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A solução da saga ‘Star Wars’ passa pela heroína que desvenda o enigma da própria identidade Lucasfilm

'Ascensão Skywalker' arrecada US$ 40 milhões em noite de estreia nos EUA e Canadá

Nos mercados internacionais, 'Ascenção Skywalker' arrecadou 59,1 milhões de dólares adicionais

Redação, Reuters

21 de dezembro de 2019 | 14h46

O aguardado filme Star Wars: Ascensão Skywalker arrecadou US$ 40 milhões em vendas de ingressos nos Estados Unidos e no Canadá na noite de estreia, na quinta-feira, 19, segundo estimativas da distribuidora Walt Disney.

O total arrecadado pelo nono episódio da saga de um guerreiro jedi em uma galáxia muito, muito distante ficou em quinto lugar entre as maiores noites de estreia em todos os tempos nos mercados de EUA e Canadá, segundo a Disney.

Nos mercados internacionais, Ascenção Skywalker arrecadou US$ 59,1 milhões adicionais, informou a empresa.

A estreia do filme nos Estados Unidos e no Canadá ficou abaixo dos dois últimos filmes da saga Star Wars. O Despertar da Força, lançado em 2015, arrecadou US$ 57 milhões em sua primeira noite nos cinemas, e a edição de 2017 Os Últimos Jedi levantou US$ 45 milhões.

O filme dirigido por J.J. Abrams é apresentado como o episódio final de uma saga de 42 anos iniciada por George Lucas em 1977. O novo episódio é estrelado por Daisy Ridley, John Boyega e Oscar Isaac como um trio que luta contra a maligna Primeira Ordem.

Embora Ascenção Skywalker tenha dividido os críticos, a Disney disse que os fãs o aprovaram. Pesquisa do site Rotten Tomatoes mostrou que 86% dos compradores de ingresso deram ao filme uma pontuação positiva, segundo a Disney.

Até domingo, o filme deve figurar entre as maiores estreias de todos os tempos em termos de bilheteria. O Despertar da Força obteve US$ 248 milhões em vendas de ingressos no primeiro fim de semana, enquanto Os Últimos Jedi arrecadou 220 milhões de dólares.

O recorde de arrecadação na noite de estreia pertence a Vingadores: Ultimato, também da Disney, que foi lançado em abril. O longa arrecadou US$ 60 milhões na primeira noite e totalizou US$ 357 milhões no primeiro fim de semana — também um recorde.

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'Star Wars': veja quanto faturou cada filme da franquia

Episódio VII - O Despertar da Força foi o maior blockbuster da saga 'Star Wars'; veja a lista

Redação, AFP

18 de dezembro de 2019 | 10h20

Mais de 42 anos após o lançamento do primeiro filme da saga Star Wars, criada por George Lucas, a franquia permanece como uma verdadeira mina de ouro.

Após o primeiro filme, que mais tarde recebeu um novo título, Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança, foram produzidos 10 prequels, sequências e spinoffs, incluindo A Ascensão Skywalker, que esteia esta semana.

A seguir a lista com a bilheteria de cada filme do universo Star Wars, a partir da maior arrecadação mundial (valores não corrigidos pela inflação).

Fonte: BoxOfficeMojo.com

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Crítica de Star Wars: Rey e a sua busca por um sobrenome

A solução da saga ‘Star Wars’ passa, no ‘Episódio IX’, que estreia nesta quinta, pela heroína que desvenda o enigma da própria identidade

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2019 | 07h00

 

Na entrevista que deu ao Estado, durante a CCXP, J.J. Abrams falou sobre a responsabilidade de encerrar uma saga como a de Star Wars. Ele sabia da expectativa dos fãs, mas prometeu que, como toda a sua obra, Episódio IX - A Ascensão Skywalker se pautaria por uma busca de equilíbrio entre intimismo e escala, por essa se entendendo a grandiosidade inerente a uma série iniciada há mais de 40 anos e que atravessa três trilogias.

Ele conseguiu. Muita gente, em nome de um criticismo elementar, tentará encontrar e até destacar as fendas da estrutura dramática. Já adiantando o spoiler, tudo, em A Ascensão Skywalker, gira em torno da díade Rey/Ben, que, ao ceder ao lado sombrio da Força, virou Kylo Ren. No episódio final, o imperador Paladino está de volta e ameaça trucidar a resistência. Interessante rememorar.

