Gulliver Films
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‘As Aventuras de Gulliver’ tem tudo para divertir o público infantil

Filme feito em estúdio da Ucrânia dá um salto no tempo e quase nada tem a ver com a história famosa de Jonathan Swift

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2022 | 05h00

No momento em que a Ucrânia está no centro de uma grave crise europeia e mundial, não deixa de ser curioso que esteja estreando nos cinemas brasileiros essa animação vinda dos estúdios de Kiev. No Brasil, o filme chama-se As Aventuras de Gulliver. Na versão americanizada, coescrita por Michael Ryan, é Gulliver Returns. O Retorno de Gulliver. Embora o filme pouco ou nada tenha a ver com a história famosa de Jonathan Swift, o colorido da trama e dos personagens tem potencial para divertir o público infantil. 

Os adultos devem privilegiar outra animação, na verdade um anime, em cartaz. Belle. Segundo o “aplausômetro” da revista Empire, Belle foi o filme mais aplaudido em Cannes no ano passado – 14 minutos ininterruptos de ovação. 

Jonathan Swift e Daniel Dafoe foram praticamente contemporâneos, o primeiro vivendo toda sua vida entre o final do século 17 e a primeira metade do 18, em Dublin, e o segundo, quase no mesmo período, em Londres. Ambos escreveram relatos de viagens. Dafoe, avaliam os críticos, deu forma ao romance moderno com a história do náufrago Robinson Crusoé. Swift, panfletário, poeta e clérigo, ficou famoso com as viagens de Gulliver. Rememorando: Swift foi, a seu tempo, um sátiro feroz do universo político. Na história de Gulliver, ele misturou literatura de viagem, aventura e ficção científica. Satirizou os Whigs, integrantes do Partido Liberal da época, transformando-os nos minúsculos liliputianos. 

Ambos os livros e personagens tiveram versões para a tela. Gulliver presta-se ao exercício da imaginação, necessita de muitos efeitos. A versão mais recente havia sido em live-action, com Jack Black. O aventureiro vira gigante na terra de Lilliput, habitada por seres minúsculos. Ele próprio vira liliputiano, se comparado aos gigantes. Maksimov inicia seu filme num momento muito especial. 

Justamente nesse dia se completam 40 anos da partida de Gulliver e ele prometeu voltar. Para acelerar os 40 anos que não passam nunca, o rei – um déspota – baixa um decreto que acelera o tempo. Gulliver vai dormir com calor, em pleno verão, e acorda no inverno, com neve. Brincadeiras à parte, o desequilíbrio do clima é uma triste realidade atual. 

Para recepcionar o visitante, o rei investiu em obras grandiosas, para acomodar o “gigante”. Para surpresa de todos, Gulliver chega com as dimensões normais de um liliputiano comum. Indignado por se sentir ludibriado, o rei o leva a julgamento. Sua Majestade é, ao mesmo tempo, juiz, advogado de defesa e acusação, além de testemunha. Gulliver é perseguido, e condenado, como enganador.

Ocorre que, há 40 anos, ele ajudou a derrotar os inimigos da cidade e agora eles planejam nova invasão. Caberá ao reduzido Gulliver a tarefa de, mais uma vez, salvar os liliputianos. O rei, ridículo, vive atrapalhando sua vida. O rato, valente, amigo do herói, é um importante apoiador. E tem a “mocinha”, que garante o romance. O novo Gulliver não fará história na animação, mas é divertidinho. 

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