Atores querem que ONU regulamente uso de imagem

Atores de todo o mundo se unem para exigir que a ONU crie um acordo internacional sobre a propriedade intelectual de suas performances. Sindicatos e associações de atores de várias regiões do mundo, inclusive da América Latina, estão em Genebra nesta semana, pedindo que se organize uma conferência mundial sobre o assunto em 2003. O objetivo do acordo seria delimitar os direitos dos atores em um mercado que movimenta, todos os anos, cerca de US$ 1,7 trilhões.Os atores, porém, enfrentam a oposição dos Estados Unidos. Washington alega que, se um acordo fosse criado, parte dos direitos deveriam ser dados aos produtores, proposta que obrigaria os atores a ceder sua imagem às empresas de produção, sem nenhum tipo de lucro.Já os países europeus e latino-americanos estão mais inclinados a apoiar a proposta dos atores, que defendem que a maioria dos lucros de uma obra teatral ou novela sejam direcionadas aos atores. Além disso, os atores querem ter o direito de controlar de que forma sua imagem seria divulgada pelas empresas produtoras. O problema é que, sem a participação dos Estados Unidos, que dominam quase um terço do mercado internacional, um acordo internacional acabaria se tornando letra morta e violado pela maioria das empresas.Novelas - Para a Federação Ibero-Americana de Artistas Intérpretes, o interesse do Brasil seria proteger os atores de novelas, um dos produtos nacionais mais distribuídos em todo o mundo, mas que acaba gerando poucos ganhos para os atores brasileiros."A América Latina é o quarto maior mercado do mundo, com uma movimentação de US$ 250 bilhões. Grande parte disso é gerado no Brasil", afirmou um representante da Federação Internacional de Atores, que garante que os sindicatos no Brasil poderão participar de forma ativa das negociações para a criação do acordo.Segundo revelou ao Estado uma fonte do governo, o Brasil não criaria problemas para assinar um acordo que estabeleça alguma proteção aos direitos intelectuais dos atores. O funcionário do governo, porém, lembrou que a iniciativa dos atores já foi testada no meio diplomático no ano 2000, mas as reuniões entre os governos fracassaram e o projeto foi abandonado.

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