Victor Jucá
Victor Jucá

‘Bacurau’ vence o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro; veja a lista dos ganhadores

Andréa Beltrão, Fabrício Boliveira e Silvero Pereira ganharam o Troféu Grande Otelo de Melhor Atriz e Melhor Ator

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2020 | 09h02

Com seis prêmios Grande Otelo, Bacurau, de Kleber Mendonça e Juliano Dornelles, foi o vencedor do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, no domingo à noite, em cerimônia virtual, ganhando nas categorias principais de melhor filme, direção, roteiro original e ator (Silvero Pereira, como Lunga). Mas foi uma disputa acirrada com A Vida Invisível, de Karim Aïnouz, que ficou com cinco prêmios, incluindo o de melhor roteiro adaptado e melhor atriz coadjuvante (Fernanda Montenegro). A Academia do Cinema Brasileiro fez justiça a Andrea Beltrão e ela levou o prêmio de melhor atriz, por Hebe – A Estrela do Brasil, de Maurício Farias.

Os diretores de Bacurau comentaram a premiação para o Estadão. Kleber - “Estou muito feliz com esse reconhecimento do filme. Hoje pela manhã (segunda, 12), recebemos o trailer e o cartaz da distribuidora que vai lançar o filme em novembro no Japão. Bacurau é admirado aqui e no mundo todo, e continua representando a Cultura do País internacionalmente, como fruto dessa Cultura que é”. E Dornelles - “Meu único desejo é que esse prêmio sirva para dar ânimo a toda a equipe, não só aos que foram efetivamente premiados, mas todos os que de alguma forma deram o sangue e o suor pelo filme. Estamos vivendo esse tempo de incerteza e desesperança, mas eu tenho certeza de que vai passar e espero que o prêmio sirva como um veículo de alegria para todos os envolvidos em Bacurau e também nos outros filmes, já que estamos todos no mesmo barco e precisamos cada vez mais de união”. 

Estou Me Guardando pra Quando o Carnaval Chegar, de Marcelo Gomes, foi o melhor documentário. Cine Holliúdy – A Chibata Sideral, de Halder Gomes, foi a melhor comédia, Chico Diaz o melhor coadjuvante e a série da Globo, spinoff do primeiro filme, com direção geral de Patricia Pedrosa, foi a melhor série de TV aberta. A Academia outorgou mais três prêmios de melhores filmes – Tito e os Pássaros, de Gustavo Steinberg, Gabriel Bitar e André Catoto, como melhor animação; A Turma da Mônica – Laços, de Daniel Rezende, como melhor infantil; e Eu Sou Mais Eu, de Pedro Amorim, como melhor comédia pelo júri popular. 

No ano passado, na abertura da festa realizada no Teatro Municipal, o presidente da Academia, Jorge Peregrino, havia destacado a parceria com São Paulo, que estava trazendo o Grande Prêmio para a capital. O que ele nem ninguém poderia prever é que haveria a pandemia e que, justamente no fim de semana da premiação de 2020, a flexibilização permitiria a abertura, ainda tímida, das salas da cidade. 

A festa de domingo, 11, foi remota, transmitida pela TV Cultura e o secretário de Estado da Cultura, Sérgio Sá Leitão, voltou a destacar a parceria e a força do audiovisual como atividade econômica e cultural. O grande problema da premiação remota – as apresentadoras Marina Person e Adriana Couto no palco, os premiados em casa – foi a ausência de emoção. A produção gravou com os indicados, e obviamente nenhum deles poderia saber quem iria ganhar Não propriamente surpresa – cacoete? Marina repetia “Uau!” a cada abertura de envelope. O GP do Cinema Brasileiro contempla a produção ibero-americana e mundial. O argentino A Odisseia dos Tontos, de Sebastián Borensztein, venceu como melhor filme da Ibero-América, e Parasita, de Bong Joon-ho, uau!, foi o melhor filme internacional.