 

 

A primeira trilogia, iniciada lá atrás por George Lucas, contava a gênese do herói - Luke Skywalker. Cronologicamente, virou a segunda, porque a primeira, embora feita depois, é sobre a gênese do vilão, Annakin Skywalker, e de como ele vira Darth Vader. A terceira trilogia é sobre a construção de um sobrenome - a tal ascensão Skywalker.

Desde Episódio VII, quando JJ Abrams foi chamado a reformatar a série, depois que George Lucas vendeu os direitos da saga para a Disney, havia surgido uma nova heroína, Rey. Ela não tinha sobrenome, mas ninguém duvidava que seria a depositária da Força. O nono episódio ilumina tudo. Nós, o público, finalmente entendemos a duplicidade de Rey, as suas vacilações quanto ao lado escuro. Kylo Ren e ela são como as duas faces da mesma moeda, ambos destroçados interiormente. Não são 100% heróis nem 100% vilões. Possuem zonas sombrias. Como nos westerns de Budd Boetticher, o mocinho e o bandido são complementares.

Alguém tem dúvida de que a Nova Ordem será vencida? Para isso Rey precisará desvendar o enigma da própria identidade. Kylo Ren voltará a ser Ben? O afeto triunfará? Muita coisa teve de ser resolvida para esse fecho - relações entre pais e filhos, a aparição de fantasmas, o retorno de velhos guerreiros, e de Leia Organa, particularmente complicado devido à morte de Carrie Fisher. A possível união homoafetiva de Finn e Poe não vai adiante, mas o filme não quebra o vínculo. É um grande fecho - intimista, humano, e com toda a movimentação e a parafernália de efeitos que a saga exige (e carrega).

 

 

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De 'Star Wars' a 'Playmobil', veja as estreias da semana comentadas pelo 'Estado'

Salas de cinema devem receber ainda os filmes 'O Paraíso Deve Ser Aqui' e 'A Rosa Azul de Novalis', ambos sérios candidatos a melhores filmes do ano que se encerra

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2019 | 10h00

 

E chegamos ao grande final da saga Star Wars - estreia nesta quinta, 19, A Ascensão Skywalker, que promete conflitos íntimos e batalhas épicas para encerrar a história de Finn, Poe e Rey, o conflito dela com Kylo Ren, o filho de Han Solo e Leia Organa, que se rendeu ao lado escuro da Força. O maior evento de mercado do ano, talvez da década. A expectativa é imensa. Mas, nas poucas salas que não estiverem apresentando Star Wars Episódio IX pelo Brasil afora, não faltarão atrações. O Paraíso Deve Ser Aqui, A Rosa Azul de Novalis, ambos sérios candidatros a melhores filmes do ano que se encerra.

 

A Batalha das Correntes

Direção de Alfonso Gomez-Rejon, com Benedict Cumberbatch, Michael Shannon, Tom Holland, Nicholas Hoult, Katherine Watersrton.

 

 

As correntes, no caso, são elétricas e o filme, ambientado no começo do século passsado, aborda as divergências de Thomas Alva Edison e George Westinghouse quanto à distribuição da eletricidade. Edison fazia campanha pela corrente contínua e Westinghouse, pela alternada. Acredite - o resultado desta batalha nos influencia até hoje. Se o diretor não suscita muito entusiasmo, o elenco é top e pode fazer a diferença.

 

Carta Registrada

Direção de Hisham Shaqr, com Basma, Passant Shawky.

 

 

Drama egípcio que assinala a estreia de prestigiado montador na direção. Uma mulher precisa superar suas tendências suicidas depois que o marido vai preso. O motivo não poderia ser mais objetivo. O casal tem filhos, e eles agora dependem da mãe.

 

E Então Nós Dançamos

Direção de Levan Akin, com Bashi Valisvilki, Ana Javakishivili, Aleko Begalishvili.

