Manuel López Contreras/ Efe
Manuel López Contreras/ Efe

Atriz Sara Montiel morre aos 85 anos

Artista fez carreira em Hollywood e foi a maior estrela da Espanha nos anos 1950 e 60

Luiz Carlos Merten - O Estado de S.Paulo,

08 de abril de 2013 | 12h25

Em novembro de 1995, quando o DVD de "La Violetera" foi lançado no Brasil, o repórter ligou para a casa de Sara Montiel em Madri. Uma voz quer se identificou como a camareira disse que ela não estava, mas quis saber detalhes sobre o que se tratava. Terminou admitindo que era a própria Sarita, na época com 66 anos. "Pero sigo muy guapa", mas continuo bonita – advertiu. Sara Montiel morreu nesta segunda-feira, 08, em sua casa na capital espanhola, aos 85 anos. Nasceu em Campo de Criptana, Ciudad Real, em 1929 – Sarita nunca teve problemas em admitir a idade. Foi a maior estrela da Espanha nos anos 1950 e 60.

Fez carreira em Hollywood, filmando com grandes nomes do cinema de ação – Robert Aldrich, Samuel Fuller, Anthony Mann. Mas sempre reclamou dos ‘gringos’ – "Só me davam papéis exóticos, de mestiça", dizia. Mas foram filmes como "Vera Cruz" e "Renegando Meu Sangue", considerados clássicos do western (especialmente o primeiro). Com Anthony Mann, fez um melodrama musical, estrelado por Mario Lanza – Serenata. Casou-se com o diretor, levou-o para conhecer a terra de seus ancestrais e Mann, em retribuição, fez um dos maiores épicos do cinema – "El Cid", contando a história do guerreiro que expulsou os mouros e unificou o país à custa do próprio sangue.

Sarita nasceu Maria Antonia Abad Fernandez e, ao se ensaiar na carreira artística – em 1944 –, adotou o nome de Maria Alexandra, que depois trocou para Sara Montiel. Para os fãs, era Sarita, um ícone gay tão forte que Pedro Almodóvar, na fase de meia-arrastão, nunca teve problemas em admitir que adorava imitá-la. Ela se orgulhava disso, e explicava: "Soy muy hembra", sou muito fêmea, por isso me adoram." Sarita tinha 29 anos quando deu por encerrada sua experiência hollywoodiana e voltou à Espanha. O ano era 1958 e ela estrelou um filme intitulado "A Última Canção", El Ultimo Cuplé. Na sequência, fez "La Violetera". E ambos fizeram história.

Atriz, cantora, estrela, Sarita virou um fenômeno de bilheterias – na Espanha e no mundo. No Brasil, onde seus filmes eram distribuídos por uma empresa chamada Condor, o público fazia extensas filas para espantar a ave do logo da empresa no escurinho do cinema, e sofrer com a heroína, porque eram melodramas descabelados. Embora fosse a maior, Sarita não era um fenômeno isolado e o público também prestigiava o cantante Joselito e uma estrelinha tão loira que se chamava Marisol. Em dupla com galãs como Raf Vallone e Maurice Ronet, Sarita continuou alinhando sucessos – Carmen de Ronda, sobre a femme fatale de Prospér Merimée e da ópera de Georges Bizet, "O Último Tango".

Em 1975, aos 46 anos, Sarita abandonou o cinema para se consagrar somente à música. Fez shows em todo o mundo, incluindo o Brasil (e São Paulo). Nunca deixou de cantar seu hit. "Llevello ese ramito/que no vale más que un real’ – e oferecia seus ramos de violetas. Elas viraram um símbolo. A cor, o perfume. Sarita engordou (não tanto quanto Elizabeth Taylor), perdeu a forma (um pouco), mas nunca deixou de ser a ’estrela’. Em 2004, finalmente, ocorreu o encontro que os tietes esperavam, e Sarita fez com Pedro Almodóvar Má Educação.

O filme com elementos autobiográficos sobre a vida de Pedrito no internato religioso não é daqueles que mereçam ser lembrados na carreira do grande diretor. Ela o fez como um tributo, um reconhecimento ao maior talento do cinema da Espanha. Ele, no fundo, também queria reverenciar o ícone. Além dos filmes e shows, Sarita deixa uma extensa discografia. Alguns dos CDs destacam o mito – Sarita Montiel La Diva, Sarita Montiel La Leyenda.

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