'Atividade Paranormal' lidera bilheterias na América do Norte

Paramount comprou o filme no ano passado no Festival de Slamdance; ele custou apenas US$ 11 mil

Reuters e Bruno Galo, de O Estado de S. Paulo,

26 de outubro de 2009 | 09h18

O suspense de baixo orçamento Atividade Paranormal superou a estreia do sexto filme da franquia Jogos Mortais e liderou as bilheterias da América do Norte com uma arrecadação de 22 milhões de dólares, antes da semana de Halloween. Jogos Mortais 6 arrecadou 14,8 milhões de dólares.

Paranormal foi lançado em grande circuito pela Paramount após bom desempenho nas sessões noturnas nos últimos finais de semana em um punhado de mercados determinados por votação online.

Tomando como precedente o filme A Bruxa de Blair, de 1999, a unidade da Viacom está deixando o fãs fazerem o marketing do filme através de sites de relacionamento como o Twitter. Seus próprios custos de marketing foram mínimos.

A Paramount comprou o filme de 15.000 dólares no ano passado no Festival de Cinema de Slamdance, um rival independente do concorrente Festival de Sundance, em Utah.

O líder das bilheterias na semana passada, Onde Vivem os Monstros, uma adaptação do aclamado livro infantil de Maurice Sendak, caiu para a terceira posição, com 14,4 milhões de dólares.

 

Horror à la carte

 

A modestíssima produção de horror, em que os próprios atores operam a câmera, assim como em Bruxa de Blair, foi filmada durante uma semana, em 2007, e custou apenas US$ 11 mil. O filme, dirigido pelo estreante Oren Peli, mostra um jovem casal que vivencia as tais atividades paranormais do titulo durante a noite em sua casa. Após despontar em festivais independentes nos Estados Unidos, a produção ficou quase dois anos aguardando seu lançamento. No início de setembro, enfim, a Paramount, que havia herdado a distribuição do filme meses atrás, confirmou sua estreia para o dia 25 de setembro.

 

Ao mesmo tempo, implementou uma inédita campanha online. Quem determinaria as cidades em que o filme seria exibido? O próprio público. A partir do site oficial do filme, os fãs deveriam se mobilizar e pedir a exibição. A ferramenta escolhida para organizar essa história toda foi o Eventful, site norte-americano que costuma ser usado para as pessoas pedirem o show de uma determinada banda ou artista na sua cidade.

 

Rapidamente o burburinho online em torno da produção começou a crescer. E um trailer mostrando a reação assustada do público durante uma sessão do filme foi se espalhando. Diga-se de passagem, o filminho foi idealizado pela mesma equipe envolvida no lançamento de A Bruxa de Blair. Atento, o estúdio prometeu que se o longa tivesse mais de 1 milhão de pedidos, ele seria lançado em todo o país. "Pela primeira vez, o público se sentiu parte de um evento desse porte", declarou Jordan Grazier, da Eventful.

 

Em 10 de outubro, a marca foi alcançada e o lançamento nacional do filme aconteceu na sexta-feira, 16. No fim de semana anterior, em apenas 160 salas, o filme bateu o recorde de arrecadação para longas exibidos em tão poucas salas, com quase US$ 8 milhões de receita. Assim, a produção se tornou a primeira de um grande estúdio a ter o seu lançamento decidido pelo público. E o que isso tem de tão importante?

 

A estratégia adotada pela Paramount, em sintonia com o público 2.0, pode ser uma ótima forma de filmes calcularem a sua real demanda. Resta saber, entretanto, se os estúdios vão querer fazer uso dela. Muitas vezes, as distribuidoras - com alguma razão - escondem suas superproduções da crítica especializada temendo uma reação negativa, que poderia afastar o público. Um mau resultado no primeiro final de semana de um filme nos EUA, pode minar toda a sua carreira posterior e gerar grandes prejuízos.

 

Mas, porque blefar com um filme de orçamento tão pequeno, como Atividade Paranormal? Não havendo riscos de prejuízo ou, até mesmo, de duras críticas, pelo contrário, o filme tem sido bem avaliado (o site Rotten Tomatoes lhe dá 86% de criticas positivas), a Paramount resolveu jogar a isca para o público norte-americano, que a mordeu quase instantaneamente. Se A Bruxa de Blair tornou as campanhas online padrão e uma das maiores aliadas de Hollywood para vender um filme, Atividade Paranormal desenvolveu agora uma alternativa, que deve ser testada daqui para a frente, mas apenas por filmes independentes ou de baixo orçamento.

 

Por aqui, o filme já tem sua data de estreia confirmada: 4 de dezembro. Mas a Playarte, distribuidora local do filme, promete tentar repetir a bem-sucedida experiência norte-americana. As pré-estreias de Atividade Paranormal serão definidas a partir do interesse do público, que deve se cadastrar no site oficial montado pela companhia brasileira. As sessões começam em uma providencial sexta-feira 13, em novembro.

 

Cinema ao gosto do espectador não é novidade para o público brasileiro os cinemas lutam atualmente para oferecer ao público a certeza de uma experiência única, impossível de ser reproduzida em outro lugar - em casa, no computador, no celular. Para isso, têm investido, entre outras coisas, em recursos tecnológicos. O 3D é o mais visível deles.

 

Uma iniciativa brasileira, no entanto, chamada de "revolucionária", pela revista norte-americana Variety, aposta que o cinema não perdeu seu encanto. As pessoas querem apenas, como no caso de Atividade Paranormal, dizer qual o filme que querem ver. O site MovieMobz existe desde o ano passado e já programou cerca de 150 sessões demandadas pelo público, em todo o País.

 

Em abril, deste ano eles programaram o que defendem ser o primeiro lançamento de um produção - que no caso, não era de um grande estúdio - a ser decidido pelo público.

 

Flight 666, documentário sobre o Iron Maiden, foi exibido em 64 salas de todo o Brasil, em abril. A ação da MovieMobz abrangeu países da América Latina e teve resultados melhores que os obtidos nos EUA e na Europa. "Acredito que o cinema caminha para ser sob demanda, assim como tudo hoje em dia é", afirma Fábio Lima, diretor da MovieMobz.

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