Atração do Mix Brasil, ‘Como Vencer no Jogo (Sempre)’ busca vaga no Oscar

Longa foi indicadopela Tailândia e disputa com o brasileiro‘Que Horas Ela Volta?’

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2015 | 22h32

Berlim tem a fama de ser o mais LGBTQ dos grandes festivais de cinema do mundo. Este ano, o Brasil participou das mostras paralelas com Beira-Mar, da dupla Filipe Matzembacher e Márcio Reolon, e o filme está em cartaz nos cinemas. Também passou na Berlinale o filme tailandês Como Vencer no Jogo (Sempre), de Josh Kim, que agora integra a seleção do 23º Mix Brasil. O festival das diversidades sexuais segue na cidade até domingo, 22. Como Vencer terá sessão hoje, às 17 h, no Cinesesc. O filme foi indicado pela Tailândia para concorrer a uma vaga no Oscar. Disputa a indicação com Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, do Brasil.

Nascido no Texas, de pais tailandeses, Josh Kim baseou-se em contos da coletânea Sightseeing, de Rattawut Lapocharoensa. São histórias que tratam de sexo num ambiente de miséria social, e nesse sentido projetam uma ideia muito sombria da realidade da Tailândia. Logo no começo, um chefão do crime revela-se assombrado por pesadelos que o remetem ao tempo em que não conhecia ‘a cor do dinheiro’. Segue-se sua história quando garoto. Sem pais para cuidar da família, Oat – é seu nome – fica sob a responsabilidade do irmão garoto de programas, mas se emancipa quando o irmão passa por uma seleção tipo ‘jogos vorazes’ para servir o Exército.

A Tailândia baniu a homossexualidade em 1956, fixando o limite de 15 anos para a liberação das práticas sexuais. Josh Kim quer falar de muita coisa em seu filme coproduzido por Tailândia, EUA e Indonésia. Corrupção do Exército, prostituição masculina, descoberta da (homos)sexualidade A narrativa tem a estrutura de um conto de fadas e algumas imagens, de tão bonitas, parecem pertencer a um filme turístico. Esse aspecto, digamos, idílico, entra em choque com a amoralidade, que dá o tom de Como Vencer no Jogo. Num mundo essencialmente corrupto, cada um deveria ter o direito de fazer o que quer com seu corpo. A ‘mensagem’ provocativa tem feito a fama de Como Vencer no Jogo junto ao público LGBTQ de festivais através do mundo, mas a Academia ainda vai ter de se liberar muito para o filme entrar no Oscar. 

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