Ator premiado em Recife procura trabalho

Francisco Carvalho, ator que recebeu o Troféu Calunga de melhor coadjuvante no Festival do Recife, procura trabalho. Ele foi premiado por seu desempenho no filme Espelho d´Água - Uma Viagem no Rio São Francisco, de Marcus Vinícius Cezar. Como não estava presente, o cineasta recebeu o prêmio em seu lugar e, ao agradecer, convocou colegas de ofício a convidarem o ator para seus elencos. "Afinal", confidenciou, comovendo a imensa platéia do festival pernambucano, "este grande intérprete, que agora recebe o merecido reconhecimento, passa por momento difícil. Para sobreviver, está vendendo sanduíches."No filme Espelho d´Água, premiado com a Margarida de Prata pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Francisco Carvalho interpreta Abel, barqueiro que corta o Rio São Francisco numa pequena canoa, feita de um pau só. "É meu melhor papel no cinema", conta o ator, que fez pequenas participações em Boleiros, de Ugo Giorgetti, Caminho dos Sonhos, de Lucas Amberg, Soluções & Soluções, de Nereu Cerdeira e Edu Felistoque, além do telefilme Mário de Andrade - A Viagem. Fez, também, participações em novelas e minisséries da Globo (História de Amor, Agosto, O Rei do Gado, Engraçadinha e Presença de Anita)."Tomara que meu trabalho, premiado agora no Recife, sirva para me abrir novas oportunidades profissionais. Estou sim, e não tenho vergonha de dizer, passando por um momento de dificuldade financeira", diz Francisco. O ator participa da montagem da peça O Bem Amado, de Dias Gomes, que estréia nesta sexta-feira no Teatro Paulo Autran. Só que, ao invés de solucionar seus problemas, a temporada da peça significará nova fonte de despesas. "Nossa temporada estava marcada para o TBC, teatro próximo da minha casa. Só que problemas operacionais nos levaram a outro teatro, que fica dentro de uma universidade, mais distante de minha casa. Agora preciso bancar minha locomoção. É mais despesa."Em O Bem Amado, Francisco Carvalho, piauiense de 53 anos, em São Paulo desde 1975, interpreta Mestre Ambrósio. "Torço pelo sucesso da peça. Caso contrário, minha situação vai se complicar ainda mais." O ator tem 35 peças no currículo. Duas, dirigidas por Antunes Filho (Macunaíma e A Hora e Vez de Augusto Matraga). Mas lembra que "viver de teatro não é fácil, mal dá para a subsistência cotidiana". Francisco Carvalho diz que tem cara de cacto ("mandacaru, como chamamos no Nordeste"), mas não se sente discriminado pela TV. "É um veículo poderoso e muito importante. Quando me convidam para ser motorista do José Mayer, vou com o maior prazer. O que conta é o talento", diz. Cita o caso de Stênio Garcia e José Dumont, "atores que fogem do padrão galã de novela, mas sempre se destacam por serem donos de talentos especiais". O ator aposta na força do barqueiro Abel, de Espelho d´Água. "Tomara que o filme (com estréia prevista para nove de julho, com 20 cópias) seja um sucesso. E que cineastas e diretores de TV me vejam na pele de Abel e me convidem para novos trabalhos. Se isto acontecer, minha mulher, meus três filhos, um neto e eu vamos ficar muito satisfeitos."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.