Atuações marcadas por transformações e escolhas minimalistas

A convite do 'Estado', ator e diretor Otávio Martins comenta atuação dos cinco indicados ao Oscar de melhor ator

O Estado de S. Paulo

02 de março de 2014 | 03h00

A melhor atuação de Leonardo Di Caprio; a emocionante construção de personagem de Bruce Dern; as escolhas de Chiwetel Ejiofor; a transformação física de Matthew McConaughey; as opções imprevisíveis de Christian Bale - a convite do Estado, o ator, diretor e dramaturgo Otávio Martins comenta a atuação dos cinco indicados ao prêmio de melhor ator no Oscar.

 

 

Matthew McConaughey

"Reza a tradição que uma transformação física radical rende votos no Oscar, seja pela dificuldade, seja pelo impacto visual. No entanto, o trabalho de Matthew McConaughey em Clube de Compras Dallas vai além disso: suas escolhas artísticas ao compor um personagem egoísta são tão radicais quanto sua perda de peso, numa performance que abre mão do fácil uso da compaixão. Complexo, intenso e cínico, ele vai da contenção à explosão numa impressionante organicidade. Conhecido como galã de comédias românticas, faz desse seu papel o mais impressionante em todos os sentidos."

Leonardo Di Caprio

"Pela primeira vez, assisti um filme com Leonardo Di Caprio sem lembrar o tempo todo que aquele cara era Leonardo Di Caprio - o que não é pouco. Se existe um rosto e um nome para o cinema americano atual, esse é o cara. Seus filmes rendem milhões, seu nome arrasta multidões, seu currículo não mostra nenhum fracasso de bilheteria - e essas são condições que imediatamente o cacifariam ao prêmio. A diferença aqui é que, em O Lobo de Wall Street, ele está brilhante, existe o medo, a frustração, a glória, a soberba. Mas ainda falta um certa dose de perigo. É sua melhor atuação até hoje, jogando o tempo todo num delicioso e arriscado timing."

Chiwetel Ejiofor

"De todos personagens feitos pelos atores que concorrem ao prêmio, talvez o mais ingrato seja o dele em 12 Anos de Escravidão. É um herói clássico, um homem injustiçado que luta para recuperar sua dignidade e liberdade, e fazer isso com a elegância e o refinamento artístico que ele mostra é algo muito difícil de ser alcançado. Poderia facilmente cair na tentação do pieguismo e da auot-comiseração, mas é um ator que foge dessa estrada com muita inteligência. Num elenco de pesos pesados como esse, fazer saltar aos olhos seu trabalho é sem dúvida digno de prêmio."

Bruce Dern

"Entre todos os que concorrem, Bruce Dern é o que tem nas mãos um personagem cuja máxima "menos é mais" pode ser elevada à enésima potência, e ele aproveita cada frame disto. Sua composição do idoso que acredita ser um milionário, em Nebraska, é de uma sofisticação e de uma força que suplantam a simpatia inevitável de ver um velho (e ótimo) ator dando o melhor de si. Nebraska não só é um pequeno grande filme, mas conta com um protagonista capaz de dizer tudo sem mexer absolutamente nenhum músculo. Ganhou melhor ator em Cannes, e seria a escolha menos óbvia e mais poderosa do Oscar. Cá entre nós: se fosse membro da Academia, seria dele o meu voto."

Christian Bale

"Esse é um ator acima de qualquer crítica, e ele faz jus ao ser aclamado como um dos melhores atores de sua geração. Suas escolhas de cena são sempre imprevisíveis, seus personagens fogem do óbvio. Suas performances oferecem mais que um risco calculado: oferecem perigo, justamente o que parece faltar ao trabalho de Leonardo Di Caprio. Em Trapaça, ele mais uma vez se transfigura, traz humor e leveza aliadas a uma impressionante agressividade latente. Não existe quem saia do filme sem aplaudir seu trabalho, mas confesso achar que existe um certo ar de "déjà-vu" em sua performance."

Tudo o que sabemos sobre:
Prêmio Oscar

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.