Philip Cheung/The New York Times
Philip Cheung/The New York Times

Astro de ‘Aladdin’, Mena Massoud diz que filme é respeitoso

Ao contrário de versões anteriores, inclusive a animada, produção da Disney parece empenhada em reverenciar a cultura dos árabes

Sara Aridi, The New York Times

03 de junho de 2019 | 03h00

Quando Mena Massoud, estrela do novo remake de ação Aladdin, recebeu uma chamada sendo convidado para interpretar o papel principal, ele decidiu não rever o desenho animado original de 1992 e preferiu se inspirar no tema implícito do filme, “uma jornada em busca da identidade pessoal”.

O desenho animado trazia uma mensagem universal, bem intencionada, para a pessoa ser verdadeira com ela mesma. Mas também foi criticado por promover um estereótipo de árabe “bárbaro”. E embora tivesse como cenário uma cidade portuária fictícia na Arábia, seus personagens eram interpretados por um elenco composto na maioria por brancos.

Nascido no Cairo e criado em Toronto, Massoud, 27 anos, tem uma visão mais otimista do filme mais antigo. “Meus pais conheciam a história de Aladim bem antes do filme de animação: é um conto muito popular no Egito”, disse ele, acrescentando que o filme é “uma descrição muito positiva de onde nós viemos”.

Mas a Disney teve de atualizar a nova produção para públicos mais atentos. Depois de um anúncio convocando atores para testes, a companhia formou um elenco diversificado que inclui a atriz britânica Naomi Scott, que interpreta a princesa Jasmine, e descende de indianos, e atores com raízes iranianas e tunisianas. Massoud, que tinha um papel recorrente em Jack Ryan, venceu os mais de dois mil candidatos ao papel.

O filme tem recebido críticas ambivalentes, mas em sua resenha no New York Times, A.O. Scott disse que o elenco é “admirável”.

Em entrevista por telefone, Massoud explicou porque considera contraproducente criticar a história e o processo de seleção e falou sobre Will Smith, que interpreta o gênio azul. Abaixo, trechos da entrevista.

Você era fã de um Aladin animado adulto?

Sim, ele é um dos únicos personagens com que eu conseguiria me identificar num nível cultural. Tenho duas irmãs mais velhas e elas já conheciam Aladim antes mesmo de eu saber andar, de modo que cresci com a história na minha infância.

Você chegou a ter ideia de reações negativas às canções das Noites Árabes e à descrição dos personagens?

Não. Em minha família, nós comemoramos o filme porque é um dos poucos que faz uma representação de nós. De qualquer modo é muito pretensioso começar a discutir minúcias quando não se vê muita caracterização por aí. Você tem de começar de algum ponto.

Formar um elenco para um remake de ação leva mais tempo do que o esperado porque é difícil encontrar um ator para o papel principal. Você acompanhou esse processo à medida que se desenrolou?

Quando vi online a chamada para os testes, fique muito empolgado. Preparei um tape de amostra, mas não tinha muita esperança porque quando eles recebem dezenas de milhares de tapes do mundo todo, a chance de o seu ser visto é muito pequena. E como não recebi nenhuma resposta, eu achei que haviam escolhido algum astro já conhecido de Hollywood. Quatro meses depois meu agente me ligou e fiquei chocado ao saber que ainda estavam procurando alguém. Gravei outro tape e fui a Londres duas vezes para fazer o teste para o papel.

Quando a Disney anunciou que Naomi Scott interpretaria a Princesa Jasmine, alguns fãs reagiram com irritação no Twitter e disseram que o papel deveria ser dado a alguém com ascendência árabe.

É engraçado o que acontece online. Para o público médio-oriental, Aladdin é uma história do Oriente Médio e os indianos querem que seja uma história indiana. Na verdade trata-se de um conto popular dos anos 1800, e Agrabah é um lugar fictício que é um coroamento da Índia, Ásia e Oriente Médio. Na verdade na história original, Aladim era descendente de chineses. Portanto o que quisemos foi representar o máximo possível as muitas culturas diferentes dessa parte do mundo./TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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