Daniel Behr/Divulgação
Daniel Behr/Divulgação

Atração do Festival do Rio, Paolo Sorrentino filma episódio de ‘Rio, Eu Te Amo’

Capítulo do italiano é trhiller psicológico noir sobre a crise de um casal

Luiz Carlos Merten / RIO, O Estado de S. Paulo

02 Outubro 2013 | 19h36

Destaque do Festival do Rio com seu longa A Grande Beleza, Paolo Sorrentino passou os dois últimos dias na correria, filmando seu episódio de Rio, Eu Te Amo em Grumari. A praia selvagem, paraíso dos surfistas, virou o cenário para o episódio do autor italiano, que aborda a crise de um casal. “É um thriller psicológico e noir sobre um vínculo que se desfaz. Seria difícil contar essa história como longa, e é mais difícil ainda resumir uma relação em duas cenas.”

O repórter do Estado foi o único a visitar o set e a entrevistar a atriz Emily Mortimer. Ela admitiu, brincando, que é louca. “Vir ao Brasil durante apenas dois dias para ter uma cena de piscina, na qual estou instalada numa boia e fico balançando o tempo todo, e depois outra cena no mar revolto, é coisa de louco, sim.” Para complicar ainda mais, a personagem fuma compulsivamente na piscina e termina vomitando. Apesar do desconforto, Emily está feliz da vida. “Esse lugar é deslumbrante (ela aponta para a praia). Vou mandar as imagens para meu marido só para ele ficar morrendo de inveja.”

Bem que ela gostaria de ficar no Rio para desfrutar da beleza da cidade, mas ontem mesmo já embarcou para Londres, para participar do festival da capital inglesa. Atriz de Woody Allen (Match Point) e Martin Scorsese, Emily coloca Sorrentino no mesmo plano dos autores norte-americanos. “Paolo possui um universo instigante. Você viu Il Divo? É magnífico. E La Grande Bellezza? Ele diz que não se inspirou em (Federico) Fellini, mas a energia e a intensidade visual são similares”, diz. E acrescenta: “Gosto de diretores que são autores, que possuem um universo e têm consciência disso. Gosto de ser conduzida no set. Não me importo de ser uma marionete desses puppet masters”.

Sorrentino escolheu a praia e a casa do seu casal a partir de fotos enviadas pela equipe da Conspiração Filmes. No set, é extremamente compenetrado. “A equipe toda está encantada porque ele sabe o que quer e é solícito”, diz Leonardo Barros, da empresa produtora. Sorrentino faz anotações e desenhos rápidos que lhe servem de orientação. “Estou fazendo a minha função”, ele explica. O repórter provoca – em Cannes, parte da crítica reclamou do excesso de virtuosismo do relato de A Grande Beleza. “Há mais virtuosismo da câmera em Il Divo”, diz.

O filme é sua releitura de A Doce Vida>, o clássico de Fellini? “É uma interpretação que vocês (a imprensa, o público) fazem. Digamos que tenho certos elementos que me aproximam de Fellini. A Via Veneto, a cultura das celebridades.” Sobre esse segundo aspecto, a pergunta é inevitável – não é curioso que seu filme se siga a Reality, de Matteo Garrone, que também aborda o tema das celebridades, via reality shows? “Moramos no mesmo prédio. Discutimos nossos projetos. Muita coisa que me atrai é o mesmo que ele se interessa em abordar.” E a parceria com Toni Servillo? “Toni é extraordinário e eu o conheço há 20 anos. Não sei explicar como é nosso método, ou se existe método. A gente se entende sem precisar conversar. Ele lê o roteiro e antecipa o que quero.”

É realmente uma parceria das mais inspiradas, como atestam filmes como O Amigo da Família, O Divo e, agora, A Grande Beleza. Sorrentino já está acostumado a dividir a crítica. Diz que A Grande Beleza foi bem de público e mal de crítica na Itália. “Em geral, apesar da divisão, predominam as críticas positivas. Desta vez, foram as negativas.” Emily Mortimer ele já namorava desde Aqui É o Lugar, seu longa com Sean Penn. “Cheguei a contatá-la, mas o papel não era para ela. Aqui, é perfeita. Pela própria duração, preciso de uma atriz muito boa, que seja intensa, sexy e divertida.” A própria Emily analisa: “O universo dele é sombrio, mas engraçado. Não é fácil, mas a dificuldade é um desafio que vale encarar com os autores.”

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