Chris Delmas / AFP
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Ator George Segal morre aos 87 anos

George Segal foi indicado ao Oscar por 'Quem Tem Medo de Virginia Woolf?' e atuou mais recentemente na série 'The Goldbergs'

Redação, AP

24 de março de 2021 | 07h34
Atualizado 24 de março de 2021 | 15h33

George Segal, o tocador de banjo que se tornou o ator indicado ao Oscar por Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, de 1966, e que trabalhou mais recentemente no sitcom da rede americana ABC The Goldbergs, morreu na terça, 23, em Santa Rosa, na Califórnia, disse sua mulher.

“A família está arrasada ao anunciar que George Segal morreu esta manhã devido a complicações da cirurgia de ponte de safena”, disse Sonia Segal, em um comunicado. Ele estava com  87 anos.

Segal sempre foi mais conhecido como ator cômico, tornando-se uma das maiores estrelas do cinema na década de 1970, quando as divertidas comédias adultas prosperaram. Mas seu papel mais famoso foi em um drama angustiante, Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, versão cinematográfica de Mike Nichols para a aclamada peça de Edward Albee.

Ele era o último membro do minúsculo elenco que ainda estava vivo, todos indicados ao Oscar: Elizabeth Taylor e Richard Burton nos papéis principais, Sandy Dennis e Segal por interpretações coadjuvantes. As mulheres ganharam Oscars, os homens não.

Para o público mais jovem, ele era mais conhecido por interpretar o editor de revistas Jack Gallo na longa série da rede de TV americana NBC Just Shoot Me!, de 1997 a 2003, e como o avô Albert ‘Pops’ Solomon, em The Goldbergs desde 2013.

“Hoje (23), perdemos uma lenda. Foi uma verdadeira honra ser uma pequena parte do incrível legado de George Segal”, disse o criador de Goldbergs, Adam Goldberg, que baseou a série em sua infância na década de 1980. “Por puro destino, acabei escolhendo a pessoa perfeita para interpretar Pops. Assim como meu avô, George era uma criança no coração com uma centelha mágica.”

Em seu auge em Hollywood, ele interpretou um intelectual enfadonho ao lado de uma prostituta liberal, vivida por Barbra Streisand, em O Corujão e a Gatinha, dirigido em 1970 por Herbert Ross. Também um marido traidor ao lado de Glenda Jackson em Um Toque de Classe, de 1973, direção de Melvin Frank. Ainda um jogador sem esperança contracenando com Elliot Gould no filme dirigido por Robert Altman em 1974, Jogando com a Sorte. Finalmente, um assaltante de banco ao lado de Jane Fonda em Adivinhe Quem Vem para Roubar, que Ted Kotcheff dirigiu em 1977.

Preparado para ser um galã de Hollywood, Segal foi ganhando espaço desde seu primeiro filme, Preceito de Honra, de 1961. Sua primeira atuação como protagonista foi em Rei de um Inferno, de 1965, como um prisioneiro nefasto em um campo de prisioneiros japonês durante a Segunda Guerra Mundial.

Em Virginia Woolf, ele interpretou Nick, que formou o jovem casal convidado para beber e testemunhar a amargura e a frustração de um casal de meia-idade. O diretor Mike Nichols precisava de alguém que conseguisse a aprovação da estrela Elizabeth Taylor, e recorreu a Segal quando Robert Redford o recusou.

Segundo o biógrafo de Nichols, Mark Harris, o diretor disse que Segal era “próximo o suficiente do jovem deus que agradaria Elizabeth, e ser suficientemente espirituoso e engraçado para lidar com toda aquela humilhação”. Segal morreu 10 anos depois de Elizabeth Taylor.

Ele saboreou um longo período de estrelato. Então, no final da década de 1970, Tubarão e outros filmes de ação mudaram a natureza dos filmes de Hollywood, e as comédias leves em que Segal se destacava tornaram-se ultrapassadas. “Depois, fiquei um pouco mais velho”, disse, em uma entrevista feita em 1998. “Comecei a desempenhar papéis de pai urbano. E aquele cara meio que se transformou em Chevy Chase e, depois disso, não havia realmente nenhum lugar para ir.”

Com exceção do sucesso de 1989, Olhe Quem Está Falando, os filmes de Segal nas décadas de 1980 e 1990 não trouxeram grande brilho. Ele se voltou para a televisão e estrelou duas séries fracassadas, Take Five e Murphy’s Law.

Em seguida, obteve sucesso em 1997 com a sitcom de David Spade Just Shoot Me!, na qual interpretou Gallo que, apesar de sua maneira rude, contrata a filha (Laura San Giacomo) e mantém o inútil office-boy vivido por Spade em sua folha de pagamento.

Ao longo de sua longa carreira de ator, Segal tocou banjo para se divertir, revelando um grande talento com o instrumento que aprendeu quando era menino. Ele até se apresentou com sua própria banda, a Beverly Hills Unlisted Jazz 

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