Atriz ganha chance de brilhar em "Vera Drake"

Você já deve ter visto a atriz Imelda Staunton em algum filme, provavelmente roubando a cena de algum colega mais famoso. Uma das artistas britânicas mais versáteis dos palcos e das telas, Imelda interpretou a governanta de Gwyneth Paltrow em Shakespeare Apaixonado, atuou em Razão e Sensibilidade, de Ang Lee, e em Muito Barulho Por Nada, de Kenneth Branagh.Ela assume um papel dramático em Vera Drake, novo filme de Mike Leigh, sobre uma mulher bem intencionada destruída pela sociedade, pelo segredo e pelo silêncio. A performance de Imelda como a personagem principal, uma mulher que faz abortos, rendeu-lhe o prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema de Veneza, em setembro. O filme foi premiado com o Leão de Ouro e é um forte candidato a disputar o Oscar.Depois de uma carreira de 28 anos como atriz, geralmente em papéis secundários, Imelda está feliz, mas tranqüila, com a possibilidade de ser indicada ao Oscar. "Se tivesse acontecido há 20 anos, poderia ter subido à minha cabeça", disse Imelda, de 48 anos, durante uma entrevista em Londres no Festival de Cinema da cidade, que acaba amanhã.O filme de Leigh, que também dirigiu Segredos e Mentiras, se passa em 1950, no pós 2.ª Guerra Mundial. Vera é uma mulher que trabalha limpando as casas das pessoas ricas de seu bairro e complementa sua renda "ajudando" mulheres com gestações indesejadas. Para ela, não se trata de aborto, muito menos crime. Mas, para a lei é, e Vera é condenada por isso. Imelda concorda que o tema do aborto gera reações fortes, mas diz que o filme "brilhantemente complicado" de Leigh faz as pessoas pensarem na complexidade moral da situação. "Ele não toma partido, mas eu não penso que seja um filme sem opinião", ela disse. "Acredito que é cheio de emoção e compaixão de todos os lados: a polícia, a lei, as mulheres que fizeram, as mulheres que fazem. Ele olha para todo o quadro e nos faz questionar o assunto todo".

Agencia Estado,

03 de novembro de 2004 | 17h26

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