 

 

Embora não tenha conseguido ficar na shortlist de possíveis indicados para o Oscar de filme estrangeiro, eis aqui um belíssimo programa. De ascendência georgioana, o diretor Levan Akin, radicado na Suécia, usa o universo da dança para abordar temas como tradição vs. modernidade, diferença e afirmação de gêneros, homossexualidade e machismo, etc. Um aspirante ao Balé Nacional de Georgia envolve-se num triângulo com homem e mulher, ambos dançarinos da companhia. O diálogo final do protagonista com o irmão, em tudo diferente dele, vale o filme todo.

 

Mirante

Direção e roteiro de Rodrigo John.

 

As transformações da sociedade brasileira, a polarização política, o antipetismo - o Brasil visto pelo olhar de um jovem, numa janela em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Pode ser interessante.

 

O Paraíso Deve Ser Aqui

Direção e interpretação de Elia Suleiman, com Gael García Bernal, Vincent Maraval.

 

 

Menção especial do júri no Festival de Cannes, em maio, o novo filme de Suleiman é uma comédia absurda sobre um diretor que tenta realizar um filme sobre a Palestina e se indaga, em todo lugar, onde ela está? Em seu coração. “A Palestina sou eu”, disse o cineasata ao Estado, durante a Mostra. Como sempre, Suleiman quase não fala. Seu humor é feito de silêncios, à maneira do de Jacques Tati, que também criava um elaborado mecanismo do gag somente a partir do testemunho de M. Hulot.

 

Playmobil - O Filme

Direção de Lino DiSalvo.

 

 

Garota busca o irmão, por quem se sente responsável, e que desapareceu no universo Playmobil. Os bonecos, acessórios e cenários da marca viraram uma febre entre as crianças. Os filmes seguem a tendência.

 

A Rosa Azul de Novalis

Direção de Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro.

 

 

Vencedor do prêmio especial do colegiado de cinema da APCA, a Associação Paulista dos Críticos de Arte, este filme já passou pela Berlinale e pelo Mix Brasil. Nas bordas da ficção e do documentário, num estilo ousado, mostra um homem gay, soropositivo, que em outra encarnação acredita que foi o poeta romântico alemão Novalis, do século 18. Cenas de sexo anal e oral integram uma busca profunda pelo sentido da vida (e da arte). Não é para todos os públicos.

 

Star Wars Episódio IX - A Ascensão Skywalker

Direção de JJ Abrams, com Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaacs, Adam Driver.

 

 

O esperado fecho da saga Star Wars. O terceiro episódio da terceira trilogia - o final. Daqui para a frente, só spin-offs. O desfecho da história de Rey, Finn e Poe, a batalha das batalhas contra a ditadura que comanda a galáxia. Em entrevista ao Estado, JJ disse que partiu de Organa, mas, como Carrie Fischer havia morrido, o roteirista e ele precisaram encontrar formas de levar a história adiante com material filmado e não utilizado com a atriz. Intimismo e grandiosidade. Muitos efeitos. A expectativa dos fãs é imensa, alimentada pela máquina da propaganda. O grande evento do mercado para fechar 2019. Mais de 2 mil salas estarão apresentando o filme em todo o Brasil, um recorde.

 

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Membros do fã-clube de Star Wars, o Conselho Jedi Daniel Teixeira|Estadão

'Star Wars: A Ascensão Skywalker' estreia 42 anos depois do início da franquia

Lá atrás, quando fez Star Wars, o primeiro – lançado no Brasil como Guerra nas Estrelas, ainda no final dos anos 1970 –, George Lucas desenvolvia o que parecia um discurso insano; mas o homem é um visionário

Luiz Carlos Merten e Mariane Morisawa , O Estado de S. Paulo

Atualizado

Membros do fã-clube de Star Wars, o Conselho Jedi Daniel Teixeira|Estadão

J.J. Abrams sabe da grande responsabilidade. Como diretor, ele veio a São Paulo no fim de semana passado para falar, na CCXP, de Star Wars Episódio IX – A Ascensão Skywalker, que estreia na quinta-feira, 19. Serão em torno de 2 mil salas, talvez mais. O mercado rende-se ao fenômeno. Fãs pelo mundo – e no Brasil, claro – já se preparam para uma das principais estreias do ano. 

