Argentina comparece com dois bons filmes

O módulo argentino da 3.ª Semana dos Independentes é composto de cinco filmes. Pelo menos dois deles, Nove Rainhas, de Fabián Bielinski, e Uma Noite com Sabrina Love, de Alejandro Agresti, parecem dignos de todo interesse. São, os dois, o que se poderia chamar de produtos comerciais de qualidade. Acreditam no espectador como ser dotado de inteligência, e mantêm-se eqüidistantes tanto da idiossincrasia autoral como do apelo comercial sem nenhuma medida.Nove Rainhas poderia bem ser apenas mais uma história comum de trambiqueiros, não fosse o roteiro esperto, as atuações bem levadas e uma certa sujeira de rua, em geral ausente do sóbrio cinema argentino. Nota-se que Bielinski deixou que a pouco notável realidade política e econômica do seu país contaminasse a ação, dando autenticidade à história. As reviravoltas agradam a quem gosta do gênero, embora a última pareça artificiosa demais. Mas verossimilhança nunca foi uma exigência de ferro no gênero. Até certo ponto tolera-se alguma coisa implausível, desde que ela dê prazer ao espectador. É o caso.Uma Noite com Sabrina Love é um Agresti um tanto mais ameno que alguns dos seus títulos anteriores, como Buenos Aires Vice-e-Versa e El Viento se Llevó lo que. Na história, um garoto provinciano, espectador de um programa pornô na TV, ganha um prêmio especial: passar uma noite com a apresentadora, Sabrina Love (Cecilia Roth). A viagem a Buenos Aires tem valor de iniciação - e não apenas sexual. Se não exerce com todo o vigor o anti-academismo costumeiro, pelo menos Agresti não cai no marasmo generalizado que debilita o cinema do continente.

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