Barulho é o grande vilão do filme 'Um Lugar Silencioso'

Barulho é o grande vilão do filme 'Um Lugar Silencioso'

Diretor John Krasinski fala de ‘Um Lugar Silencioso’, seu primeiro filme de terror, e do trabalho ao lado da mulher, a atriz Emily Blunt

Mariane Morisawa, Especial para o Estado

09 Abril 2018 | 06h01

NOVA YORK - Fazer um filme de terror não estava nos planos de John Krasinski, que só tinha dirigido comédias dramáticas no cinema (Brief Interviews with Hideous Men e Família Hollar). “Era tudo o que não queria fazer. Tenho medo até de assistir a filmes de terror”, disse Krasinski em entrevista ao Estado, em Nova York. Mas ele acabou convencido.

Em Um Lugar Silencioso, que estreou na quinta-feira, 5, Lee (o próprio Krasinski), Evelyn (Emily Blunt), e seus filhos Marcus (Noah Jupe) e Regan (Millicent Simmonds) não podem falar. Na verdade, não podem fazer barulho algum, sob pena de serem caçados por criaturas monstruosas que vieram do espaço. A produção foi ovacionada no festival South by Southwest e ganhou aprovação de 100% no Rotten Tomatoes.

O que convenceu Krasinski a dirigir foi que Um Lugar Silencioso é, no fundo, a história de uma família. Principalmente, a história de pais que precisam proteger seus filhos de um ambiente extremamente hostil. “É como me sinto sendo pai de duas crianças”, disse Krasinski, que tem Hazel, 4, e Violet, 21 meses, com Emily Blunt, com quem está casado há oito anos. A atriz concorda: “O que ela passa são meus maiores medos como mãe. Claro que aqui é uma versão aumentada”.

Por conta disso, tanto Krasinski quanto Blunt definem Um Lugar Silencioso como seu filme mais pessoal. “Soa bizarro, porque é um filme de terror maluco. Mas é provavelmente minha carta de amor para minhas filhas”, afirmou o diretor. Emily Blunt contou que costuma escolher personagens bem distantes de sua personalidade, como a alcoólatra de A Garota no Trem. “Aqui nem precisei fazer pesquisa, sabia muito bem como era essa personagem.” Fora que ela tinha acabado de dar à luz quando leu o roteiro.

Um receio era como o relacionamento poderia ser afetado ao trabalharem juntos pela primeira vez. “É engraçado, porque estávamos meio nervosos, sem saber como isso ia funcionar”, disse Blunt. 

Os dois combinaram de conversar muito antes, para não ter discussões na frente da equipe. “Somos muito sinceros. E respeitamos um ao outro. Confiamos um no gosto do outro. Ele me impressiona, então isso ajuda.” 

Desafios. Krasinski contou que sua admiração pela mulher só cresceu – algo que Rob Marshall, diretor de Emily Blunt em Caminhos da Floresta e O Retorno de Mary Poppins, que estreia em dezembro, tinha avisado. “Rob me disse: ‘Você pode achar que ela é a melhor atriz, mas só vai saber por que quando estiver no set com ela’”, afirmou Krasinski. Uma cena em especial foi a da banheira, quando Evelyn, que está grávida, começa a sentir as contrações. “O ar mudou no set aquele dia depois da cena”, disse o diretor. “Sinto que agora estou no clube secreto da Emily.”

A família do filme enfrenta desafios desse tipo: uma mulher grávida que vai precisar parir sem ajuda profissional, anestesia e sem dar um pio. Ou a filha surda-muda, que não sabe quando o perigo se aproxima. O silêncio quase nunca é quebrado, a não ser em poucas cenas. O mais curioso é que isso se reflete na plateia, que tenta não fazer barulho. “No South by Southwest, uma pessoa se desculpou no debate por ter ficado tossindo durante a sessão. Numa exibição-teste, um espectador confessou ter levado um pacote de doce, mas que ficou sem coragem de abrir”, contou Krasinski, divertido. Talvez, então, seja melhor deixar os goles de refrigerante para depois. 

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