O fim da saga, a batalha das batalhas. Discípulo de Steven Spielberg, seu mentor, hoje amigo, JJ sorri, sentado diante do repórter do Estado num hotel de luxo dos Jardins, mas admite estar ansioso. “É muita expectativa dos fãs. É um universo mítico, grande demais, e seria uma pena desperdiçar toda essa energia. Fizemos de tudo para corresponder.” E o que o público pode esperar? O repórter arrisca: intimismo e escala, grandiosidade? Afinal, são marcas registradas do autor de Lost (na TV) e de Missão Impossível 3 e Episódio VII no cinema. “Com certeza, você pode estar certo de que sim. Trabalhamos muito para isso.”

Lá atrás, quando fez Star Wars, o primeiro – lançado no Brasil como Guerra nas Estrelas, ainda no final dos anos 1970 –, George Lucas desenvolvia o que parecia um discurso insano. Dizia que era o primeiro filme de uma trilogia, e que essa trilogia seria intermediária num projeto de três trilogias e nove filmes. Alguns críticos o tomaram por maluco brincando de sabres de luz e guerras estelares. Poucos perceberam, de cara, a revolução que ele estava fazendo. O homem foi um visionário. 

Para contar sua saga monumental, Lucas precisou desenvolver os efeitos num grau que parecia inimaginável em 1977. Fundou a Light and Magic, recolheu-se à função de produtor e contou, com ajuda de outros diretores, a construção do herói, Luke Skywalker, em O Império Contra-Ataca (direção de Irvin Kershnmer) e O Retorno de Jedi (de Richard Marquand). Depois, a saga hibernou, e se passaram 16 anos até que o próprio Lucas, de novo diretor, fizesse Episódio I – A Ameaça Fantasma, seguido de A Guerra dos Clones e A Vingança dos Sith, narrando a construção do vilão e de como Anakin Skywalker foi seduzido pelo lado sombrio da Força, convertendo-se no sinistro Darth Vader.

Cansado diante da possibilidade de encarar mais uma trilogia, Lucas vendeu os direitos, e a Disney assumiu o encargo de prosseguir com a história da galáxia ‘far, far away’. JJ, chamado para reformular a saga, iniciou a história de Rey, Finn e Poe, e agora fecha o ciclo. No anterior, Os Últimos Jedi, o velho Luke conseguiu segurar o ataque de Kylo Ren e seus Cavaleiros de Ren aos remanescentes da resistência. Teremos, desta vez, a mãe das batalhas, e ela será excitante, o fecho grandioso de Episódio IX

Carrie Fisher em 'A Ascensão Skywalker'

Um corte no tempo, algumas semanas atrás. JJ está em Los Angeles e participa de uma coletiva sobre A Ascensão Skywalker. Quando ele começa a falar, as luzes apagam-se, por causa de uma falha técnica. Ele brinca: “Oi, Carrie”. Diz que é o espírito da intérprete da Princesa Leia, a atriz Carrie Fisher, que morreu em 2016. “Não havia possibilidade de continuar a história sem Leia.” A solução foi usar material inicialmente descartado da atriz no filme anterior.

Ainda em Los Angeles, o roteirista Chris Terrio disse que JJ estava tão obcecado em resolver o problema causado pela morte da atriz que o roteiro começou justamente por ela. “Os primeiros meses foram para resolver o impasse de como incluí-la no filme. A partir dos diálogos e das imagens que tínhamos, criamos todo o restante.” Antes de Terrio, Colin Trevorrow chegou a trabalhar um tempo nesse roteiro, mas foi dispensado – “Nem li o que ele escreveu, para dizer a verdade”, conta Terrio. Segundo ele, JJ o incentivou a buscar a emoção das cenas. Sementes plantadas por Rian Johnson no filme anterior foram abandonadas. “O fato de os personagens terem se afastado no final daquela história foi ótimo para a nossa”, reflete. 

Uma sugestão de homossexualidade entre Poe e Finn, os personagens de Oscar Isaac e John Boyega, não foi adiante. “Mas fiz questão de que a comunidade LGBT se sentisse representada”, disse JJ, em São Paulo. Como? “Você terá de ver”, ele desconversa. 

