Banco do Brasil lança o primeiro fundo do cinema

O Banco do Brasil lançou hoje o primeiro Fundo de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional (Funcine) no Brasil, já com mais de R$ 1 milhão captados e objetivo de chegar a umpatrimônio de R$ 7 milhões. A aplicação mínima é de R$ 100 mil e o cotista não pode sair até o fundo acabar, o que tem prazo predeterminado de seis anos para ocorrer. O presidente da Banco do Brasil Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (BB DTVM), Nelson Rocha Augusto, não quis revelar a expectativa de retorno alegando ser informação estratégica, dizendo apenas que seria "o máximo possível", mas deixou claro que não se trata de patrocínio. "O que estamos lançando hoje é um produto financeiro que busca a melhor relação risco/retorno. Não existe nenhum patrocínio, não existe apoio, o que existe é um negócio de filmes e de salas de exibição", afirmou frisando a palavra negócio.De renda variável, o fundo é dirigido a Pessoas Jurídicas e investidores qualificados e vai investir 80% dos seus recursos em produção e distribuição de filmes de cinema, telefilmes e obras videofonográficas seriadas de 3 a 26 capítulos e projetos destinados à construção, reforma e recuperação de salas de exibição. Outros 20% serão investidos em títulos públicos, que é onde estão aplicados no momento todos os recursos captados, apesar de três projetos de filmes já terem sido pré-selecionados. Dois deles são produzidos pela dupla Paula Lavigne e Guel Arraes, O Coronel e o Lobisomem, dirigido por Maurício Faria, e Meu Tio Matou um Kra, dirigido por Jorge Furtado. O outro projeto escolhido é de Cacá Diegues, O Maior Amor do Mundo, que será estrelado por Antônio Fagundes. Outros projetos ainda serão selecionados e a expectativa do presidente da BB DTVM é de que no fim do ano entre 60% e 80% dos recursos do fundo já estejam aplicados em produções e salas de exibição.Choque de capitalismo - O ministro da Cultura, Gilberto Gil, afirmou que mais dois Funcines estão sendo preparados, um pela Rio Bravo em parceria com a francesa Investimage e outro pelo Banco Bonsucesso e a Culturinvest. Em discurso no lançamento do Funcine do BB, Gil disse que a indústria cultural brasileira precisa de "um choque de capitalismo". O ministro espera que os fundos tragam não só recursos para a indústria do cinema, mas também transferência de conhecimentos em gestão e marketing para o setor audiovisual e incentivo à capacitação e profissionalização nesse setor. Gil destacou também que necessidade de criação de um marco regulatório para o setor audiovisual e disse que o Ministério da Cultura vem trabalhando nisso desde que ele tomou posse. Para ele, o Funcine representa a consolidação de um mecanismo de mercado para sustentação e ampliação da indústria audiovisual brasileira.

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