Banespa tem tradição de investimento em cultura

O Banespa lançou sua carteira de incentivo ao cinema em 1992. Para entender sua importância é preciso retornar no tempo. Em 1990, Collor havia desmantelado a estrutura de funcionamento do cinema brasileiro. Era já um aparelhamento institucional em declínio, mas foi varrido do mapa sem que nada se criasse para substituí-lo. Como conseqüência, a produção entrou em parafuso. A sobrevida do cinema brasileiro passou a depender de alguns incentivos isolados, o do Banespa entre eles.A carteira criada oito anos atrás abriu uma linha de crédito de US$ 5 milhões. Podiam candidatar-se projetos de todo o País. E a iniciativa trazia uma novidade: o projeto contemplado recebia uma carta de crédito, que só seria materializada em dinheiro quando o interessado conseguisse completar o total com outras fontes. Treze longas de ficção e 5 documentários foram selecionados. Entre eles, As Feras, de Walter Hugo Khouri, Um Céu de Estrelas, de Tata Amaral, Coração Iluminado, de Hector Babenco, e Amélia, de Ana Carolina.A carteira deveria ser o embrião de um verdadeiro pólo do cinema paulista, com estúdios, equipamentos, etc. - idéia que obviamente, não foi levada adiante pelo governo do Estado, quando o banco ainda lhe pertencia. Na falta de um pólo, o Banespa continuou investindo em cultura, de maneira geral, e particularmente em cinema. Por isso, produtores e cineastas mobilizaram-se nos últimos tempos, preocupados com os rumos da privatização do banco. Temem que essa tradição possa não ser honrada pelos novos proprietários. O que seria uma tolice. Cultura dá excelente retorno de imagem. A preço de banana.

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