Atriz de "O Enviado" fala sobre De Niro

Um dos rostos mais bonitos do cinema, a loira Rebecca Romijn-Stamos sonhava em interpretar uma mulher simples, distante da personagem glamourosa e sedutora de Femme Fatale e da mutante perversa coberta de escamas azuis da franquia X-Men. Seu desejo foi atendido quando o diretor Nick Hamm a convidou para encarnar uma mãe desesperada que aceita clonar o único filho, morto em acidente, no thriller O Enviado. ?Foi um alívio não usar maquiagem, sequer um batonzinho", brinca a atriz de 31 anos. De quebra, o thriller que estréia hoje no Brasil ainda deu a Rebecca a chance de contracenar com Robert De Niro, no papel do médico encarregado da clonagem. "Eu me belicava nos primeiros dias no set para ter certeza de que estava mesmo atuando ao lado de Bob." Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista concedida em Los Angeles.Beleza tem sido um fardo ou uma benção na sua carreira de atriz?Beleza nunca é um fardo. Há problemas muito piores que esse, mesmo sabendo que a sua aparência sempre vai ditar o tipo de papel que você será convidado para fazer. Obviamente eu recebo muito mais ofertas para interpretar a top model ou a menina bonita. Mas essas personagens são geralmente maçantes, do ponto de vista do ator. Eu prefiro viver uma mulher problemática, desequilibrada e com a vida toda bagunçada. Sentia a necessidade de viver uma personagem mais dramática para ser vista como atriz séria?Sim. Tenho consciência de que a indústria inicialmente me catalogou como atriz/modelo. Não houve nada que eu pudesse fazer para evitar isso. Mas não reclamo da minha trajetória. Foi a carreira de modelo que me ajudou a me aceitar. Eu não gostava do meu corpo quando cursava o ginásio, por exemplo. Por ter crescido muito rápido, era desengonçada. Ao me tornar modelo, no entanto, passei a ganhar dinheiro justamente por ser tão alta. Isso me deu confiança como mulher.Como foi a sua transição de modelo e apresentadora para atriz?Eu nunca quis ser atriz. Quando apresentava um programa na MTV, os produtores de Friends me convidaram para um episódio da série. Primeiro fiquei intimidada pelo desafio de atuar. Até porque o seriado tinha uma audiência gigantesca e eu não queria fazer feio. Mas acabei fazendo o teste e passei. Como esses episódios são rodados com a presença da platéia, durante a gravação eu me senti extasiada com a energia do público. Quando tudo acabou percebi que era isso que eu queria fazer para o resto da vida.Sentiu-se intimidada para contracenar com De Niro?Um pouco. Mas ele é tão divertido que me deixou à vontade. O mais impressionante é vê-lo trabalhar. Ele é descontraído normalmente, mas, quando a câmera é ligada, Bob sofre uma transformação. É até assustador. É a favor da clonagem?Não, apesar de entender a minha personagem em O Enviado. Que mãe não se sentiria tentada a clonar um filho? Ainda assim, eu não clonaria sequer o meu cachorro. Acho que todo ser vivo vem a este mundo com um propósito. Quando o tempo acabou, não há prorrogação.Preparada para enfrentar horas de maquiagem, quando for rodar "X-Men 3"?Não (risos). Gosto muito da franquia e adoro o pessoal envolvido. Mas, quando começo a sentir o cheiro daquela tinta, fico me perguntando: onde eu estava com a cabeça quando aceitei esse papel? Fico sonhando que, no momento de iniciarmos a filmagem do terceiro episódio, eles já terão encontrado uma maneira de fazer a Mística ficar azul digitalmente.

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