Atuar para David O. Russel é quase garantia de indicação para o Prêmio Oscar

Se Jennifer Lawrence, Christian Bale, Amy Adams ou Bradley Cooper levarem estatueta, será o terceiro ano consecutivo que alguém do seu elenco leva a estatueta

Eric Kelsey, Reuters

21 de fevereiro de 2014 | 22h57

Há uma receita simples para os aspirantes a ator que se sentam em casa durante a temporada de prêmios sonhando com uma indicação ao Prêmio Oscar: seja escalado para um filme de David O. Russel.

O diretor do romance O Lado Bom da Vida e do drama O Vencedor já ajudou Jennifer Lawrence e Christian Bale a levar o prêmio máximo de Hollywood, e este ano conseguiu indicações para os quatro atores de seu Trapaça. Se algum deles – Lawrence, Bale, Amy Adams ou Bradley Cooper – levar um Oscar no próximo dia 2 de Março, será a terceira vez consecutiva que alguém de seu elenco sai vencedor da cerimônia.

“Fico muito orgulhoso por isso”, diz o diretor de 55 anos. “Sinto que fiz meu dever com relação a eles, porque meu desejo é o de dar a cada ator um papel especial, e peço por coisas específicas que eles nunca fizeram antes, peço que assumam riscos inéditos.”

Russell também já foi indicado cinco vezes ao Prêmio Oscar, e concorre este ano a melhor filme. Mas sua transformação durante os últimos três filmes se deu como os contos de redescobrimento por que passam seus personagens. “Às vezes sinto que o destino lhe apresenta uma cena em que parece que você não tem opções, mas que isso é para um bem maior. Acho que eu passei um pouco por isso.”

A carreira de Russell pareceu ter empacado um pouco depois de 2004, quando fez a comédia I Heart Huckabees, um fracasso de bilheteria que derrubou sua reputação, famoso apenas pelas quentes discussões que aconteceram nos bastidores entre os atores. “A reputação do David não era só a de um artista independente que queria fazer tudo do jeito dele. Era a de um filho da mãe com quem era impossível trabalhar”, lembra o crítico Andrew O'Hehir, do site Salon.com.

Contudo, não há nenhum cineasta contemporâneo com uma trajetória como a dele que, seis anos depois daquele fracasso, renasceria com O Vencedor. Agora, ele é um criador que consegue extrair o máximo de talento de seus atores, e que ajudou a transformar Lawrence e Cooper de meras estrelas em atores sérios. “Ele é o homem que transformou minha carreira no que ela é hoje”, afirmou Lawrence durante seu discurso de aceitação do Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante por Trapaça. No ano passado, ela venceu o Oscar por O Lado Bom da Vida. “Ele é um diretor de atores. Ele é o coração de tudo”, disse Cooper quando aceitava a sua estatueta.

Preso no que ele chama de uma “cadeia de diretores” e lutando para conseguir trabalho, Russell aponta o declínio de sua vida pessoal (o divórcio em 2007 e as dificuldades para criar um filho bipolar) como um momento-chave para dar a volta em sua carreira. “Quando voltei a trabalhar, via mais claramente o tipo de pessoa que estavam bem na minha frente esse tempo todo e pelas quais eu tinha fascínio e admiração enormes. Eu queria que meu cinema falasse dessas pessoas”, explica o criador. “Eu não havia percebido isso há 10 ou 12 anos. Foi só depois de passar por esses desafios pessoais, com meu filho, e de ter projetos que não se saíram como eu esperava.” Ele diz que agora tenta manter um ambiente acolhedor e descontraído no set. Deixa música tocando. Tenta não deixar que a pressão da agenda de gravações seja demais para todos os envolvidos.

O roteirista Eric Warren Singer, que coassina Trapaça, define o diretor no set como uma boa companhia para os atores. “Nenhum cineasta no mundo trabalha como David. Ele é um alquimista. A maior parte dos diretores relaxa, fica mais de fora. David está bem na linha de frente nas cenas. Não há regras com ele.”

TRADUÇÃO DE CLARICE CARDOSO

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