Atriz de 'O Tigre e o Dragão' é homenageada em Marrocos

Festival de Marrakesh reconhece talento e trabalho de Michelle Yeoh e valoriza tambémm o cinema britânico

Flávia Guerra, de O Estado de S. Paulo,

08 de novembro de 2022 | 12h52

Na penúltima noite do oitavo festival de Marrakesh, quem ganhou as atenções dos holofotes foi a estrela oriental Michelle Yeoh. Mas, antes de mais nada, por que uma homenagem à atriz que é mais conhecida por seus papéis em filmes como O Tigre e o Dragão, 007 - O Amanhã nunca Morre e Memórias de uma Gueixa do que por sua contribuição ao cinema marroquino. "Porque Michelle é uma das mais fortes figuras femininas do cinema mundial. Além de não ser a típica atriz que temos em mente quando o assunto são filmes de Hollywood, traz uma nova forma de vermos as estrelas do cinema. Ela é uma mulher forte e bela ao mesmo tempo. E é esta a figura da mulher hoje no mundo", comentou o diretor artístico do Festival Internacional de Cinema de Marrakesh, Bruno Barde.   De fato. A priori, para o público brasileiro, com o perdão do clichê, um festival de cinema no Marrocos pode parecer algo 'para la de Marrakesh' de tão distante da realidade do cinema no Brasil. Mas com uma olhada mais apurada, é possivel constatar que a tão apregoada 'aldeia global' existe ao menos quando se fala em questões de produção cinematográfica.   Michelle pode não ser uma heroína como Sigourney Weaver, nem uma estrela de apelo 'universal' como Angelina Jolie, mas é a figura da mulher que cada vez mais ganha espaço nao só nas telas mas também na produção de cinema mundial.   "Nossas mulheres estão provando que tem muito talento para atuar, produzir e dirigir cinema. Homenagear mulheres como Sigourney e Michelle é uma forma de inspirar as marroquinas a também persistirem no ofício do cinema. Nosso país está caminhando sem perder suas tradições. Isso é o mais importante", comentou o diretor do Centro Cinematográfico de Cinema do Marrocos, Nour-Edinne Sail.   Muitos pontos se unem neste festival que tem pés calcados no oriente e no ocidente. Além de homenagear Sigourney Weaver e Michelle, o grande foco desta edição é o cinema britânico. Mesmo em tempos de crise, o sempre efervescente British Cinema resiste e prova que, ainda que se fale a mesma língua, é diferente do cinema hollywoodiano.   "Nosso cinema sempre se ateve a questões não só britânicas, mas que dizem respeito, e que se passam, em todo o mundo. Basta vez os filmes de Ken Loach, Michael Winterbottom, Hugh Hudson. Estamos sempre a procura de talentos", comentou John Woodward, diretor do British Film Commision.   Nao é por acaso que Michelle está em Marrakesh. Chinesa de origem, a atriz nasceu e cresceu na Malásia. Mas foi em Londres, onde morou na adolescência, que chamou a atenção dos diretores de Hollywood quando participou de um comercial ao lado do astro Jackie Chan. Michelle estudou ballé na Royal Academy, em Londres, mas por conta de uma contusão na coluna teve de abandonar os palcos. Voltou à Malásia, tornou-se Miss Malásia. E de lá voltou a Londres para participar do Miss Universo e trabalhar em comerciais. Da publicidade passou rapidamente para o cinema. E no cinema se tornou sinônimo de força e beleza.

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