Ator Dennis Hopper morre aos 74 anos

Hooper tinha câncer de próstata

Reuters,

29 de maio de 2010 | 14h32

Hopper morreu por complicações de um câncer na próstata. Foto: Francois Mori/AP - 24/05/2008

 

 

O ator Dennis Hopper, mais conhecido por dirigir e estrelar o clássico cult "Sem Destino" em 1969, morreu neste sábado, 29 em sua casa em Venice, Califórnia, por complicações de um câncer na próstata, disse um amigo do ator à Reuters. Ele estava com 74 anos.

 

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Dennis Hopper morreu às 12h15 (horário de Brasília), cercado por familiares e amigos. O ator anunciou no final de 2009 que travava uma batalha contra a doença. Desde então, fazia um tratamento especial para combater o câncer na Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles. 

 

O ator também passava por um conturbado processo de divórcio de sua quinta esposa, Victoria Duffy, com quem teve uma filha, em março de 2003. De acordo com a revista US Magazine, a separação após 14 anos de união teria sido motivada pelo testamento do ator. Victoria Duffy não concordava com a parte da herança a ela destinada. Em abril, uma decisão judicial obrigou o ator a pagar uma pensão de U$ 12 mil mensais para a ex-mulher e a filha.

   

Pouco antes do anúncio da doença, Hopper gravou seu último trabalho, uma participação na segunda temporada da série "Crash", baseada no filme que venceu o Oscar em 2005.

 

Sua última aparição pública foi em 26 de março de 2010. Já visivelmente abatido pela doença, Hopper recebeu uma estrela na lendária Calçada da Fama de Hollywood, em reconhecimento a sua carreira de mais de cinquenta anos, com atuações notáveis ao lado de James Dean em "Rebelde sem Causa"(1955), "Apocalypse Now" (1979) e "Veludo Azul" (1986).

 

Biografia

 

Talentoso e considerado rebelde, Hopper começou sua carreira nos anos 1950 e atuou em dois filmes do astro James Dean. Sua carreira foi sempre marcada pela reputação de ter ataques nervosos e pelo consumo de álcool e drogas. Durante as filmagens de "True Grit", ele teria irritado tanto John Wayne que este o teria perseguido com uma arma carregada.

 

Hopper tornou-se famoso com "Easy Rider" (Sem Destino), de 1969, do qual foi coautor do roteiro, diretor e ator; o filme foi indicado ao Oscar de melhor roteiro original. Seu filme seguinte, "Last Movie", sobre uma comunidade indígena peruana que é corrompida pela presença de uma equipe de filmagem, foi um grande fracasso. Outros papéis de destaque como ator foram em "Apocalipse Now", "Veludo Azul" e "Hoosiers".

 

O ator casou-se cinco vezes; em janeiro deste ano, ele pediu divórcio de sua última mulher, Victoria, 32 anos mais jovem do que ele e com quem estava casado há 14 anos. A casa onde vivia em Venice Beach foi desenhada pelo aclamado arquiteto Frank Gehry.

 

Dennis Lee Hopper nasceu em 1936 em Dodge City (Kansas) e passou boa parte da infância na fazenda de seus avós. Apaixonou-se pelo cinema ao ver um filme pela primeira vez, ao cinco anos de idade. Depois de mudar-se com a família para San Diego (Califórnia), atuou em peças de Shakespeare no Old Globe Theater. Mais tarde, mudou-se para Nova York, onde estudou arte dramática no Actors Studio de Lee Strasberg.

 

Contratado pelo estúdio Columbia Pictures, Hopper foi despedido por insultar seu patrão, Harry Cohn. Em seguida, ainda adolescente, foi contratado pela Warner Brothers, onde atuou em dois filmes estrelados por James Dean, "Rebelde Sem Causa" e "Giant".

 

Seu primeiro casamento, que durou oito anos, foi com Brooke Hayward, filha da atriz Margaret Sullivan e do agente de atores Leland Hayward e autora do best-seller "Haywire". O casal teve uma filha, Marin, antes do divórcio, causado por episódios de violência provocada por drogas. Sua segunda mulher foi a atriz e cantora Michelle Phillips, do grupo The Mamas Ant the Papas; o casamento durou apenas oito dias.

 

A terceira mulher foi Daria Halprin, a atriz de "Zabriskie Point", de Michelangelo Antonioni; eles tiveram uma filha, Ruthana. O quarto casamento foi com a dançarina Katherine LaNasa, do qual nasceu o filho Henry. Com a quinta mulher, Victoria Duffy, Hopper teve mais uma filha, Galen Grier.

 

Seu maior sucesso foi "Sem Destino", filme sobre uma dupla de motoqueiros drogados (o próprio Hopper e Peter Fonda) que faz uma viagem pelo Sudeste e pelo Sul dos EUA (em parte da qual eles são acompanhados por um advogado alcoólatra interpretado por Jack Nicholson). "Para mim, 'Sem Destino' nunca foi um filme de motocicleta. Muito dele era sobre o que estava acontecendo na política do país", disse Hopper em uma entrevista em 2009.

 

O filme fez sucesso no festival de Cannes, obteve indicação para o Oscar de melhor roteiro original e rendeu US$ 40 milhões; ele também influenciou os estúdios de Hollywood a bancarem filmes de baixo orçamento, inovações de estilo e temas sociais. Em 1998, o American Film Institute incluiu "Sem Destino" na lista dos 100 melhores filmes de todos os tempos.

 

Logo depois do sucesso de "Sem Destino", a Universal Pictures investiu US$ 850 mil no projeto seguinte de Hopper, "The Last Movie". As filmagens foram prejudicadas pela presença constante da polícia peruana, devido às orgias regadas a álcool e drogas que aconteciam no set de filmagem. O filme foi um fracasso e Hollywood praticamente baniu o ator e diretor durante cerca de dez anos.

 

"Para mim, o trabalho é diversão. Todos aqueles anos como ator e diretor, e não conseguir um emprego... Duas semanas são tempo demais para ficar sem saber qual será meu próximo trabalho", disse Hopper a um repórter em 1991.

 

Durante a maior parte da década de 1970, Hopper trabalhou na Europa, fazendo papéis em vários filmes de baixo orçamento. Sua volta a Hollywood aconteceu em 1979, quando ele fez o papel de um jornalista drogado em "Apocalypse Now", de Francis Ford Coppola. Em seguida, atuou em filmes como "Rumblefish", "The Osterman Weekend", "My Science Project" e "The Texas Chainsaw Massacre 2".

 

Apesar da volta, Hopper continuou a ter seu trabalho atrapalhado por drogas e álcool. Chegou a ser internado em um hospital psiquiátrico de Los Angeles e passou a frequentar os Alcoólicos Anônimos.

 

Em 1986, foi indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante por seu papel de um ex-jogador de basquete alcoólatra em "Hoosiers"; no mesmo ano, atuou em "Veludo Azul", fazendo um personagem que anos depois seria listado em 36º lugar ranking dos 50 maiores vilões da história do cinema, preparado pelo American Film Institute.

 

No fim dos anos 1980, Hopper voltou a dirigir, com "Colors", "The Hot Spot" e "Chasers", atuando também em vários filmes, como "Speed" (Velocidade Máxima), de 1994. Após a virada do século, também atuou em séries de televisão, como "Crash", e em filmes como "Elegy" e "Hell Ride".

 

Assim como sua carreira profissional, as posições políticas de Hopper também eram erráticas e imprevisíveis. Durante muitos anos, deu contribuições para o Partido Republicano; em 2008, porém, votou no democrata Barack Obama.

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