Cena de 'Mandela: Long Walk to Freedom'
Cena de 'Mandela: Long Walk to Freedom'

Ator do 'Mandela' oficial diz que não conhecia seu país

O britânico Idris Elba revela que a África do Sul era um enigma para ele; veja trailer

Pedro Caiado - Especial para o Estado / Londres, O Estado de S. Paulo

08 de dezembro de 2013 | 20h23

O ator britânico Idris Elba, 41, conhecido por séries de TV como Luther e The Wire (da HBO) encarna o papel de sua vida no novo filme sobre Nelson Mandela, o único oficial, com aval do próprio e sua família. Com lançamento limitado na América apenas seis dias antes da morte do ex-líder, o filme tem provocado críticas positivas de jornalistas e da própria família, transformando o filme que seria um tributo a uma lenda vida a louvor final à vida do homem que lutou contra o apartheid.

O ator foi até a África do Sul, onde conheceu e atuou com pessoas que viveram a luta de perto. “Eu vou ser honesto e dizer que não conhecia muito a história dele e da África do Sul”, admite. “Acho que, inconscientemente, eu bloqueei a história daquele país por aquilo que aconteceu lá”, analisa o ator, nascido no humilde bairro londrino de Hackney. “A história de Mandela me foi transmitida por meu pai. O dia que Mandela foi libertado da prisão foi muito importante para meu pai; foi aí que eu entendi a importância dele para a África do Sul”, disse o ator, revelando que seu pai, morto recentemente, viu e gostou do filme. “Eu moldei o Mandela mais velho no meu pai, na realidade”, disse.

O filme é baseado no livro escrito por Mandela, Long Walk to Freedom, em 1994, que conta sua história desde jovem, passando por sua educação e os 27 anos que viveu na prisão antes de se tornar presidente. “Interpreto o Mandela por 52 anos de sua vida, e por isso há uma mudança considerável no físico e na voz. Nós tivemos que desenhar essa mudança; passei muito tempo imitando a sua voz e estudei a maneira que os sul africanos falam inglês. Se compararmos com a Johannesburgo de hoje, é uma cidade muito diferente do que era nos anos 60. O sotaque deles também é diferente hoje em dia”, observa o ator.

Ao assistir o filme, é notável a diferença física entre Elba e Mandela, mas ele defendeu que esse, na realidade, foi um elemento que o ajudou a interpretá-lo com mais certeza. “Acho que seria mais difícil se eu me parecesse com o Mandela, pois poderia virar uma caricatura”, nota. “Eu não precisaria fazer muito. Se você não se parece com o personagem, você precisa iludir os espectadores e se dedicar na atuação”, argumenta, insistindo que o filme é não é um documentário. “O que você assiste é uma interpretação; eu e o diretor (Justin Chadwick) chegamos à conclusão de que aquela é a maneira que o Mandela se sentia e se portava quando era jovem”, disse. “Foi um trabalho muito difícil, mas, se o público aceitar e comprar a ideia, ele verá Nelson Mandela”, afirmou. “Estava ciente de que eu também não parecia com ele. Quando eu fazia um discurso na frente de 600 figurantes, tenho certeza de que eles olhavam para mim e se perguntavam: ‘Você não se parece com o Mandela’. Mas, depois de um tempo, eles aceitaram a ideia, pois eles tampouco conheceram o Mandela pessoalmente”. O ator diz que foi um trabalho duro: “Não foi divertido. Quando eu estava vivendo o velho Mandela, percebi que as pessoas aceitavam mais; o problema era quando eu o interpretava jovem”, explicou.

A entrevista com Idris Elba foi realizada antes da morte do ex-líder, mas, perguntado sobre a importância do ícone sul africano para a nova geração, Elba responde: “Você poderia fazer um filme desde o dia em que ele saiu da prisão, e já seria um filme importante, por sua história. Esse filme é relevante agora, não porque ele está velho e frágil, mas porque aquela história é inspiradora e vai além da vida de um líder – é uma lição sobre perdão e paciência”, disse o ator, que optou por não encontrar o ex-líder: “Eu tive a chance, mas ele estava muito frágil e eu decidi que seria melhor não encontrá-lo; dar um espaço a ele”, explicou.

O filme, produção independente de baixo orçamento, foi feito sem seguir a ordem cronológica dos acontecimentos, o que pressionou ainda mais Idris Elba. “Filmamos fora de seqüência: um dia eu estava caracterizado como o velho Mandela e no dia seguinte realizava uma cena como o jovem. Tínhamos que aproveitar as locações”, confessou. “É por isso eu tive que ser um expert em Mandela, para poder trocar com essa facilidade”, disse. O filme é um sucesso de bilheteria na África do Sul, onde arrecadou U$ 427 mil na semana de lançamento. Também foi exibido para os principais líderes mundiais, incluindo Barack Obama.

OUTROS MANDELAS

Danny Glover

Em ‘Mandela’, de 1987

Sidney Poitier

Em ‘Mandela and De Klerk’, de 1997

Dennis Haysbert

Em ‘Goodbye Bafana’, de 2007

Morgan Freeman

Em ‘Invictus’, de 2009

Terrance Howard

No recente ‘Winnie Mandela’

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