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Audrey, a estrela que virou ícone de elegância

Coleção de sete títulos recupera época de ouro da atriz e traz bastidores dos filmes

Luiz Carlos Merten, de O Estado de S. Paulo,

25 de novembro de 2009 | 11h31

São 952 minutos de programação - quase 16 horas para deleite de admiradores da estrela que virou sinônimo de elegância e sofisticação. Audrey Hepburn já foi homenageada antes com coleções que levam seu nome, mas a Audrey - Couture Muse Collection tem a pretensão de ser a definitiva. São sete filmes, entre eles alguns dos melhores que ela interpretou - A Princesa e o Plebeu, Sabrina, Guerra e Paz, Cinderela em Paris, Bonequinha de Luxo, Quando Paris Alucina e My Fair Lady. Você pode sentir falta de alguns títulos essenciais, como Charada e Um Caminho para Dois, que ela fez com o mesmo diretor, Stanley Donen, mas só esses já dão uma ideia do que era, ou como era o Audrey’s touch.

 

Todo esse tempo assinalado corresponde à duração dos filmes, mas existem os extras e eles são tão numerosos que você terá de passar mais algumas horas diante da sua TV (ou home theater), se quiser assistir a todos. Audrey era contratada da Paramount e há um documentário sobre o estúdio; ela adorava Givenchy, seu estilista preferido, mas Edith Head era a desenhista top de linha na Paramount e você também vai saber um pouco sobre ela. Vai poder ver os bastidores da filmagem do épico que King Vidor adaptou de Leon Tolstoi e o discurso de agradecimento de Rex Harrison no Globo de Ouro, que recebeu pelo musical adaptado de Lerner e Loewe. E que tal acompanhar o processo de restauro da comédia de William Wyler pela qual Audrey ganhou seu Oscar de atriz, no papel daquela princesa que se livrava do protocolo para levar uma vida anônima em Roma? Ou ouvir os comentários de Martin Scorsese sobre a obra-prima de George Cukor (My Fair Lady), durante tanto tempo injustiçada como mera transposição de um hit do palco (da Broadway) para a tela?

 

Tudo isso pode ser prazeroso, revelador, mas o mais fascinante é essa relação singular da atriz com seus diretores. Alguém já parou para pensar no significado ‘real’ de A Princesa e o Plebeu? Wyler sabia das coisas e você deve se lembrar como ele fez inscrever em seus cartões de visitas as iniciais A.V., de ancienne vague, para se diferenciar dos autores da nouvelle vague, por volta de 1960. Um crítico tão importante como André Bazin destacava a assinatura de Wyler na sua utilização da profundidade de campo, pedra de toque da mise-en-scène de seus filmes? Vocês acham que era mera coincidência que, em 1953, quando se consolidavam as mudanças do neorrealismo (clássico), ele fizesse da sua princesa uma mulher comum, nas ruas da cidade que abrigara o movimento? E a fragilidade de Audrey como Natacha em Guerra e Paz, errando por amor contra o pano de fundo da grande História (com maiúscula)? As cenas de batalha daquele belo filme são até hoje exemplares e Henry Fonda como ‘Pedro’, atravessando a guerra com sua flor, é certamente uma das experiências inesquecíveis do cinema, a menos que você tenha ideias preconcebidas (e empobrecedoras) do que seja o cinema de autor. Em todos os filmes, Audrey é bela, elegante, compassiva. Admira que Steven Spielberg tenha feito dela o anjo de Além da Eternidade?

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