Domenico Stinellis/AP Photo
Domenico Stinellis/AP Photo

Audrey Diwan ganha Leão de Ouro em Veneza com filme sobre aborto; veja lista de premiados

Diretora de ‘Happening’ é a sexta mulher a conseguir feito; festival de Cannes também premiou cineasta francesa em 2021

Mariane Morisawa, Especial para o Estadão

11 de setembro de 2021 | 16h17

O Leão de Ouro dado a Happening, de Audrey Diwan, na tarde de ontem, conecta o 78º Festival de Veneza ao 74º Festival de Cannes, realizado em julho e vencido por Titane, de Julia Ducournau. Ambos os filmes são dirigidos por mulheres francesas em seu segundo longa-metragem.

Happening fala de uma jovem que precisa recorrer a um procedimento clandestino na França dos anos 1960, quando o aborto era proibido. “Estou emocionada porque, quando começamos a trabalhar, falamos sobre o silêncio em torno do aborto”, disse Diwan em seu discurso de agradecimento. “Infelizmente vocês viram o que aconteceu nos últimos meses. Eu fiz esse filme com raiva, com desejo, com minhas vísceras, meu coração e minha cabeça. Queria que fosse uma experiência, que o espectador se sentisse na pele dessa jovem. Graças a vocês, eu sei que essa jornada pode ser feita por mulheres e homens.”

Mas, enquanto Julia Ducournau se tornou apenas a segunda mulher a ganhar a Palma de Ouro, depois de Jane Campion – que, coincidentemente, levou o Leão de Prata de direção ontem, por The Power of the Dog –, Diwan se junta a outras cinco diretoras vencedoras do Leão de Ouro: Margarethe Von Trotta, Agnès Varda, Mira Nair, Sofia Coppola e Chloé Zhao, que foi premiada ano passado por Nomadland e voltou em 2021 para estar no júri.

Por enquanto, é difícil imaginar que Happening possa seguir a trajetória dos últimos quatro ganhadores de Veneza – Nomadland, Coringa, Roma e A Forma da Água –, que tiveram todos uma carreira bem-sucedida no Oscar.

Mas outros filmes ganharam certamente um impulso para a temporada de premiação do ano que vem – Veneza e Telluride são considerados os marcos iniciais da campanha. É o caso de A Mão de Deus, de Paolo Sorrentino, que levou o Grande Prêmio do Júri e o Marcello Mastroianni de melhor ator jovem, o western The Power of the Dog, de Jane Campion, e o drama sobre maternidade The Lost Daughter, de Maggie Gyllenhaal, todos da Netflix, além de Madres Paralelas, de Pedro Almodóvar, outro drama sobre a maternidade, que deu a Penélope Cruz a Coppa Volpi de atriz. Ela agradeceu o prêmio a duas mães paralelas, a sua e a sogra, Pilar Bardem, que morreu há menos de dois meses. “Em nossa última conversa, ela disse: Eu te amo. E depois acrescentou, baixinho: Coppa Volpi. Como ela sabia? Dedico este prêmio às duas e a todas as mães”, disse a atriz, observada da plateia pelo marido, Javier Bardem.

Veja a lista de premiados do Festival de Veneza em 2021

Leão de Ouro

Happening, de Audrey Diwan

Leão de Prata – Grande Prêmio do Júri

A Mão de Deus, de Paolo Sorrentino

Leão de Prata de direção

Jane Campion (The Power of the Dog)

Coppa Volpi de atriz

Penélope Cruz (Madres Paralelas, de Pedro Almodóvar)

Coppa Volpi de ator

John Arcilla (On the Job: The Missing 8, de Erik Matti)

Prêmio Especial do Júri

Il Buco, de Michelangelo Frammartino

Roteiro

Maggie Gyllenhaal (The Lost Daughter)

Prêmio Marcello Mastroianni

Filippo Scotti (A Mão de Deus)

Horizontes

Filme

Pilgrims, de Laurynas Bareisa

Leão do Futuro – Luigi De Laurentiis de melhor estreia

Imaculat, de Monica Stan e George Chiper-Lillemark

 

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