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Autora 'detestaria' sequência de 'Mary Poppins', diz Dick Van Dyke

Ator trabalhou em ambos os filmes e conta histórias de bastidores em entrevista

Margy Rochlin, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2018 | 03h00

LOS ANGELES - Quando Rob Marshall, diretor de O Retorno de Mary Poppins, constatou que Dick Van Dyke tem hoje a mesma idade do banqueiro londrino grisalho que interpretou em seu segundo papel no Mary Poppins original, de 1964, ele teve uma ideia: por que não escalar Van Dyke, hoje com 93 anos, para fazer na sequência Dawes Jr., o filho do banqueiro?

O Retorno de Mary Poppins, que estreou este mês, traz de volta a famosa governanta (com Emily Blunt no lugar de Julie Andrews) para devolver a luz à vida da família Banks. 

Van Dyke (que também fez o limpador de chaminé Bert no original) “arrasou” em sua ponta, disse Marshall. A seguir, trechos da entrevista concedida por Van Dyke. 

Fazer cenas de dança em sua idade exige uma preparação especial?

Não, porque estou sempre dançando. Além disso, me exercito todo dia, principalmente em piscina, e também malho com peso – não muito, por causa da idade, da artrite e pelos inúmeros tombos de bunda. Esse não era o problema. 

E qual era? 

Mostrar que falo como um inglês. Sofri 60 anos por causa de meu terrível sotaque cockney do primeiro filme, que colou em mim. Desta vez não vão rir. 

Você é o único ator do filme original a voltar neste. Contou ao novo elenco histórias sobre as filmagens do original? 

Sem dúvida. Tínhamos, por exemplo, que “voar” constantemente. Um dia, estávamos todos no ar cantando I Love to Laugh quando a equipe técnica parou para almoçar. Todos saíram e esqueceram da gente ali, pendurados. Passaram-se uns 15 minutos até que alguém percebesse e nos baixasse.

Você disse que a autora de ‘Poppins’, P.L. Travers, odiou tudo do primeiro filme, incluindo você e Julie Andrews. Acha que ela iria gostar da sequência?

Provavelmente também detestaria (risos). Mas Emily Blunt leu todos os livros da série Mary Poppins e tem uma pegada um pouco diferente da Julie, mais próxima dos livros. Acho que disso Miss Travers iria gostar.

Você acredita que esta nova geração de crianças vai se apaixonar pela magia da babá voadora de Travers?

Sim. Recebo muitos e-mails de crianças que adoram Mary Poppins. Existe algo de atemporal no que Walt Disney fez. Acho que este filme poderia ter usado um pouco mais isso. Poderia também usar menos animação computadorizada, que às vezes se prolonga muito e não deixa a história fluir. Mas já estou sendo crítico demais (risos). Tirando isso, considero o filme um grande tributo à Disney.

O que você vai fazer após ‘O Retorno de Poppins’?

Não sei. Certamente não vou me aposentar (risos). Tenho uma banda de jazz na qual canto com um quarteto. Temos sempre bastante trabalho.

Em que gostaria que as pessoas pensassem quando ouvissem o nome de Dick Van Dyke? 

Que eu fiz elas rirem. Que as afastei um pouco de suas preocupações. Sempre procurei fazer um entretenimento tipo família. Perdi muito dinheiro recusando papéis que não se encaixavam nessa ideia. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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