Beto Staino
Beto Staino

'Ara Pyau' externa a resistência indígena em questão

Carlos Eduardo Magalhães traz à Mostra Aurora um dos mais belos filmes deste ano, em Tiradentes

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2018 | 19h47

TIRADENTES - Foi mais ou menos uma repetição do massacre de Daniela Thomas no debate sobre seu filme, Vazante, no recente Festival de Brasília. Carlos Eduardo Magalhães apresentou um dos mais belos filmes desta edição da Mostra Aurora. Ara Pyau - A Primavera Guarani é sobre a resistência de índios de São Paulo que lutam por suas terras. Resumindo, a reserva no Parque do Jaguaré foi demarcada e desmarcada. Índios de celular e guitarra ocuparam a Av. Paulista para protestar.

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O filme se enquadra em todos os conceitos anunciados da Mostra de Tiradentes, e da Aurora, na qual concorre. A Aurora é vitrine da produção autoral, e independente radical. O diretor revelou que foi contratado. Veio da publicidade. A coisa fedeu de vez quando fez um comentário considerado racista contra os índios que está defendendo no filme. Não adiantou nada a liderança guarani - garota de 17 anos - estar a seu lado na mesa. A jovem tentou defender seu diretor, mas os ânimos seguem acirrados.

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Iniciada na sexta, 19, a Mostra de Tiradentes já homenageou Babu Santana e Sérgio Ricardo. Através do segundo, reverenciou o Cinema Novo. O tema deste ano - Chamado Realista - está nos filmes e debates. A Mostra Aurora, como sempre, tem compromisso com o novo. Novas formas de realismo. Um debate muito rico, Questão de Enfoque, de Materiais e de Postura, reuniu os dois talvez mais importantes autores dessa geração ‘tiradentina’, nenhum deles nascido aqui - Affonso Uchôa e Adirley Queirós. Outro utilizou a série Carcereiros, da TV Globo, reunindo o diretor José Eduardo Belmonte e os roteiristas Fernando Bonassi e Marçal Aquino para debater a transcriação, cinema vs. literatura, e telas múltiplas. A adaptação do livro de Drauzio Varela já está disponível no Globo Play. Sofrerá mudanças ao passar na TV aberta?

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Por mais legítima que seja a preocupação com plataformas, linguagem, etc., o cinema ainda nos prende pelos personagens. Madrigal para Um Poeta Vivo, de Adriana Barbosa e Bruno Mello Castanho, celebra o inesquecível Tico, escritor transgressor, num filme que, também na forma, tem a cara dele.

 

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