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Audrey Hepburn encantou a todos com seu talento e a forma de olhar o mundo

Uma exposição na Bélgica celebra o mito de Audrey Hepburn, que faria 90 anos neste 4 de maio. Você pode ensaiar uma visita virtual, ou então assistir aos filmes que o Telecine Cult programou; veja trailers

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2019 | 12h44

Audrey Hepburn morreu em Tolochenaz, na Suíça, onde residia, em 20 de janeiro de 1993. Uma de suas últimas aparições no cinema foi em Além de Eternidade, o mais subestimado dos grandes filmes de Steven Spielberg, como o anjo que ensina ao piloto morto Richard Dreyfuss que deve desapegar-se da vida para deixar sua ex-mulher, Holly Hunter, ser feliz. Ela já estava debilitada - foi uma longa batalha contra o câncer -, mas o papel era perfeito e ela o encheu de nuances.

Neste sábado, 4, o que se lembra é outra coisa - o nascimento de Audrey Kathleen Ruston, que se tornou conhecida como Audrey Hepburn. Ela nasceu em Exelles, Bruxela, na Bélgica, em 4 de maio de 1929 - há 90 anos. Filha de uma baronesa holandesa, teve educação esmerada, até que tudo acabou com a eclosão da Segunda Grande Guerra. O pai adetiu ao nazi-fascismo e abandonou a família. A fortuna sumiu. "Atravessamos a guerra desejando que cada dia fosse o último, do conflito ou da gente", declarou um dia.

No pós-guerra, estudou balé, mas a constituição fraca, resultado da desnutrição da guerra, impediu-a de seguir carreira. Foi modelo, tornou-se atriz. Fez pequenos papéis. Num golpe de sorte, filmou Monte Carlo Baby in loco, na Côte d'azur, no mesmo hotel em que estava hospedada a escritora francesa Colette, que se encantou com ela e a bancou para a versão da Broadway de sua peça, Gigi. Na sequência, Audrey estava filmando com William Wyler - A Princesa e o Plebeu - e ganhou o Oscar.

O filme ainda nem estreara e a Parasmopunt lhe ofereceu um contrato de exclusividade - sete filmes. Fez com Billy Wilder Sabrina e Amor na Tarde, o épíco Guerra e Paz, de King Vidor. Fez história como uma das três atrizes que ganharam o Oscar e o Tony, o Oscar do teatro, ao mesmo tempo - por Ondine. (As outras duas foram Shirley Booth e Ellen Burstyn.) A essa altura, e vestida por Givenchy, já virara sinônimo de elegância.

Continuaram os grandes papéios - Cinderela em Paris, de Stanley Donen, Bonequinha de Luxo, de Blake Edwards, Charada, de Stanley Donen, Quando Paris Alucina, de Richasrd Quine. Quando a Warner decidiu filmar My Fair Lady, e colocou Audrey no papel de Elisa Dolittle, a Disney, em desagravo, contratou Julie Andrews, que fizera o papel no psalco, para Mary Poppins. A Academia premiou My Fair Lsady como melhor filme e direção (George Cukor), mas Julie foi a melhor atriz.

My Fair Lady é um dos grandes filmes do cinema, e ninguém poderia usar aquele figurino como Audrey. De novo com Wyler, agora em Paris, ela fez a deliciosa comédia Como Roubar Um Milhão de Dólares, papel que emendou com o da cega que enfrenta assassino que invadiou sua casa - Um Clarão nas Trevas, de Terence Younbg.

No mesmo ano, fez, com direção de Donen e Albert Finney, Um Caminho para Dois, sobre a crise de um casamento. É outro dos grandes filmes do cinema. As mudanças comportamentais e estilos mais 'naturais' de beleza foram ganhando espaço no cinema e Audrey resolveu parar um pouco pasra se dedicar à família. Retornou na versão crepuscular de Robin Hood, por Richasrd Lester, em 1976 - Robin e Marian, sobnre o envelhecimento dos heróis, com Sean Connery, é cativante.

Audrey decidiu que era tempo de retribuir o que a vida lhe dera e foi ser embaixadora da Unicef. Percorreu o mundo ajudando crianças carentes. Dizia que viu a fome na Etiópia e em Banghladesh, mas nada que se comparasse ao pesadelo que encontrou na Somália. Talvez tenha querido ser mãe do mundo para se compensar do trauma do abandono do pai. Nunca mais se falaram, mas ela o localizou e, ao descobrir que estava pobre e desamparado, garantiu-lhe a vida tranquila até o fim. Sábia, ela declarou - "À medida que você envelhece, descobre que tem duas mãos - uma para ajudar a si mesmo, e outra pra ajudar os outros".

AUDREY NA TV

Uma exposição na Bélgica celebra o mito de Audrey Hepburn. Você pode ensaiar uma visita virtual, ou então assistir aos filmes que o Telecine Cult programou neste sábado. São só três, mas são verdadeiras joias.

A Princesa e o Plebeu, de William Wyler

O filme que deu o Oscar a Audrey. Ela faz princesa em visita oficial a Roma. Mas foge do hotel e é seguida por um repórter (Gregory Peck) que faria a grande matéria. Wyler pensou em fazer o filme com Elizabeth Taylor e Jean Simmons, mas estavam impedidas. Aceitou Audrey e disse que foi a melhor decisão de sua vida. A cena na Boca da Verdade, em que 'Greg' finge perder a mãos, ocorreu nos bastidores e o diretor gostou tanto que incluiu no roteiro.

Tel. Cult, 19h50

 

Bonequinha de Luxo

Amanhecer em Nova York. Na Tiffany's da 5.ª Avenida, Holly Golightly vai namorar os diamantes na vitrine da joalheria mais famosa do mundo - na época e ainda hoje. O pretinho básico, as bijuterias chiques, os diamantes. Audrey como só ela sabia ser. Holly é prostituta, mas o filme não esclarece. George Peppard é gigolô, mas quem vai garantir. Um caso em que o puritanismo ajuda a fazer aura do filme. Audrey canta Moon River e persegue o gato na chuva. 'Cat! Cat!' Só não chora quem não tem coração.

Tel. Cult, 22 h

 

Cinderela em Paris

O fotógrafo Fred Astaire descobre Audrey como diamante bruto numa livraria de Nova York. O sonho dela é ir a Paerios, para conhecer as caves dos existencialistas. Astaire a leva como modelo, e o patinho feio desabrocha. Stanley Donen rima musical com sofisticação. Divide a tela, realiza experimentos visuais. Um filmaço. E os figuirinos da estrela.. Aquele Givenchy vermelho é parte da história.

Tel. Cult 0h05.

 

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