Atriz Eva Green fala de carreira, inibição e Bertolucci

Artista é destaque da segunda temporada de 'Penny Dreadful'

Entrevista com

Eva Green

Roseli Andrion - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2014 | 03h00

LONDRES - Quem vê Eva Green em cena talvez não imagine que, na adolescência, a bela francesa de enormes olhos azuis era tímida. “Na escola, quando uma professora me fazia alguma pergunta, ficava vermelha e quase desmaiava de vergonha”, conta. 

Para a sorte dos fãs, seus pais a obrigaram a fazer aulas de teatro. “A ideia era que eu enfrentasse meu demônios”, diz. A estratégia deu certo: ela se apaixonou pela profissão e virou o fenômeno que, apenas neste ano, já fez quatro filmes: 300 - A Ascensão do Império, Sin City - A Dama Fatal, The Salvation e Pássaro Branco na Nevasca -, além de estrelar a série Penny Dreadful. Bernardo Bertolucci, segundo ela, também tem responsabilidade nisso: ela fez seu primeiro filme com ele e ganhou novo ânimo para continuar atuando.

Para 2015, Eva já está trabalhando em Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children e na segunda temporada de Penny Dreadful. Mesmo com sua total desinibição diante das câmeras, ela tem ainda resquícios de timidez. Ao entrar na coletiva de imprensa de lançamento do Calendário Campari 2015, no Shoreditch Studios, em Londres, a estrela agarrou o braço da fotógrafa responsável pelas imagens, Julia Fullerton-Batten. Só assim sentiu segurança para encarar a plateia.

Na conversa com o Estado, Eva ficou mais à vontade. Já no início da entrevista, quando o fato de estar com um vestido diferente do usado na coletiva foi notado, brincou: “Eu troco a cada hora”. Simpática, respondeu a todas as perguntas e só reclamou na hora da selfie. “Ai, odeio me ver em fotos!”

Sua mãe é a atriz Marlène Jobert, que trabalhou com Godard e Louis Malle. Foi por isso que optou por essa carreira? 

Talvez inconscientemente, sim. Não frequentei sets quando era pequena e demorei para admitir que queria ser atriz. Tinha medo do julgamento das pessoas, de que pensassem “ela se tornou atriz porque é mais fácil e vai conseguir um agente rapidinho”. Foi difícil aceitar isso. Comecei com aulas de teatro aos 17 anos e foi ali que me apaixonei por esse trabalho maluco. 

Como superou a timidez a ponto de virar atriz?

Eu era muito, muito, muito tímida. Na escola, quando uma professora me fazia alguma pergunta, ficava vermelha e quase desmaiava de vergonha. Meus pais, então, me forçaram a fazer aulas de teatro para que enfrentasse meus demônios. Isso me ajudou muito. Eu podia me esconder atrás dos personagens. 

Como foi fazer seu primeiro filme com Bernardo Bertolucci?

Assustador. Além de ser meu primeiro filme, eu ficava nua. Quando fui escolhida, não pensei duas vezes: tinha um pôster de O Último Tango em Paris no meu quarto e era obcecada por Bertolucci. Foi uma experiência maravilhosa. Graças a ele, eu ainda estou trabalhando. Nos fins de semana, jantávamos ouvindo música e ele falava sobre cinema dos anos 1960 e 70. Era praticamente como viver um sonho.

A maioria dos seus personagens são bruxas e similares. Você gosta de fazê-los?

Gosto de personagens complexos, pois são sempre interessantes de interpretar. Não gosto de personagens unidimensionais. O único personagem unidimensional que fiz recentemente foi a Ava Lord (Sin City). Ela é apenas uma femme fatale.

E comédia, você faz comédia?

Queria fazer, só preciso encontrar a certa.

Você é considerada uma das atrizes mais sexies do cinema. Esse título a incomoda?

Sempre que sou colocada na ‘caixinha’ de sexy, fico com a impressão de que as pessoas não me veem como atriz - é como se eu só tivesse interpretado femme fatale. Por outro lado, é legal ser sexy aos olhos do mundo. Se me trouxer trabalho interessante, melhor ainda. Só espero que as pessoas consigam ver além dessa fachada.

Casino Royale a projetou para a fama, mas você, inicialmente, nem queria se candidatar ao papel...

Eles não quiseram me dar o script e eu era muito esnobe. Quando peguei o roteiro, vi que a personagem tinha substância, não era apenas uma garota bonita.

Em 300, você trabalhou com o ator brasileiro Rodrigo Santoro. Como foi? 

Ele é bronzeado. Bom, o Xerxes (personagem de Santoro) é um gigante e a maioria das nossas cenas era feita com cromaqui, ou seja, eu contracenava com um pedaço de pau bem alto com uma bola de tênis na ponta. Essa interação era meio estranha, mas a gente se falava no set.

Você acaba de fazer dois filmes baseados nos quadrinhos de Frank Miller: 300 - A Ascensão do Império e Sin City - A Dama Fatal. Você já era fã das histórias dele? 

Errr, não. Nunca fui leitora de quadrinhos, mas foi muito divertido fazer ambos. Trabalhei neles por motivos diferentes. Fazer a Artemisia (300) foi um grande desafio, porque ela é fisicamente muito forte. Já Sin City me deu a oportunidade de estar em uma produção muito estilosa, uma homenagem ao filme noir.

Você mora já há algum tempo em Londres. Foi difícil deixar a França? E morar em Hollywood, está nos seus planos?

Eu morreria em Hollywood, porque não dirijo. Londres tem sido minha casa por 9 anos, mas não abandonei Paris: vou lá frequentemente visitar minha família. E sou francesa, 100%. É como se eu fosse adulta em Londres e uma criança de 5 anos quando estou em Paris.

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