Banderas promove "A Lenda do Zorro"

Sete anos após conquistar Hollywood no papel de Zorro, Antonio Banderas volta a viver o herói mascarado, que diz amar por ser popular e humano: "Gosto mais do Zorro sem máscara, pois os personagens imperfeitos te humanizam".A Lenda do Zorro, cuja ação se passa dez anos após o primeiro episódio, A Máscara do Zorro, obrigará o ator espanhol a participar de uma maratona promocional que hoje o levou a Madri, onde recebe os jornalistas antes de ir a Los Angeles para assistir à pré-estréia do filme, no próximo dia 16, antes de sua estréia mundial no dia 28 de outubro.O ator voltará a sua cidade natal, Málaga (no sudeste espanhol), para começar a filmar, no dia 21, seu segundo filme como diretor, O Caminho dos Ingleses, adaptação do livro homônimo de Antonio Soler.A Máscara do Zorro arrecadou US$ 250 milhões no mundo todo. "A seqüência foi uma exigência do público", afirma Banderas para explicar como os produtores do filme, entre eles Steven Spielberg, pensaram em um segundo episódio, protagonizado pelos mesmos Banderas e Catherine Zeta-Jones, e dirigido por Martin Campbell.Sete anos se passaram e o ator reconhece que os efeitos da passagem do tempo pesaram no decorrer da filmagem. "O mais difícil foi o trabalho físico do personagem" diz ele.Um mês e meio de preparação e cinco de filmagens tiveram como resultado uma história que se inicia com os protagonistas casados e pais de um filho de dez anos, vivendo às vésperas da incorporação da Califórnia pelos Estados Unidos.O Zorro terá de atuar contra vilões que tentam não apenas impedir a anexação da Califórnia, mas também destruir os próprios Estados Unidos."Não gosto de abordar determinados assuntos que requerem reflexão em um filme de aventura, por isso tentei tirar essas cenas" diz Banderas. "O certo é que eles existem. Por exemplo, aparecem no filme pessoas que tentam manipular as eleições. E eu me pergunto: quantos Zorros seriam necessários para que a Flórida não elegesse Bush?".Além disso, acrescenta, existem "dois agentes federais, que hoje seriam da CIA, que enganam a todos. Por isso, o filme mostra como o mal pode estar em casa e o grande poder das forças do governo".Depois de mais de uma década em Hollywood, Banderas faz um balanço positivo de sua carreira. "Sou um ator em desvantagem. Cheguei sem conhecer o idioma e sempre conservarei um certo sotaque, por isso alguns personagens me são negados. Mas na Espanha eu estava pior"."Sem querer me ater a parâmetros de qualidade, de filmes bons ou ruins que fiz ao longo da carreira, em Hollywood pude ser mais eclético do que na Espanha. Lá (em Hollywood) fiz de tudo. O que não me impede de voltar a meu país para fazer filmes mais modestos, na linha do que realmente admiro", diz.Nesse perfil está O Caminho dos Ingleses, filme com o qual o ator volta à direção seis anos após Crazy in Alabama e que contará com as presenças de Victoria Abril e Fran Perea.A história se passa em 1978 e é "uma reflexão sobre a morte. Não apenas a morte física, mas da vertigem causada pela morte da adolescência".É uma história livre de qualquer conotação política, pois "tem a ver com a época em que deixei Málaga, em 1979. Naquele momento, com 16 ou 17 anos, os olhos da minha namorada tinham mais importância para mim do que a morte de Franco".Banderas afirma que "assume o risco de ser artista. Já caí muitas vezes e me levantei, e por isso estou preparado para me aposentar. Tudo o que ganhar agora será lucro."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.