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'Asas do Desejo' não é um filme realista, mas metafísico

Canal Arte1 exibe o filme de Win Wenders neste fim de semana

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

03 de outubro de 2014 | 18h38

Três anos depois de ganhar a Palma de Ouro em Cannes por Paris, Texas – em 1984 –, Wim Wenders voltou ao maior festival do mundo e somou mais um troféu ao seu importante/impressionante currículo. Por Asas do Desejo/O Céu sobre Berlim, recebeu o prêmio de direção. No Brasil, o filme eternizou-se em cartaz. Ficou mais de ano circulando em salas especiais. Sua primeira exibição na Mostra, em 1988, quase virou casdo de polícia, de tanta gente que queria ver os anjos do autor alemão. Neste sábado, você pode (re)ver Asas do Desejo no canal Arte 1. 

Havia um culto a Wenders no Brasil nos anos 1980. Chegou-se até a criar uma expressão – pode ter sido Matinas Suzuki –, wenders e aprendenders. Wenders tornou-se o arauto da pós-modernidade na tela. E depois da sua anti-Odisseia – o Ulisses moderno, que, em companhia de Telêmaco, procura a mulher que desistiu dele –, ele foi ao cosmos. No céu sobre Berlim, dois anjos velam pela humanidade, Samiel e Cassiel, interpretados por Bruno Ganz e Otto Sander.

Desde tempos imemoriais, eles acompanham a humanidade sofredora. Veem o mundo em preto e branco e conseguem ouvir os pensamentos das pessoas. Só não conseguem interferir na realidade, o que pode ser motivo de muita angústia existencial. Damien fica tão seduzido pela trapezista, Marion – Solweig Dommartin –, que tudo arrisca e se torna humano, e mortal, por amor. Anjos sempre foram criaturas míticas e até místicas. Wenders e seu roteirista, o escritor Peter Handke, usaram seus anjos para perseguir conceitos de beleza e encantamento. O filme não é realista, mas metafísico.

Na França como no Brasil, o filme chamou-se Les Ailes du Désir, Asas do Desejo. Na Alemanha, é Der Himmel über Berlin, O Céu sobre Berlim. Jurgenm Knieper e Nick Cave e os Bad Seeds fizeram a música, a fotografia é assinada pelo francês Henri Alékan e a montagem, pelo polonês Peter Przygoda. Na ficha, o cinéfilo encontra o nome de Claire Denis como assistente de direção. o astro de TV dos EUA Peter Falk e Nick Cave aparecem como eles mesmos. Wenders e Handke inspiraram-se em textos do poeta alemão Rainer Maria Rilke. Como eles mesmos disseram, sua ambição era imensa – queriam decifrar os mistérios do amor e da existência. Consciente de que fez um filme especial, Wenders dedicou-o a três grandes do cinema – Yasujiro Ozu, Andrei Tarkovski e François Truffaut.

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