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Atriz Italia Almirante-Manzini, que se tornou a primeira diva da tela, morou em São Paulo

Atuação marcante ajudou a popularizar 'Cabíria', que se tornou o mais visto em vários países

João Villaverde, Enviado Especial - Turim - O Estado de S.Paulo

20 Abril 2014 | 02h11

Quando a linda Sofonisba, filha do general Asdrubal, que comandava Cartago na guerra contra Roma, surge no filme Cabiria, os espectadores de 1914 viam, pela primeira vez, uma atriz, no caso, Italia Almirante-Manzini, se comportando como protagonista. Esbelta e com um vestido que remete à nobre filha do general cartaginês do ano 221 a.C., a atriz de nome curioso sugere erotismo, na forma de sentar, enquanto passa as mãos, gentilmente, em um leopardo. A câmera em movimento, uma inovação marcante de Cabiria, amplifica a sensação de risco - trata-se, afinal, de um felino selvagem.

Italia Almirante-Manzini pode ser considerada a primeira diva da história do cinema, abrindo caminho para Elizabeth Taylor, em Cleópatra, Anna Magnani, em Roma, Cidade Aberta, Anita Ekberg, em A Doce Vida, e tantas outras. Sua atuação em Cabiria causou impacto na época, e ajudou a popularizar o filme em praticamente todo o mundo, tornando o longa-metragem italiano o mais assistido em 1914 nos Estados Unidos, Alemanha, França e Itália. Mais de meio milhão de norte-americanos assistiu a Cabiria naquele ano.

Italia Manzini se tornaria uma celebridade, mas de vida curta no cinema. Em 1935, ela se casou com um jornalista e militante italiano e veio morar em São Paulo, onde morreria em 1941, após ser picada por um inseto venenoso.

Ela não foi a única celebridade a surgir com Cabiria. Bartolomeo Pagano, que faz o carismático personagem Maciste (apelido dado por Gabrielle D'Annunzio, coautor do roteiro, ao "homem forte estilo Hércules"), ficaria tão famoso que, depois, viria a estrelar outros 26 filmes encarnando o mesmo papel.

Pagano, mais tarde, foi morar nos Estados Unidos, onde mudou o nome em cartório para Maciste. O primeiro dessa série de filmes, chamado simplesmente Maciste (1915), seria exibido em São Paulo em 5 de fevereiro de 1916. Na ocasião, o Estado anotou: "o cinema apresentará ao público fino desta chic capital Maciste, emocionante drama de assumpto social, tendo como principal intérprete o célebre gigante negro da grande maravilha cinematográfica que se chama Cabiria".

A personagem Cabiria é uma jovem romana separada dos pais após uma erupção do monte Etna, no sul da Itália. A simulação da erupção, inclusive, é um dos primeiros efeitos especiais da história do cinema. Sequestrada por Cartago, rival de Roma, ela vai viver como serva de Sofonisba, a filha de Asdrúbal, general que sucedeu Aníbal.

Partes cruciais da história são representadas com realismo em Cabiria, como a travessia dos alpes italianos pela tropa de Aníbal, que contava com elefantes, cavalos e camelos. Enquanto Cartago e Roma travam as Guerras Púnicas, um romano e seu escravo, o forte Maciste, que vivem de forma clandestina em território inimigo, conseguem salvar Cabiria de um sacrifício no grandioso Templo de Moloch -a cena mais conhecida e impactante dos 189 minutos de Cabiria. / J.V.

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