Ator australiano Sullivan Stapleton comenta seu papel em '300'

Ele é o general ateniense Temístocles, um novo líder que surge

Flavia Guerra, Los Angeles - O Estado de S. Paulo

07 de março de 2014 | 03h00

Se 300 tinha na figura de Gerard Butler a potência militarista do rei Leônidas liderando o exército espartano contra os persas, 300: A Ascensão de um Império, traz o australiano Sullivan Stapleton no papel de um líder muito mais racional, sempre preocupado em defender a democracia em seus grandes discursos.

Para viver o circunspecto Temístocles, o diretor Noam Murro escalou um ator que na tela é a tradução deste líder. O general ateniense tem preparo físico suficiente para enfrentar a armada naval liderada pela bela Artemísia (Eva Green) e pelo rei Xerxes (Rodrigo Santoro) e frieza suficiente para cair nos braços da guerreira inimiga, mas não se render totalmente às suas táticas de sedução.

Já fora da tela ele é o oposto desta figura. Tímido e brincalhão ao mesmo tempo, Stapleton é do tipo de ator que "confessa" que não leu o clássico de Heródoto para se preparar para o papel (ao contrário do brasileiro Rodrigo Santoro, que estudou muito a obra), que nunca frequentou aulas de atuação, cora ao falar da cena de sexo (que faz o filme valer a pena) com Eva e diz: "Cenas de sexo são sempre coreografadas. É mais divertido ver que fazer. Esta foi divertida porque era como uma batalha. Eu e Eva nos damos melhor como inimigos do que muitos casais".

Por estas e por outras Sullivan era chamado de ‘tosco-fofo’ pelas jornalistas que o entrevistavam e ganhava a simpatia dos homens com quem conversava. Famoso por produções como Animal Kingdom e a série Strike Back, o ator acaba de rodar, na Austrália, um longa com Alice Braga, Kill Me Three Times, um thriller dirigido por Kriv Stenders (de Boxing Day). "Alice é ótima atriz. Nos divertimos muito no set. É ótima colega e amiga. Sinto falta dela", disse ao Estado em Los Angeles.

O que é diferente neste 300?

Diria que não é a continuação do primeiro, mas corre em paralelo. Continuamos lutando contra os persas, mas agora Temístocles está no comado e as grandes batalhas acontecerem em barcos. Nós (atenienses) não somos tão preparados para a guerra quanto os espartanos (que viviam para isso). E isso demandou muito fisicamente. Tive de perder bastante peso, o que é difícil para mim, pois adoro comer.

Você é tímido ao falar em público, ao contrário do seu personagem, que faz discursos para motivar a tropa. Foi difícil esta tarefa?

Muito. Atuar para mim é uma diversão. Sempre foi, desde que comecei a fazer curtas ainda adolescente. Mas falar, como eu mesmo, para muita gente, é um sofrimento. A primeira vez que li o roteiro, me assustei com o tanto de monólogos que Temístocles faz. Como eles tinham motivação, consegui superar o medo e fazer belos discursos, não acha?

A propósito, você não leu o clássico de Heródoto para se preparar para 300, E nunca fez cursos de atuação? O que o ajuda a se preparar para um papel?

Nunca fui para a escola de atuação porque comecei cedo, e um trabalho trouxe outro... Uso muito minha intuição. E penso em como o personagem reagiria no contexto de cada história. É preciso ser bom observador, ter boa imaginação. Pense que muitas das cenas de 300 foram feitas contra um fundo verde. Para mim, foi como se estivesse no palco, imaginando as cenas. Foi um grande desafio este filme, mas divertido aprender a me adaptar.

Para este filme, especificamente, o preparo também foi físico.

Sim. E foi pesado. Tive de perder peso, me exercitar muito. Mais de um mês antes eu já treinava três horas por dia. Tive de me preparar para as cenas de luta e ainda ter as ‘seis gavetinhas’ no abdômen sarado.

Você não leu Heródoto e se baseou no roteiro de 300 para compor Temístocles. É fato que adora ler, mais do que estudar?

Sim. Confiei que no roteiro estaria o material necessário para criar meu Temístocles. E nunca fui muito de ler os livros impostos pela escola, mas sim os que escolhia. Mas gosto de ficção, li todos os da série Senhor dos Anéis quando jovem, e gosto de biografias. Cada um pode moldar sua própria formação. Diversidade faz bem. É bom ter vários tipos de profissionais num set. Sou australiano e acho ótimo que Hollywood se abra para atores estrangeiros, como eu, Rodrigo, Alice e tantos outros.

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