Artistas discutem meia-entrada para professor

Uma lei aprovada pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo vem provocando forte mobilização entre integrantes da classe teatral. Trata-se da Lei n.º 10.858, de autoria do deputado José Zico (PT) que institui a meia-entrada para professores da rede pública estadual de ensino em estabelecimentos que proporcionam lazer e entretenimento. Amanhã (15), às 15h30, representantes da classe teatral vão se encontrar com o presidente da Assembléia Legislativa, Walter Feldmann (PSDB). E às 19h30 reúnem-se em assembléia na Associação dos Produtores de Espetáculos do Estado de São Paulo (Apetesp). A mobilização começou a partir de um texto de autoria do ator e dramaturgo Oswaldo Mendes que circula pela internet. Sob o título ´Demagogia Eleitoreira com o Chapéu Alheio´, ele questiona a ausência de contrapartida e pergunta por que não se cobra de estudantes, aposentados e professores "meio-tributo" nos serviços públicos federais, estaduais e municipais. Mendes protesta ainda contra o fato dos legisladores não terem consultado a categoria antes de aprovarem a lei. "A casa é sensível às reinvindicações da sociedade, mas durante a tramitação da lei, não houve protestos", argumenta Feldmann. Mas admite que é mesmo difícil para o cidadão comum tomar conhecimento dos projetos em tramitação. Citado nominalmente na mensagem da internet, por ter assinado o texto da lei, avisa que a mesma foi aprovada em plenário e sua assinatura é uma formalidade. "A reclamação procede. E existem muitos projetos semelhantes a este. Quero conversar com os artistas para ver que medidas ainda podemos tomar." José Zico, o autor da lei, está de licença médica e não respondeu às mensagens deixadas em seu celular. "Esse tipo de lei inflaciona o preço médio do ingresso e prejudica quem está na faixa dos 40 anos e não se enquadra em nenhuma dessas categorias", argumenta Marcos Caruso, presidente da Apetesp. "Todos sabem que hoje não existe mais no teatro a figura do produtor. As pessoas recebem porcentagem de bilheteria todos são sócios no empreendimento. E o poder público é sócio só no lucro, não no prejuízo. Vamos fazer uma grita geral contra esse tipo de ação sem contrapartida. Estamos mobilizados: Apetesp, Sindicato dos Artistas, Sbat (Sociedade dos Autores Teatrais) e Cooperativa Paulista de Teatro. Juntos vamos buscar saídas jurídicas contra essas medidas. Como disse Cacilda Becker não nos peçam de graça a única coisa que temos para vender", protesta Caruso. "Eu acho que eles têm toda razão", diz Maria Izabel Azevedo Noronha, presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo. "É obrigação do poder público patrocinar educação e cultura, mas não se pode fazer isso onerando artistas que desenvolvem uma atividade artesanal, com grandes dificuldades. Ao criar uma lei como esta, o Estado tem obrigação de oferecer um subsídio." Ugo Sorrentino, presidente da Federação Nacional de Exibidores de Cinema, afina o coro dos descontentes. "Está em tramitação um projeto que prevê meia-entrada para doadores de sangue e outro para deficientes físicos. Não recebemos nenhum tipo de subsídio para investir e manter nossas salas. Por que nós devemos arcar com os custos desse tipo de iniciativa?", pergunta. "Concordo em gênero, número e grau com esse protesto. Professores são um público bem-vindo, porque atraem jovens ao cinema. Mas esse tipo de ação inflaciona o preço médio e impede promoções que beneficiariam a muitos. É preciso acabar com essa tendência de legislar sem responsabilidade, sem medir conseqüências", diz Valmir Fernandes, presidente da Associação Brasileira dos Operadores de Multiplex.

Agencia Estado,

14 de outubro de 2001 | 17h18

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