Banespa: indefinidos os projetos de cinema

São 124 projetos cinematográficos esperando em banho-maria para ver qual é a disposição do novo proprietário do Banespa, o Banco Santander Central Hispanico (BSCH), em relação à cultura. Esse é o número de cineastas que inscreveram roteiros no programa de apoio ao cinema do Banespa, antes de sua privatização.Desde 1994, quando começou a financiar projetos por meio da Lei do Audiovisual, o Banespa já apoiou cerca de 50 filmes. Entre eles, concorrentes recentes ao Oscar, como O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro?.Em 1999, foram 20 filmes apoiados. Em 1998, o Banespa financiou parcialmente 14 filmes. Boa parte da produção audiovisual paulista está amparada na atuação do banco e o futuro - após o leilão de ontem, que vendeu o antigo banco estatal ao espanhol - é indefinido. Segundo informaram fontes da antiga direção do Banespa, as definições só devem começar a ocorrer na segunda-feira, quando será feita uma assembléia-geral para a escolha dos novos administradores da instituição. O novo diretor da área de incentivos fiscais deverá assumir já na terça.No ano passado, foram aplicados - via renúncia fiscal - R$ 3.902.948,68 em produções cinematográficas. Este ano, entre os filmes que aguardam uma definição estão Tainá, Uma Aventura na Amazônia, de Tânia Lamarca - que já está pronto, mas ainda precisa de recursos de pós-produção.Mas os estímulos do Banespa não se restringem ao cinema. Em outras áreas, como literatura, teatro e dança, foram aplicados (com a utilização da Lei Rouanet) R$ 1.038.946,00 no ano passado.As leis de incentivo permitem deduções que atingem até 3% do valor pago ao Imposto de Renda. Assim sendo, é possível estimar que o valor passível de ser utilizado em projetos culturais pelo banco este ano fique em torno de R$ 30 milhões, já que o lucro da empresa deve chegar perto de R$ 1 bilhão - todo ele já garantido ao novo proprietário, segundo decisão recente do Banco Central.No processo de privatizações, não há nada que obrigue um futuro comprador a manter um princípio de fidelidade a determinados incentivos. É uma decisão soberana da empresa. Algumas companhias privatizadas recentemente, como a Telefonica, por exemplo, retomaram esses incentivos - a Telefonica "adotou" o Festival de Inverno de Campos do Jordão, por exemplo.Outro programa que fica fragilizado com uma eventual saída do Banespa do estímulo ao cinema é o PIC-TV (como é chamado o Programa de Integração Cinema- TV, convênio estabelecido entre a Secretaria de Estado da Cultura e a Fundação Padre Anchieta). Há três anos, o banco aplicou 67% dos seus recursos no PIC-TV, o que significou um investimento de R$ 8.693.189,72 no programa.Desde 1996 que o Banespa têm participação no PIC-TV - dos 48 filmes apoiados pelo programa, 25 tiveram verba do banco. Foram R$ 12 milhões investidos. "Não sei o que vai acontecer, mas seria muito importante continuar essa parceria", diz Ivan Isola, coordenador do PIC-TV, que deverá procurar a nova direção da empresa para tentar manter a colaboração.Alternativa - O deputado estadual César Calegari (PSB) apresentou projeto de lei à Assembléia Legislativa que determina que o governo do Estado só faça pagamentos de salários e pensões por meio de um banco público. Atualmente, os pagamentos do governo estadual são feitos primordialmente por intermédio do Banespa e representam 1,2 milhão de contas correntes. "São pagamentos de salários, aposentadorias e pensões", afirma o deputado. Calegari quer que a Caixa Econômica Estadual passe a cumprir esse papel.A relação com a cultura vai dar-se por meio de uma emenda que o próprio deputado deverá incluir, em regime de urgência, e visa que a contrapartida do banco que receber essas contas dê-se por meio do "fomento a projetos sociais e culturais", afirma.

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