Artistas ameaçam protestar em Cannes

Artistas e trabalhadores do show-business francês ameaçam fazer protestos durante o Festival de Cannes, apesar dos esforços do governo para evitar que se repitam as agitações que levaram ao cancelamento de dezenas de eventos culturais no ano passado. Atores, técnicos, músicos e outros trabalhadores da área estão numa disputa com o governo de por causa da reforma para cortar seus benefícios do seguro desemprego.Para diminuir o impacto do plano, o ministro da Cultura, Renaud Donnedieu de Vabres, anunciou hoje um fundo de ?20 milhões (R$ 72 milhões) para artistas cujas finanças forem muitos atingidas pela reforma, que entra em vigor em 2005. Representantes do grupo disseram que eles não estão satisfeitos com a proposta e querem usar o festival de cinema, que começa no dia 12 de maio em Cannes, para dar bastante visibilidade a seus protestos. ?Estamos contra a parede. É por isso que vamos nos fazer ouvir logo no começo do festival?, disse Claude Michel, um representante da união CGT apoiada por comunistas. No ano passado, grandes protestos envolvendo artistas levaram ao cancelamento do famoso Festival de Teatro de Avignon e do festival de óperas Aix-en-Provence, entre outros. O Festival de Cannes, no entanto, tem pouca chances de ser cancelado por causa de uma greve. Diferente de outros festivais, este não depende do trabalho dos funcionários grevistas para exibir seus filmes. Uma ação deste tipo teria pouco efeito. Os artistas, porém, planejam uma série de atos. ?Nós teremos de inventar formas originais de protestar. Sempre que pudermos, mostraremos nosso descontentamento?, disse Michel.Eles estão irritados por causa da reforma no fundo de desemprego francês para os artistas, que leva em conta o período que ficam parados entre dois trabalhos. O fundo tem uma reserva de ?828 milhões (R$ 3 bilhões) e a empresa que o controla está pressionando o governo a reduzir os benefícios. O plano divulgado hoje por de Vabres vai aliviar as medidas anunciadas no ano passado. O ministro anunciou também um fundo extra de ?30 milhões (R$ 108 milhões) para promover as artes e ajudar novos artistas.

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