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'As Aventuras de Paddington' apresenta humor britânico para crianças

Filme baseado em série de livros conta a história de urso peruano que se muda para Londres e passa a viver com família britânica

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

03 Dezembro 2014 | 20h00

Paddington é um dos personagens mais queridos da literatura infantojuvenil britânica. O ursinho, no entanto, é pouco conhecido dos pequenos leitores brasileiros. Publicado originalmente em 1958, Um Urso Chamado Paddington, título que abre a série, foi o único lançado aqui, em 1996, e está esgotado há anos. Mas a julgar pelas gargalhadas das crianças na pré-estreia de As Aventuras de Paddington, na segunda-feira, o filme que entra em cartaz nesta quinta-feira, dia 4, com o desconhecido personagem tem tudo para agradar – e, quem sabe, despertar a criançada para os livros – quatro deles chegam às livrarias em janeiro.

O filme acompanha a chegada do urso a Londres e seus primeiros dias, que é como tudo começa nas histórias de Michael Bond. Aos 88 anos, o autor acompanhou o trabalho de adaptação e dos atores Hugh Bonneville, Nicole Kidman, Sally Hawkins, Jim Broadbent e Julie Walters. Ben Whishaw (era para ter sido Colin Firth) dá voz ao urso, mas não o ouviremos por aqui. Apenas cópias dubladas – e, neste caso, a voz é de Danilo Gentili – serão exibidas. O filme é a grande aposta para as férias de fim de ano.

Órfão de pai e de mãe, Paddington vivia com os tios na selva peruana. Um dia, lá no passado, um explorador inglês quase pôs fim à vida dos animais, mas foi salvo por Lucy e Pastuso e fez amizade com o casal. Deixou marmelada, discos e seu chapéu. E disse que, quando quisessem ir a Londres, seriam muito bem-vindos. A diminuta família passa a viver em torno da herança do explorador, e o ursinho é educado a partir do modelo britânico. 

Quando um terremoto destrói o que eles têm, Lucy se muda para um asilo de ursos – traduzido no filme como lar dos ursos sem-terra – e manda o sobrinho para a Inglaterra certa de que ele encontrará facilmente um lar. Ela acreditava nisso porque sabia que, durante a guerra, crianças foram despachadas com etiquetas que pediam para que quem as encontrassem cuidasse bem delas. 

Na estação de trem de Paddington, com sua malinha na mão, o chapéu do explorador (com um sanduíche de marmelada escondido para emergências) e a etiqueta no pescoço: ‘Por favor, cuide deste urso. Obrigada’, a aventura começa. Ele está numa Londres contemporânea, de gente apressada que passa e nem se dá conta de que um urso está na plataforma, tirando o chapéu e dizendo olá. A família Brown o encontra e decide hospedá-lo por uma noite. A cena dele usando o banheiro pela primeira vez foi uma das que arrancaram gargalhadas dos pequenos espectadores.

A direção é de Paul King e o figurino, de Lindy Hemmings – de Quatro Casamentos e Um Funeral, Batman 3 e de cinco edições da franquia 007, entre outros filmes e musicais.

“O urso é um outsider. Ele quer ser incluído e aceito. E esta é uma mensagem importante para as crianças”, acredita Hemmings. O primeiro a rejeitá-lo é o patriarca, um corretor de seguros extremamente medroso. Mas, claro, com a convivência, o urso vai lentamente transformando a família – que se une quando Paddington corre risco de morte nas mãos da taxidermista fria protagonizada por Nicole Kidman, que só quer embalsamar o raro animal peruano. As roupas vão acompanhando a evolução da relação entre os personagens, e vão ficando mais alegres. 

A história não deixa de ser uma grande metáfora do que é Londres. Por mais que se sentisse desconfortável com isso, a cidade sempre recebeu (um pouco menos na última década) imigrantes de ex-colônias, refugiados, exilados, jovens em busca de uma experiência diferente e pessoas atrás de melhores salários. Imigrantes que tentaram ser aceitos pela cultura britânica e que sempre deram um colorido especial a ela.

Livros. Em janeiro, a WMF Martins Fontes lança o primeiro de quatro volumes cujos direitos ela acaba de adquirir. O primeiro será Um Urso Chamado Paddington. Depois virão (ainda sem título em português): More About Paddington, Paddington Helps Out e Paddington Abroad. Ao todo, Michael Bond escreveu 26 títulos, que foram traduzidos para 40 línguas e venderam 35 milhões de exemplares no mundo todo. O mais recente, Love from Paddington, reúne as cartas trocadas pelo urso e sua tia, e foi lançado agora na Inglaterra. 

Veja o trailer de 'As Aventuras de Paddington'

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