Atriz por acaso, Cleo Pires brilha em "Benjamin"

Quando Cleo Pires estudava no colégio São Marcelo, no Rio de Janeiro, ela tinha uma grande dificuldade para fazer amizades. Como todos sabiam que era filha de Glória Pires, pensavam que fosse metida e arrogante. Cleo pegou birra da escola e acabou virando má aluna. Para acabar com o problema, mudou-se para um colégio de grã-finos e famosos. Não resolveu muito. Cleo continuou tirando notas ruins. Mas, entre shows de sua banda (a Seedless) e sonhos de um dia ser marceneira, ela acabou tomando uma decisão definitiva sobre seu destino profissional: não seria, em hipótese alguma, atriz. Mas o destino, mesmo o profissional, tem das suas. E Cleo encontrou o seu em um banheiro. Por causa da bexiga cheia, virou protagonista de um filme baseado em livro de Chico Buarque e arrematou o prêmio de Melhor Atriz no Festival do Rio. "Cara, esta história é louca. Eu estava em uma festa, louca para fazer xixi. Pedi para uma mulher que estava na fila do banheiro para passar na frente dela. E foi aí que tudo começou", conta. Esclarecimento: a mulher do banheiro era Monique Gardenberg, diretora de clipes e do filme Jenipapo e que estava trabalhando na adaptação do livro de Chico. "Ela disse que tinha o pressentimento infalível de que eu era a pessoa ideal", diz Cleo. E para raiva de jovens atrizes que fazem todo tipo de curso e contatos para conseguir uma ponta em qualquer trabalho artístico, Cleo revela. "Eu nunca quis ser atriz, nunca fiz nada para merecer qualquer papel. Só fui me apaixonar pela profissão quando eu vi o filme pronto." Mas agora que gostou da área, decidiu investir nela. Cleo embarca sexta-feira para Los Angeles, de onde só volta quando tiver completado o melhor curso de atuação artística que encontrar. Uma frustração para a Globo, que levou um "não" da atriz quando foi convidá-la para protagonizar "Cabocla" - nova novela das seis - no papel que, há 25 anos foi da mãe. "Este papel é da minha mãe, a comparação vai ser inevitável. Eu quero um papel meu", justifica. Cleo não só negou um papel principal na Globo como deixa claro que é uma iniciante cheia de critérios. "Quero um trabalho com um diretor maneiro, elenco maneiro. Quero fazer coisas que dêem certo." Será que as colegas do São Marcelo não tinham uma ponta de razão? Cleo diz que não. Revela que não terá o menor problema de largar a carreira se um dia enjoar dela, como já fez com a banda, o vôlei, o sapateado e a natação. "Minha única dificuldade é terminar um namoro", diz ela, que afirma estar solteira. Coisas de uma menina de apenas 21 anos, cuja beleza - que dispensa maquiagem, alisamento japonês, batom e poderia dispensar até simpatia - deixou Chico Buarque de queixo caído nas gravações do musical que integra o filme. "Ficar aqui sentado, olhando a Cleo, não é sacrifício nenhum", disse o compositor, na época. Cleo ainda gosta de videogame, banco imobiliário, detetive e outros jogos de adolescente. É fã de Gisele Bündchen. Diz que achou o máximo ter se mudado para Goiás, no ano passado, junto com a família, e não sente saudades do Rio. "Lá tem todos os meus primos, eu adoro." Sua relação com Glória Pires é ótima, diz ela. "Minha mãe é impressionante. Nada abala a determinação e a fé dela", diz Cleo, que acompanhava os trabalhos da mãe e elege as gêmeas Ruth e Raquel de Mulheres de Areia seu trabalho preferido. "Meu sonho é atuar com ela, mas não agora." Já com o pai, o cantor Fábio Jr., a relação não é tão boa assim. Cleo nem fala sobre ele e chama de pai o cantor Orlando Moraes, que casou com Glória quando Cleo era pequena e foi vítima de um falso boato quando Cleo tinha 15 anos, dizendo que estaria tendo um caso com ela. O boato, a ausência do pai e as brigas com meninas do colégio são, para ela, coisas do passado. Hoje, Cleo só pensa na sua carreira de atriz. Isso até desistir e partir para outra, talvez marcenaria.

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