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Aranoa e o absurdo da guerra que não se vê em 'Um Dia Perfeito'

Longa que encerrou a Mostra no ano passado chega ao home vídeoconfirmando o comprometimento social do diretor espanhol

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2016 | 16h00

São tantas as histórias de guerra contadas pelo cinema que o público nem se sensibiliza mais com os tiros, as explosões, as mortes. Os autores começam a buscar alternativas para seu relatos. A do espanhol Fernando Leon de Aranoa surpreende. Um Dia Perfeito, que sai em DVD da Focus (R$ 39,90), propõe os efeitos da guerra – cadáveres, destruição. Mas o impacto mesmo se produz fora de quadro. Embora o perigo se faça sempre presente, as armas não disparam.

Aranoa encerrou a 39.ª Mostra, no ano passado. Veio a São Paulo com seu filme. É um diretor que revela comprometimento social – a questão do desemprego em Segunda-Feira ao Sol, com Javier Bardem. Um Dia Perfeito começa de forma um tanto absurda – um grupo tenta retirar um cadáver de um poço, antes que a água seja contaminada. O grupo é internacional. Integra uma ONG. Tim Robbins, Benicio Del Toro, etc. Falam inglês. O local, presumivelmente, é nos Bálcãs, mas nunca é identificado como tal. Os moradores falam um língua enrolada.

A tarefa revela-se difícil. O morto é muito gordo, é preciso uma corda mais resistente. Alguém corre à loja que deveria vender a corda – não tem. Outro cadáver – de uma vaca – interrompe a estrada. O absurdo da guerra é tanto maior porque Aranoa o trata como coisa cotidiana, e com humor. O filme é ótimo.

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