Ator de Wim Wenders encarna escritor

Rudiger Vogler não é nenhumastro de Hollywood, mas se você é cinéfilo sabe quem é. Seu nomeé indesligável do de Wim Wenders. Fez os primeiros (e melhores)filmes do diretor alemão. Sabe que Wenders caiu em desgraçajunto aos mesmos críticos que antes o incensavam. Acha Paris,Texas uma obra-prima, gosta de O Fim da Violência econsidera Alice nas Cidades o melhor filme que fizeramjuntos. Defende o direito do amigo de errar. "É um artista, temde ter liberdade para criar e, se erra, é porque ousa." Mesmonos piores filmes de Wenders reconhece que há sempre "uma cena,um detalhe" que confirmam o grande diretor.Nunca tinha ouvido falar de Sylvio Back. Então, o que otrouxe ao Brasil para fazer Lost Zweig? "O próprio Zweig",responde. Sempre teve o maior respeito pelo escritor austríaco.Admira o artista, que os críticos comparam a James Joyce e aJorge Luis Borges, e se impressiona com o homem. Afinal, sob oimpacto da barbárie do nazismo, ele radicalizou uma tendência àautodestruição prenunciada na década de 30. Não acha que filmaraqui seja diferente: "Há sempre uma câmera, um diretor atrásdela e eu na frente."Há anos mora em Paris. A escolha tem a ver com suavocação de cinéfilo. "Paris é o melhor lugar do mundo para seassistir a filmes clássicos." Ama o cinema americano dos anos40. Acha lindo o filme que Max Ophuls adaptou de Stefan Zweig(A Carta de uma Desconhecida). E põe o japonês Yasujiro Ozuno altar de sua preferência. "Sabe que Chisu Ryu é o único atordo qual eu tenho o autógrafo? Não resisti e pedi que eleassinasse para mim." Ryu era o ator preferido de Ozu. Voglerconheceu-o quando foi fazer Até o Fim do Mundo, com Wenders,no Japão.Ruth Rieser, que faz Lotte, também não conhecia SylvioBack. Quando foi retirar o visto, em Viena, o funcionário daembaixada brasileira não poupou elogios ao diretor, que definiucomo "pensador, homem de grande cultura." Segunda à noite foio terceiro dia de rodagem de Ruth, mas ela já está inclinada aconcordar.

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