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'Arte inofensiva não é boa', diz o diretor sobre tensão e brutalidade de 'Cães Selvagens'

Paul Schrader falou ao 'Estado' sobre seu novo filme

Entrevista com

Paul Schrader

Mariane Morisawa, ESPECIAL PARA O ESTADO

07 Abril 2017 | 04h00

TORONTO - Paul Schrader para sempre vai ser conhecido como o roteirista das obras-primas Taxi Driver (1976) e Touro Indomável (1980), por mais que também tenha dirigido filmes como Mishima - Uma Vida em Quatro Capítulos (1985) e Temporada de Caça (1997). Membro do grupo conhecido como Nova Hollywood - composto ainda por Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Brian De Palma, Steven Spielberg e George Lucas -, que revolucionou o cinema nos anos 1970, Schrader, aos 70 anos, ainda se mostra antenado com os novos tempos. The Canyons (2013) foi financiado com uma campanha no Kickstarter, por exemplo. 

Em Cães Selvagens, que estreou na quinta-feira, dia 6, no Brasil, cada chefe de departamento - fotografia, direção de arte, figurino - era um estreante no cinema. No filme, Troy (Nicolas Cage), recém-saído da prisão, junta-se a Mad Dog (Willem Dafoe) e Diesel (Christopher Matthew Cook) para cometer alguns crimes e ganhar dinheiro. Schrader conversou com o Estado.

O senhor começou a fazer filmes nos anos 1970, quando os cineastas tinham bastante liberdade. Ainda sente a mesma liberdade?

Esse filme teve uma gênese interessante. Tive uma experiência muito ruim com Nic Cage: um filme que fizemos juntos (Vingança ao Anoitecer) foi tirado de mim, remontado e lançado. Queria me redimir. Li esse roteiro e achei que este era o projeto certo. Então, comecei a investigar o que era fazer um filme de crime em 2016. Juntei uma equipe de jovens, todos fazendo seus primeiros filmes. Falei que não tínhamos dinheiro suficiente para fazer da maneira certa, mas que eu tinha o corte final e podíamos fazer o filme que quiséssemos. 

O que acha dessa nova geração?

Eu chamo essa nova geração de pós-regras. Houve uma geração descobrindo quais eram as regras, outra que codificou as regras, outra que quebrou as regras - a minha -, outra que riu delas - a do Tarantino. Agora existe uma geração que não sabe que existiam regras. Porque estão fazendo filmes inteiros desde os 6 ou 7 anos, com seus telefones, baseando todo seu conhecimento em videogames, televisão, internet, vines. Eles têm uma sensibilidade completamente diferente. E meio que tudo pode, tudo é permitido. 

O filme não é politicamente correto.

Há situações em que se deve respeitar a correção política. Mas não dá para fazer arte se não puder ofender. É contraditório. Arte inofensiva não é muito boa.

 

Como vê o cenário cinematográfico?

 

Não é difícil fazer filmes, é difícil ganhar dinheiro com eles. Cães Selvagens vai passar num cinema aqui e outro ali. Mas ele foi pensado para ganhar no vídeo on demand. A experiência no cinema é usada para colocar a engrenagem em movimento. Foi fácil ganhar dinheiro com cinema por cem anos. Agora, precisamos lutar. Mas quantos poetas, músicos, pintores ganham dinheiro com sua arte? Não muitos. Uns 2%. Nós cineastas estamos nesse time também. 

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