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‘Aviões’ quer pegar carona no sucesso de ‘Carros’

Filme é aposta da Pixar para suceder franquia que rendeu mais de US$ 1 bi

Elaine Guerini - Especial para o Estado / Los Angeles, O Estado de S. Paulo

16 Setembro 2013 | 19h22

Assim que o storyboard de Aviões chegou às mãos dos animadores da Disney, a equipe responsável pelos movimentos e expressões dos personagens do longa descobriu quem seria o verdadeiro vilão da história: a asa. Como o estúdio zelou pela autenticidade no design das aeronaves, as asas dos mesmos (ou seja, os braços dos personagens) não puderam ser dobrados em momento algum, o que exigiu um cuidado maior na composição das cenas. “Numa sequência com vários deles juntos, as asas estavam constantemente no caminho, fazendo os personagens baterem uns nos outros. Por ocupar mais espaço horizontalmente, os aviões não cabiam no mesmo quadro, a não ser que optássemos por um ângulo diferenciado, filmando-os de lado e não de frente”, conta o diretor Klay Hall.

Aviões, lançado na última sexta nas telas brasileiras, deu muito mais trabalho ao departamento de animação que  Carros. Responsável pela bilheteria mundial de mais de US$ 1 bilhão, a franquia automobilística da Disney-Pixar foi a inspiração para a incursão do estúdio no universo da aviação. “Passamos mais de seis meses para decifrar como resolver o problema com as asas e também para deixar as sequências de voo convincentes”, diz o cineasta, mais conhecido por assinar séries de TV, como O Rei do Pedaço (1997-2003), e o longa da Disney Tinker Bell e o Tesouro Perdido (2009).

Hall lembra que a última vez que a Disney recorreu a um avião como personagem de desenho animado foi em 1942, ao realizar o curta Pedro, um dos segmentos do longa Alô, Amigos. “Aquele avião se curvava e pegava coisas com as asas, o que lhe dava certo charme. Mas, hoje, nós não fazemos personagens tão infantis assim, preferindo abordá-los de forma mais realista”, diz o diretor, filho de ex-piloto da Marinha americana. “Aos finais de semana, meu pai costumava me levar ao aeroporto local para me mostrar os aviões decolarem e pousarem.”

Para garantir que os personagens respeitariam a estrutura, o tamanho e o peso das aeronaves reais, a Disney contratou especialistas que atuaram como consultores no filme – um deles veio de programa de aviação do History Channel. Todos os personagens foram inspirados em modelos existentes, incluindo aviões de corrida, de guerra e de pequeno porte, como o protagonista Dusty (voz de Dane Cook no original) que pulveriza plantações.

Graças à ajuda de amigos, como Skipper (Stacy Keach), um veterano avião da marinha, e Dottie (Teri Hatcher), uma empilhadeira especialista em mecânica, Dusty participa pela primeira vez de um torneio mundial de alta altitude, embora tenha medo de altura.

 “Cada avião ganhou uma personalidade diferente, de acordo com a função que o modelo desempenha na vida real”, afirma Hall, lembrando que a equipe criou uma competidora de nacionalidade brasileira para exibição exclusiva no mercado do País. Ao todo, seis territórios terão uma personagem própria, com a bandeira correspondente. No Brasil, ela é Carolina Santos Duavião (dublada por Ivete Sangalo), que iniciou a carreira entregando cartas na região da Amazônia e transportando remédios caseiros. “Escolhemos os territórios que são importantes para a Disney”, diz Hall. Carolina é a segunda personagem brasileira de um longa de animação do estúdio – depois de Carla Veloso, de Carros 2 (2011).

Todos os modelos de aviões escolhidos para o novo filme foram estudados minuciosamente, por dentro e por fora, para que a equipe pudesse reproduzir o seu modo de operação, incluindo o barulho dos motores. “O fato de os carros terem um design mais compacto e deslizarem pelo chão facilitou a vida dos animadores. Além disso, os carros oferecem um para-brisa enorme para os olhos dos personagens e uma grelha dianteira para a boca. Nos aviões, o para-brisa é menor, a boca teve de ir para baixo da hélice que, por si só, já é um problema por tomar muito espaço”, conta o animador Art Hernandez.

As sequências de voo, incluindo a decolagem e a aterrissagem, também representaram um “pesadelo” para a equipe. Segundo Hernandez, o olho humano está habituado demais a ver aviões e pássaros no céu, o que o faz perceber intuitivamente quando algo está errado no trajeto. “Muitas vezes, queríamos concluir uma sequência de voo em tempo curto para fazer a narrativa avançar. Mas os consultores nos alertavam que estávamos desafiando as leis da física. O jeito era fazer tudo de novo”, conta o animador.

 

AVIÕES

Direção: Klay Hall.

Gênero: Animação

(EUA/ 2013,91 minutos)

Classificação: Livre.

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