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'As Herdeiras' e 'A Destruição de Bernardet' estão entre as estreias da semana nos cinemas

Veja o que entra em cartaz e programe-se para o fim de semana

Luiz Carlos Merten e Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2018 | 06h00

A produção paraguaia As Herdeiras (Las Herederas) foi a grande unanimidade do recém-encerrado Festival de Cinema de Gramado. Fez a chamada tríplice coroa: ganhou como melhor filme do júri oficial e levou os prêmios do público e da crítica. Dividiu o troféu de melhor atriz entre suas três intérpretes principais e ainda levou os Kikitos de melhor direção e roteiro, ambos de Marcelo Martinessi. Já havia vencido os Ursos de Prata de melhor atriz (Ana Brun) e direção (Martinessi) no prestigiado Festival de Berlim.

Tanta consagração se justifica? O público verá que sim. Tudo é de alto nível, a começar pela trinca de intérpretes. Chela (Ana Brun) e Chiquita (Margarita Irun) são duas senhoras que vivem juntas numa espaçosa e velha casa, mas precisam vender a prataria e os móveis para pagar as contas. Isso não impede que Chiquita vá passar uns tempos no xilindró, processada por credores. Enquanto isso, Chela descobre que pode levantar uns trocados servindo de motorista a vizinhas da mesma idade. Numa dessas incursões, conhece uma mulher um pouco mais jovem, a ousada Angy (Ana Ivanova). Ana Brun, Margarita Irun e Ana Ivanova dividiram o Kikito de melhor atriz estrangeira.

Las Herederas é, de ponta a ponta, um filme sobre mulheres. No fundo, fala de uma história de liberação, pois no casal formado por Chela e Chiquitita, esta última ocupa o lugar de dominante. Chela não perderá a oportunidade causada por essa situação paradoxal - enquanto a parceira perde a liberdade, ela a obtém.

Leveza, graça e pontaria ao abordar determinadas questões espinhosas fazem a força dessas Herdeiras. Muito bem filmado, amparado em roteiro sólido e com grandes interpretações, o longa veio trazer um pouco de luz ao desanimado panorama cinematográfico. Talvez possa desfazer alguns preconceitos se for visto com carinho e espírito alegre.

A Destruição de Bernardet - ÓTIMO

Considerado um dos mais importantes críticos de cinema do País, Jean-Claude Bernardet está velho e doente. Alguém que não fosse um intelectual com a sua integridade e inteligência talvez se considerasse liquidado. Bernardet reinventa-se na própria destruição de seu mito. O longa dos diretores Cláudia Priscilla e Clóvis Marques trafega entre documentário e ficção, reúne depoimentos de amigos e colaboradores, mas o mais interessante é o próprio mecanismo e o fio da memória que deflagra as lembranças desse homem que tem sido ativo na vida cultural brasileira desde os anos 1960 e agora une a função de ator aos seus múltiplos talentos.

Nico - 1988 - BOM

Exibido na Mostra Internacional do ano passado e na recente 8 1/2 Festa do Cinema Italiano, o longa de Susanna Nichiarelli sobre a lendária Christa Päffgen começa nos escombros de Berlim, destruída na 2.ª Guerra e depois se concentra nos últimos anos da cantora do Velvet Underground. Christa, também conhecida como Nico, foi musa de Andrey Warhol e ícone por sua singular beleza. Como se conta a história de uma mulher que testou seus limites e nunca levou uma vida convencional? A diretora concentra-se na última turnê da artista com a banda que a acompanhou pela Europa no fim do anos 1980 e o filme poderia se chamar A Reinvenção de Nico - como artista, mulher, mãe.

Ferrugem - ÓTIMO

Aly Muritiba divide o drama juvenil Ferrugem em dois atos. No primeiro, uma garota vê-se alvo de bullying pesado quando um vídeo íntimo vaza na rede. No segundo, o filme torna-se um estudo sobre a culpa e o perdão, tendo por protagonista quem postou as imagens. O longa é estruturado com rigor. Colorido e rápido numa parte, torna-se sombrio e meditativo na outra. Uma questão atormenta o diretor e deveria preocupar a todos: sabemos utilizar as novas tecnologias? Ou elas podem fazer emergir o que de pior existe em cada um de nós? Poucos temas são urgentes como esses. Ao discuti-los com inspiração e responsabilidade, Ferrugem ganhou o prêmio principal no Festival de Gramado.