Entrevista — Oscar Isaac: ‘Não teria problemas em beijar Boyega’

Oscar Isaac veio a São Paulo com Daisy Ridley e John Boyega para um painel sobre Star Wars Episódio IX na CCXP.

Depois do estouro com os irmãos Coen em Llewyn Davis, o que representa Star Wars?

Sou muito grato por tudo o que vem ocorrendo comigo. Fazer parte do universo Star Wars ultrapassa toda expectativa. Esses filmes são objeto de culto.

Finn e Poe ficam juntos?

Essa possibilidade surgiu no episódio anterior, mas já foi amplamente divulgado que não. Não teria problemas em beijar John (Boyega).

Cinema autoral ou blockbuster?

Os Coen são autores, grandes cineastas. Seus roteiros são maravilhosos. Mas, apesar da grandiosidade, JJ também é autor. Como ator, me adapto a cada universo.

Veja o trailer de 'Star Wars: A Ascensão Skywalker':

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Fãs de 'Star Wars' formam o Conselho Jedi em São Paulo

Desde 1999, o Conselho reúne pessoas de todo o Brasil com um sentimento em comum: o amor por Guerra nas Estrelas

Maiara Santiago, Especial para O Estado de S. Paulo

15 de dezembro de 2019 | 06h00

Com nove filmes na bagagem, contando com A Ascensão Skywalker, e mais de 40 anos de história, a franquia Star Wars teve tempo de sobra para conquistar uma legião de fãs apaixonados. Isso é o que Estado pôde comprovar durante breve encontro com alguns membros do Conselho Jedi, fã-clube que, desde 1999, une pessoas de todo o Brasil com um sentimento em comum: o amor por Guerra nas Estrelas. 

Entre os dez fãs presentes, estava o bancário Luis Felipe Assis. Trajado a caráter, falou do sonho que tem de transformar a sua maior paixão em seu sustento. Como? Ele é instrutor de LudoEsporte, espécie de luta que utiliza sabres de luz. Ele aprendeu sobre o esporte durante um curso na Itália. “Foi a melhor experiência da minha vida”, conta. “Conheci pessoas do mundo todo.” O investimento custou R$ 20 mil.

No entanto, o valor para esse grupo não se prende à quantia paga por um item. “Muitas das peças que compramos são raras e isso as torna ainda mais especiais”, explica Altamiro Souza, analista de sistemas em um private banking, que, nas horas vagas, anda por aí como Luke Skywalker. Ele, que vem de uma história pessoal de superação (cresceu no circo junto à família e precisava juntar latinhas de alumínio para pagar a faculdade), não consegue estabelecer um preço certo para os seus quase 10 mil itens, comprados desde 1993. Mas diz, aos risos: “O valor pago dá para andar na Rua Oscar Freire com um carro de luxo, sem passar vergonha”. 

Henry Avon Jr., que tem uma agência de cosplay e se veste de Palpatine, também tem objetos raros para mostrar. Entre eles, está a máscara do vilão, comprada diretamente do estúdio da Lucasfilm, em um lote fechado de fantasias. “Esse exemplar está entre os dez feitos para o filme. Dá para sentir isso apenas pelo material”, diz. 

Star Wars já formou famílias

Alguns deles estão há tanto tempo no Conselho Jedi, que, além de parceiros de cosplay, se tornaram muito amigos. Esse é o caso de Marcia Alves, que faz a Leia quando não está trabalhando em uma casa de câmbio. “Meu círculo de amizades está todo aqui. Conheci o meu marido no Conselho Jedi”, conta. Juntos, eles também participam da Jedicon, evento geek promovido pelo grupo.

'A Ascensão Skywalker' encerra um ciclo; veja o trailer

Uma das mais novas do grupo, Victoria Feitosa, advogada em uma penitenciária de segurança máxima do Tocantins, sempre gostou, mas viu o amor pela franquia aflorar em 2016, com Rogue One. Desde então, ela iniciou uma maratona: fundou um conselho em seu Estado, promoveu encontros na Bahia e dormiu por dias na fila da CCXP 2019, para acompanhar de perto J.J. Abrams e sua trupe. Sobre o último capítulo, ela não esconde uma ponta de tristeza. “Vai marcar o fim de um ciclo e iniciar outro, então será bem nostálgico”, finaliza.

