Wayne, de Kilmer, conta a Dick Grayson (Chris O'Donnell), recém-órfão, que o circo em que ele cresceu deve estar a caminho de Metrópolis. A Metrópolis do Super-Homem? Em um filme do Batman? Naquela época, isso só podia acontecer em sonho. Embora essa coisa de conectar filmes de super-heróis da DC ainda seja um trabalho em andamento.

A trilha sonora? Muitas dessas músicas, do U2, Seal, Method Man e The Flaming Lips, ainda fazem sucesso.

Então, o companheiro de aventuras ganha destaque.

Apenas Batman Eternamente nos deu uma performance definitiva da dupla dinâmica. Estabelecemos aqui que Batman & Robin não conta, assim como o Robin que Nolan nos deu em O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Batman Eternamente iluminou Robin the Boy Wonder de uma maneira que nenhum filme jamais fez antes e que nunca aconteceu novamente desde então. Dick Grayson, de O'Donnell, foi tratado com uma história de origem circense adequada. Ele tinha dores de crescimento, um modo ninja de lavar roupa e, mais importante, um traje de super-herói que ainda se mantém. (Ele trocou sua roupa de circo de Burt Ward pelo traje de Tim Drake / Robin dos quadrinhos dos anos 1990).

E esse final? Batman mergulhando para o resgate, salvando Chase e Robin? As silhuetas da capa com capuz indo em direção à plateia em câmera lenta com o bat-sinal ao fundo? Além do final de O Cavaleiro das Trevas, narrado por Gary Oldman no Batpod, nenhum filme de super-herói jamais terminou melhor.

É uma montagem que vai desaparecendo gradualmente até o preto, algo como nunca mais veremos. O que provavelmente é o melhor a ser feito. / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

 

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