Yonlu - ÓTIMO

Vinícius Gageiro Marques era um garoto de múltiplos talentos. Tocava e compunha músicas, escrevia poemas, desenhava. Construía um universo em seu quarto e na tela do computador. Havia morado em vários países com seus pais e falava diversos idiomas. Tinha tudo. Inclusive uma angústia fenomenal que, em parte, dividia com seu psicanalista. Seu nome artístico era Yonlu e este também é o título do filme a ele dedicado pelo diretor Hique Montanari. Hique refaz essa tragédia juvenil usando as próprias obras do artista como materiais de construção. O filme é muito inquietante. Angústias ancestrais ganham nova potência no mundo da internet, a ponto de destruir vidas?

O Candidato Honesto 2

Você deve se lembrar da imagem da presidente Dilma pedalando no primeiro filme. Em O Candidato Honesto 2, Leandro Hassum está de volta à cena política como João Ernesto, que se candidata à presidência novamente, e vence. Depois de tudo o que lhe ocorreu - denúncias de corrupção, quatro anos de cadeia, embora ele tenha sido condenado a 400 anos -, ele cede às maquinações, que podem levá-lo ao impeachment, de um certo Ivan Pires, que se insinua como candidato a vice na sua chapa. Ivan Pires se assemelha a Michel Temer. E como em Os Farofeiros, o roteirista Paulo Cursino não satiriza só a política, mas o cinema brasileiro. Em se tratando de Leandro Hassum, a expectativa é por um estouro de público.

Fica Mais Escuro Antes do Amanhecer

Thiago Luciano, diretor, protagonista, roteirista e montador, é Iran, um rapaz que trabalho em uma fábrica de gelo instalada em uma região muito afetada pelas mudanças climáticas extremas causadas pelo ser humano. A temperatura passa do frio intenso ao calor insuportável na história que transita entre passado e presente. Há a ameaça de um apocalipse que vai tornar o clima do planeta invernal, pondo fim à luz solar e dizimando a população da Terra. Nesse aspecto, o drama de suspense remete a Melancolia, de Lars von Trier. Iran tem também de cuidar da mulher Lara (Lucy Ramos), com quem tem um relacionamento autodestrutivo, que sofre com uma depressão após perder o filho. Após a tragédia familiar, ele vai lutar contra a depressão que tem acometido os habitantes.

Elo Perdido - O Brasil Que Pedalas

Dirigido pela videorrepórter, bikerreporter e cicloativista Renata Falzoni, o filme revela a realidade de brasileiros que pedalam e resistem em um cenário em que carros e motos são prioridades nas ruas. E investiga o que leva as pessoas a adotarem a bike como um meio de transporte sustentável nas cidades.

Meu Tio e o Joelho de Porco

O filme faz uma mistura de cenas de arquivo, animação e relatos. Um garoto encontra o diário do pai recém-morto e passa a ter contato com o fantasma do tio. Isso o leva ao cenário do punk em São Paulo, mostrando como a cena de hoje foi influenciada pela banda Joelho de Porco, da qual seu tio fazia parte.

Takara - A Noite em Que Nadei

Nas montanhas geladas do Japão, um garoto de 6 anos, filho de um pescador, cansado por causa de uma noite maldormida, desvia do caminho para a escola e passa a andar pela neve e a brincar com o que encontra pelo caminho. O menino anda sem rumo, mas não há clima de perigo no filme.

Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas

Quando se dão conta de que todos os super-heróis estão estrelando filmes, os Jovens Titãs Robin, Ciborgue, Estelar, Ravena e Mutano decidem também garantir um espaço para a turma nas telonas. Mas tudo dá errado quando o grupo é enganado por um Supervilão que quer dominar o planeta.

O Renascimento do Parto 3

Filme retrata o SUS que dá certo, como o Centro de Parto Humanizado Casa Angela, de São Paulo, e mostra o modelo de assistência ao parto na Holanda, Nova Zelândia e no Camboja. Traz ainda reflexões sobre diretrizes da Organização Mundial de Saúde em relação à maternidade que, muitas vezes, são ignoradas.

Deus Não Está Morto - Uma Luz na Escuridão

A trama de Deus Não Está Morto - Uma Luz na Escuridão acompanha a vida de várias pessoas que são desafiadas por um mundo que não crê em Deus. Entre eles está Josh Wheaton (Shane Harper), estudante que tem sua fé desafiada por seu professor de Filosofia, Mr. Radisson (Kevin Sorbo), convicto de que Deus não existe.

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