AFP PHOTO / ROBYN BECK
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Ator e produtor Bradley Cooper se diz surpreso com repercussão de 'Sniper Americano'

Estado americano do Texas declarou o dia 2 de fevereiro como 'Chris Kyle Day', em homenagem ao atirador retratado no filme

O Estado de S. Paulo, com agências

03 de fevereiro de 2015 | 10h26

 BEVERLY HILLS (EUA) - Bradley Cooper, que recebeu a indicação ao Oscar de Melhor Ator pela sua performance como o atirador mortal no Sniper Americano de Clint Eastwood, disse na segunda-feira, 2, que ele não previu como o filme poderia levantar discussões políticas.

"Você nunca sabe, quando faz um filme, se alguém vai ver, então ter a audácia de pensar que isso causaria qualquer efeito seria bem presunçoso", disse Cooper, no almoço promovido pela Academia de Cinema.

Sniper Americano, que atualmente está no topo da bilheteria dos EUA, com mais de US$ 250 milhões arrecadados, conta a história real do veterano do exército Chris Kyle, cujas 160 mortes no Iraque são consideradas a maior marca na história dos EUA. O filme foi indicado a seis Oscars, entre eles o de Melhor Filme, e se tornou um ponto de debate entre liberais e conservadores, especialmente sobre o seu retrato da guerra, dos soldados, e a interpretação de Eastwood sobre a invasão do Iraque em 2003.

O Comitê Árabe-americano Contra a Discriminação divulgou um comunicado alegando que seus membros foram vítimas de "ameaças violentas" causadas pela linguagem do filme em relação a muçulmanos, e pediu que o diretor condene o discurso de ódio.

O filme foi retirado, nesta segunda-feira, 2, do único cinema de Bagdá, "por ser ofensivo ao Iraque", de acordo com reportagem publicada no jornal americano The Washington Post.

O diretor Clint Eastwood, por sua vez, diz que Sniper Americano não tem nada a ver com partidos políticos.

Cooper, que também é produtor do filme, disse que quer que as atenções sejam voltadas aos soldados. "Qualquer discussão que jogue luz sobre o compromisso dos soldados e dos homens e mulheres nas forças armadas é fantástica", disse.

Polêmica. Quem também se pronunciou sobre o filme foi o cineasta Michael Moore, conhecido pelos documentários Tiros em Columbine (2002) e Fahrenheit 9/11 (2004).

"Meu tio foi assassinado por um franco-atirador na Segunda Guerra Mundial. Nos ensinaram que os franco-atiradores eram covardes, que vão te atirar pelas costas, não são heróis. E os invasores são piores", escreveu Moore no Twitter. Horas depois, na ocasião, Moore disse que não se referia à obra de Eastwood, e sim à comemoração do Dia de Martin Luther King (terceira segunda-feira de janeiro), que foi assassinado por um franco-atirador.

Em seu perfil de Facebook, o cineasta criticou que Eastwood confunda "o Vietnã com o Iraque ao contar a história" e que faça com que os personagens "chamem os iraquianos de selvagens ao longo do filme".

Chris Kyle Day. Kyle foi morto por um outro veterano de guerra, num tiroteio no Texas em 2013, antes de o filme começar a ser rodado. O estado americano declarou o dia 2 de fevereiro como o Chris Kyle Day, nesta segunda-feira, 2, dois anos após o incidente.

"Hoje, nós relembramos seu falecimento, e honramos os serviços dele e dos seus companheiros do exército que defenderam a nossa nação", disse o governador do Texas, Greg Abbott, do partido republicano.

Muitas das críticas ao filme afirmam que Sniper Americano glorifica a guerra e limpa a imagem de Kyle, que chama os muçulmanos de "selvagens" no seu livro de memórias.

A seleção do júri que vai julgar o assassinato de Kyle está marcada para começar nesta quinta-feira, 5, de acordo com o Los Angeles Times. / REUTERS

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