Atriz conta tudo sobre "Exterminador 3"

Aos 23 anos, a ex-modelo americana Kristanna Loken conseguiu uma façanha invejável nas telas: fazer Arnold Schwarzenegger correr. E correr muito. Escolhida entre milhares de atrizes testadas para o elenco de O Exterminador 3 ? A Rebelião das Máquinas, a intérprete cai nas graças de Hollywood no papel do robô T-X, um modelo muito mais avançado tecnologicamente que o T-800, o encarnado por Schwarzenegger na franchise. ?Na primeira vez em que pisei no set do filme, pensei: Como posso ser mais forte que Arnold? Quem estou tentando enganar???, contou a loira de 1m60 de altura e gestos delicados. A aparência indefesa, no entanto, não impediu que a atriz protagonizasse cenas de luta de tirar o fôlego com o renomado herói de ação nessa produção de US$ 175 milhões que desembarca hoje nos cinemas nacionais. ?Belisquei-me várias vezes no set. Mal podia acreditar que eu estava mesmo enfrentando o Exterminador.?? Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista que Kristanna concedeu em Cannes.Elaine Guerini - Como conseguiu o papel, sendo desconhecida em Hollywood?Kristanna Loken - Como o diretor Jonathan Mostow não queria um rosto familiar para o papel, o meu agente conseguiu marcar um teste para mim. Quando cheguei, Jonathan não disse absolutamente nada. Simplesmente li as falas da personagem. Logo em seguida, ele pediu que eu mostrasse habilidades físicas, correndo e pulando. Confesso que me senti ridícula, pois não tinha idéia do que ele queria. E deu certo.Como conseguiu se impôr diante de Schwarzenegger?Obviamente fiquei intimidada, principalmente nos primeiros dias de filmagem. Senti muita responsabilidade. Assim que conheci Arnold melhor, fiquei mais à vontade no papel. Ele foi muito generoso comigo, passando uma energia que ajudou a construir a minha personagem. Também aprendi a acreditar na força física que ganhei com o treinamento. Como foi a preparação para o papel?Durante seis semanas fiz um intenso treinamento de musculação aliado à dieta específica, que me ajudou a ganhar músculos mais rapidamente. Ganhei cerca de 8 quilos de massa muscular. Ainda recebi aulas de artes marciais e de Krav Maga, uma luta israelense que o exército usa para treinar os militares, incorporando o ambiente onde estão. Ainda aprendi a manejar armas de fogo e tive um professor de mímica.Aprendeu mímica para conseguir expressar-se convincentemente como um robô?Sim. Foi a mímica que me ajudou a fazer os movimentos robóticos e a ter o controle total sobre a linguagem do meu corpo. Foi uma intrínseca parte da preparação explorar o surrealismo de uma personagem com aspectos humanos e robóticos. A mímica consiste em construir uma energia interna e trabalhá-la contra uma força, de forma que os músculos estejam sempre engajados. Eu aprendi a alienar diferentes grupos de músculos para fazê-los trabalhar independentemente, o que foi fundamental para interpretar T-X. Como trabalhou o apelo sexual da personagem, ainda que ela seja um robô?Por ser uma robô fêmea, algo que não vimos nos dois filmes anteriores da franchise, eu tive mais liberdade na criação da personagem. Alguns dizem que T-X é uma mistura de Arnold com Robert Patrick, que interpretou o robô vilão T- 1000 no segundo longa-metragem. Eu não a vejo assim. Procurei brincar com a sua feminilidade, assim como faria uma mulher. Mesmo sendo uma máquina, T-X sabe usar o seu charme para conseguir o que quer. Só tive o cuidado de não acentuar demais esse aspecto. Sabia que só funcionaria se o apelo sexual fosse usado com parcimônia.Por ser o seu primeiro filme, ficou receosa ao rodar a cena de nudez?Desde o início, eu sabia que não teria como evitar a nudez, já que todos os exterminadores chegam sem roupa do futuro. Então tive de confiar no bom gosto do diretor. Quando os robôs desembarcam nus, eles não têm noção do que é aceito ou não pela sociedade. Por conta desse distanciamento, T-X ganha uma aura de inocência, o que embeleza a cena. Para minha sorte, foi a última cena que rodei. Isso significa que o meu corpo já estava exatamente do jeito que eu queria. Mas foi, sem dúvida, a cena mais difícil de fazer. A Rodeo Drive, em Los Angeles, ficou uma loucura, ainda que tenhamos filmado à noite.Sentiu-se orgulhosa pelo fato de a criatura mais poderosa em ?T-3?? ser uma mulher?Sim. O que mais me agradou, no entanto, foi a dicotomia entre a minha personagem e a de Claire Danes, no papel da jovem que ajuda John Connor a sobreviver. De um lado, temos uma mulher dotada de poderes, que representa uma realidade super-humana. De outro, temos a conexão com a humanidade, na figura dessa mulher normal, de bom coração. São os dois extremos do mesmo espectro.Como foi entrar para a galeria de vilões da franchise?Senti muita pressão. Por isso, dediquei-me ao máximo, não medindo esforços para modelar o meu corpo conforme a necessidade da personagem. Encarei o treinamento como parte criativa no processo.Seguiu o exemplo de Schwarzenegger, dispensando o dublê nas cenas de ação?Quando possível, sim. Mas não podia me esquecer de que tinha de voltar ao set no dia seguinte. Então não me arrisquei demais. Pediu conselhos a Schwarzenegger?Não. Eu preferi observá-lo atentamente, aprendendo muito com ele. Arnold sabe usar a força pura e concentrada. Não dá mais ou menos, apenas o que a cena requer. Ele sabe melhor do que ninguém o que funciona e o que não funciona em cena de luta.Qual foi a seqüência de luta mais difícil de rodar?Há uma longa seqüência de luta que envolve três cenários, sendo realizada na maior parte no banheiro. Como os robôs são muito mais pesados que os humanos, os estragos têm uma dimensão muito maior. A cada vez que um lutador joga o outro contra a parede, a ação é realmente muito abrupta e violenta, fazendo o cenário quase desmoronar.Machucou-se ou feriu Schwarzenegger acidentalmente nas seqüências de luta?Não. Confesso que tive medo de não conseguir controlar os meus golpes e ferir Arnold. Já imaginou? Machucar um astro como Arnold, que vale US$ 30 milhões, logo no meu primeiro grande longa-metragem? Mas nada disso aconteceu. Por estar habituado aos filmes de ação e às coreografias de lutas, ele foi muito consciencioso comigo. Não me deixou sequer com um arranhão. Obviamente, eu ganhei uma série de machucados durante a filmagem. Mas não por culpa de Arnold. Está preparada para dar adeus ao anonimato depois do lançamento do filme?Sinto que muita coisa vai mudar em minha vida, mas não sei exatamente o que esperar.Consegue prever a reação dos homens? Acredita que passará a intimidá-los depois do filme?Certamente. Principalmente depois de conferirem o que eu fui capaz de fazer nas telas (risos).

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