Atriz estréia na direção com "Sexo por Compaixão"

Você talvez não se lembre disso, mas Laura Maña foi uma das libertárias no filme de Vicente Aranda com Victoria Abril. Jovem e bela, ela estréia na direção com Sexo por Compaixão. O filme que estréia hoje foi premiado nos festivais de Guadalajara, Miami, Málaga e Roterdã. "Teve críticas estupendas", diz Laura numa entrevista por telefone, de Madri. Mas ela admite que poderia ter ido melhor de público na Espanha. "Não foi um grande sucesso; os críticos gostaram mais." É a história de uma mulher que leva felicidade (e cura de seus males) àqueles com quem faz sexo. É uma santa profana, num mundo laico, define Laura. Seu marido, que a abandonou por não agüentar a santidade da mulher, volta para casa e resolve, também ele, trabalhar em prol da felicidade das fêmeas da aldeia. Laura conta que alguns anos atrás foi morar na França. "Tinha tempo de sobra, não fazia muita coisa e, por isso, desenvolvi uma aptidão que já possuía. Passei a escrever muito." Escreveu o roteiro de Sexo por Compaixão e um romance, Falsas Aparências, que também já foi editado na Espanha. Quando Laura lhes mostrou o roteiro de Sexo por Compaixão, os produtores interessaram-se. Surgiram alguns nomes como possibilidades de direção. Laura conta que nunca havia pensado em tornar-se diretora, mas a idéia de que outro pudesse desvirtuar sua história teve um efeito fulminante sobre ela. "Resolvi arriscar." Fez um filme muito simples, do ponto de vista técnico, mas defende até a morte a história de Sexo por Compaixão. "Para mim, é uma fábula que trata, no limite, do embate entre o bem e o mal." Explica sua maior dificuldade: "Foi estabelecer a coerência interna, desenvolver um tom com os atores." Morria de medo de errar a mão. Sabia que dependia muito do elenco. Para fazer a ´santinha´ queria uma versão latina de Marianne Sagebrecht, a atriz gordinha e charmosa de Estação Doçura e Bagdá Café, de Percy Adlon. Ao conhecer Elisabeth Margoni, sentiu que era quem queria. As outras escolhas foram conseqüências: José Sancho, para o marido, Alex Angulo para Pepe, Pillar Bardem, mãe de Javier e irmã do diretor Juan Antonio. Laura já fez outro filme que estréia no dia 30 na Espanha. Não é um projeto tão pessoal. Trabalhou como diretora contratada de Palabras Encadenadas. É um filme mais caro, um thriller psicológico que pode lembrar Ata-Me, de Pedro Almodóvar, por sua história - psicopata aprisiona mulher numa casa -, mas que Laura prefere aproximar de Jogo Mortal, de Joseph L. Mankiewicz, ou A Morte e a Donzela, de Roman Polanski. "É uma história de vítima e algoz, a questão é saber quem é o quê." Laura confessa estar morrendo de medo. "Depois do primeiro filme, criou-se uma expectativa muito grande, exagerada até, pelo segundo."

Agencia Estado,

11 de abril de 2003 | 13h58

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