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‘Aviões 2’ tem mais ação e aventura do que o primeiro

‘Fogo e resgate’, em que Rusty vira bombeiro, porém, não inova na narração nem na técnica

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

19 de julho de 2014 | 16h00

Como se avalia um filme que já é derivado de outro? Quando estreou o primeiro Aviões, quase todo mundo deu-se conta de que era quase um carro com asas. Aviões 2, que estreou quinta, já pegou a crítica cansada. Acusando o filme de repetir chavões das animações ‘didáticas’ da Disney, a crítica também terminou por se repetir. A surpresa – o filme de Roberts Gannaway não é pior que o primeiro. É até melhor, embora não seja nenhum Ratatouille.

Embora se chame no Brasil Aviões 2, o título norte-americano é Aviões – Fogo e Resgate, Fire & Rescue, que dá mais a ideia do que se trata. Se no primeiro filme Rusty, o simpático aviãozinho, superou-se para virar ás das disputas aéreas, no segundo, ele já começa tendo de lidar com a perda. Uma avaria do motor o coloca fora do circuito das corridas. Em busca de um sentido para a vida, Rusty, que já era originalmente um avião fumigador – daqueles que despejam veneno contra insetos nas plantações –, resolve arriscar-se numa atividade heroica. E vira avião/bombeiro.

Fogo e resgate – a ação passa-se em boa parte num parque natural que parece ser um resumo das belas paisagens das maiores reservas naturais dos EUA. Aos temas da perda – e da superação do filme anterior –, superpõe-se o aprendizado. Rusty tem de aprender a função, e o que descobre é que ser bombeiro não é nada fácil, principalmente quando o próprio maquinário não é 100% e o impede de fazer os magníficos voos da aventura anterior. Ele aprende errando. Para complicar, a ganância pelo lucro do administrador do parque cria uma situação em que aviões, carros e trens correm perigo, ameaçando ser devorados pelo maior incêndio que o lugar já viu.

Carros, trens e aviões são veículos muito móveis – claro – e isso favorece o andamento de qualquer narrativa. Sem muitas novidades, mas com competência – e um belo visual –, o filme cria situações heroicas como o resgate dos velhinhos que voltam ao local da sua lua de mel. 

Rusty continua simpático, e tem uma apaixonada. Ela se chama Dipper e é o avião de abastecimento. Quem dubla a personagem é Tatá Werneck (leia entrevista abaixo). A Valdirene da novela Amor à Vida retoma a função de Ivete Sangalo na dublagem de Aviões (o primeiro). Ela tem de abrasileirar o filme. Para isso, o filme se apropria de um monte de expressões da moda – ‘Beijinho no ombro’, ‘Rei do camarote’ e quetais. Os adultos meio que se exasperam, mas ver o filme com crianças mostra que elas entram no clima.

‘É difícil passar qualquer coisa só com a voz’, diz Tatá Werneck

É reducionismo apresentar Tatá Werneck como a Valdirene de Amor à Vida, por mais sucesso que tenha feito na novela. Tatá dubla a apaixonada de Rusty em Aviões 2 e conta como foi difícil fazer humor não enlatado, mas ‘entalada’ (pelo tempo da dublagem).

Você usa todo o seu corpo para fazer humor. Como foi trabalhar aqui só com a voz?

Crio uma personagem que é ansiosa, mas fiquei mais ansiosa ainda. É muito difícil passar qualquer coisa só com a voz. E ainda tem o tempo, que é rígido. A atividade é solitária, mas tive apoio de uma equipe bacana de dubladores.

Toda animação da Disney tem sempre uma lição. Qual é a de Aviões 2?

É a superação. Não aceite os limites, não se prenda a eles. Vale para crianças e adultos. Eu adoro cinema, adoro filme de heróis, como o Rusty vira aqui. Mas não tenho tido tempo de ver tantos filmes quanto gostaria. Tenho feito muita coisa e a TV é uma máquina incontrolável, que tenta controlar você. Tudo é feito rapidamente, numa engrenagem. A animação consegue ser ainda mais rígida com o tempo. O que salva é zoar, e se zoar. / L.C.M.

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