Bacurau, Parasita – e Coringa, de Todd Phillips, Os Miseráveis, de Ladj Ly. Todos esses filmes integraram uma tendência que foi forte em 2019 – a revolta dos excluídos. Cabe destacar que Silvero Pereira dividiu o Grande Otelo de melhor ator com Fabrício Boliveira, de Simonal. O longa de Leonardo Domingues venceu o Grande Otelo de melhor diretor estreante, e o extraordinário plano-sequência da cena em que Simonal abandona o palco e vai fazer um lanche fora do teatro, volta e a plateia ainda está cantando o refrão de Meu Limão, Meu Limoeiro, é coisa de antologia. Simonal também venceu como melhor som e trilha (Wilson Simoninha e Max de Castro).

 

LISTA DOS VENCEDORES 

MELHOR LONGA-METRAGEM FICÇÃO

Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles

MELHOR LONGA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO

Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar, de Marcelo Gomes

MELHOR LONGA-METRAGEM INFANTIL 

Turma da Mônica Laços, de Daniel Rezende

MELHOR LONGA-METRAGEM COMÉDIA

Cine Holliúdy - A Chibata Sideral, de Halder Gomes

MELHOR DIREÇÃO

Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, por Bacurau

MELHOR ATRIZ

Andréa Beltrão, como Hebe Camargo, por Hebe Carmargo

MELHOR ATOR

Fabrício Boliveira, como Simonal, por Simonal

Silvero Pereira, como Lunga, por Bacurau

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Fernanda Montenegro, como Eurídice, por A Vida Invisível

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Chico Diaz, como Véi Gois, por Cine Holliúdy

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA

Hélène Louvart, por A Vida Invisível

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, por Bacurau

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Murilo Hauser, Karim Aïnouz e Inés Bortagaray, baseado no livro “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, de Martha Batalha, por A Vida Invisível

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Rodrigo Martirena, por A Vida Invisível

MELHOR FIGURINO

Marina Franco, por A Vida Invisível

MELHOR MAQUIAGEM

Simone Batata, por Hebe - a Estrela do Brasil

MELHOR EFEITO VISUAL

Mikaël Tanguy e Thierry Delobel, por Bacurau

MELHOR MONTAGEM FICÇÃO

Eduardo Serrano, por Bacurau

MELHOR MONTAGEM DOCUMENTÁRIO

Karen Harley, por Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar

MELHOR SOM

Marcel Costa, Alessandro Laroca, Eduardo Virmond, Armando Torres Jr., ABC e Renan Deodato, por Simonal

MELHOR TRILHA SONORA

Wilson Simoninha e Max de Castro, por Simonal

MELHOR LONGA-METRAGEM ESTRANGEIRO

Parasita | Parasite, de Bong-Joon-ho

MELHOR LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO

A Odisséia dos Tontos | La Odisea de los Giles, de Sebástian Borensztein

MELHOR LONGA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

Tito e os Pássaros, de Gustavo Steinberg, Gabriel Bitar e André Catoto

MELHOR CURTA-METRAGEM ANIMAÇÃO

Ressurreição, de Otto Guerra

MELHOR CURTA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO

Viva Alfredinho!, de Roberto Berliner

MELHOR CURTA-METRAGEM FICÇÃO

Sem Asas, de Renata Martins

MELHOR SÉRIE DE ANIMAÇÃO TV PAGA/OTT

Turma da Mônica Jovem, 1ª temporada, de Marcelo de Moura

MELHOR SÉRIE DE DOCUMENTÁRIO TV PAGA/OTT

Quebrando o Tabu, 2ª temporada, de Katia Lund e Guilherme Melles

MELHOR SÉRIE DE FICÇÃO TV PAGA/OTT

Sintonia, 1ª temporada, de Kondzilla e Johnny Araújo

MELHOR SÉRIE DE FICÇÃO TV ABERTA

Cine Holliúdy, 1ª temporada, de Halder Gomes e Renata Porto D’ave

MELHOR PRIMEIRA DIREÇÃO DE LONGA-METRAGEM

Leonardo Domingues, por Simonal

MELHOR FILME VOTO POPULAR

Eu Sou Mais Eu, de Pedro Amorim

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.