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A importância dos robôs de 'Star Wars', dentro e fora das telas

R2-D2, C-3PO e BB-8 foram essenciais para o sucesso da saga, tanto artístico quanto financeiro

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2019 | 06h00

Apesar das batalhas espaciais épicas e grandiloquentes, com direito a explosões barulhentas mesmo no vácuo, grande parte dos conflitos da saga Star Wars acabam sendo resolvidos não com uma frota de naves, nem mesmo com um bom duelo de sabres de luz, mas por meio da astúcia de meros robôs. Chamados de “droides”, essas criaturas mecânicas caricatas e vulneráveis tornaram-se uma marca registrada da franquia criada por George Lucas – “marca registrada” em mais de um sentido, já que um dos muitos aspectos que Star Wars revolucionou no cinema foi o merchandising.

Os estúdios acreditavam que a ópera espacial de George Lucas seria um fracasso. Apesar de seu filme anterior, Loucuras de Verão (1973), ter sido indicado a cinco categorias do Oscar e lucrado US$ 637 milhões, a ficção científica estava longe de ser um gênero confiável para se investir o dinheiro de um estúdio na época. Como as expectativas da 20th Century Fox eram baixas, eles aceitaram uma proposta de Lucas para que ele conservasse o lucro sobre o merchandising (como a venda de brinquedos, miniaturas e outros objetos promocionais inspirados na série). Não é necessário dizer que robôs fofinhos foram essenciais para que Star Wars tenha lucrado mais com merchandising (US$ 42 bilhões) do que com bilheteria (US$ 9 bilhões) em 42 anos.

Nada disso daria certo, é claro, se os droides não fossem tão carismáticos. O primeiro filme, Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança (1977), trouxe os dois robôs que participariam de quase toda a saga e se tornariam símbolos da franquia: R2-D2 e C-3PO.

O design de R2-D2, criado pelo artista Ralph McQuarrie, foi inspirado pelos coloridos drones Huey, Dewey e Louie, do filme Corrida Silenciosa (1972), dirigido por Douglas Trumbull. Para rodar as cenas, foram construídos vários modelos diferentes, com tamanhos e funções distintas. Havia versões movidas por controle remoto, mas a maior parte das cenas foi gravada pelo ator inglês Kenny Baker, que, com 1,12 m de altura, cabia dentro da estrutura do R2-D2 e era responsável por fazê-lo acender e apagar luzes, girar a cabeça e se movimentar de acordo com o roteiro. Morto em 2015, no ano em que estreou Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força, Baker foi substituído pelo ator e marionetista Jimmy Vee, que tem a mesma altura de Baker, para os últimos dois filmes. 

Já o androide dourado C-3PO, construído pelo jovem Anakin Skywalker e que se gaba de “ser fluente em mais de 6 milhões de formas de comunicação”, teve seu visual inspirado pelo robô do clássico filme Metrópolis (1927), dirigido pelo mestre do cinema expressionista alemão Fritz Lang, baseado em um livro de Thea Von Harbou. No romance, a criatura se chama Futura, e é um dos primeiros e mais importantes robôs da história da ficção científica – a própria palavra “robô” havia sido cunhada ainda naquela década, e usada pela primeira vez na peça A Fábrica de Robôs (1920), do escritor e dramaturgo checo Karel Capek. 

Com a evolução da tecnologia de efeitos visuais, os filmes mais recentes passaram a utilizar cenas em computação gráfica (o exército de Droids de Batalha que combate a República nos episódios I a III são um exemplo), mas até hoje os diretores usam atores e efeitos práticos – tanto que o ator Anthony Daniels continua interpretando C-3PO. Da mesma forma, seria muito fácil fazer o droide rolante BB-8, da nova trilogia, em computação gráfica, mas o diretor J.J. Abrams quis manter a tradição de efeitos práticos na série. O artista da trilogia original, Ralph McQuarrie, já havia produzido na época um conceito de um robô que rolasse, mas a ideia não foi aproveitada na época. Agora, por meio de um mecanismo patenteado pela Disney, foi possível dar vida a BB-8 – que conseguiu a façanha de ser tão carismático quanto R2-D2 e C-3PO.

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