"Aqui entre Nós" faz humor com mãe judia

Jean-Jacques Zilbermann é um diretor francês pouco conhecido no Brasil. Numa coisa ele já se destaca - seus filmes têm títulos originais, provocadores mesmo. Seu primeiro longa se chamava Tout le Monde n´a Pas Eu la Chance d´Avoir des Parents Comunistes, que se pode traduzir como Nem Todo Mundo Teve a Chance de Ter Pais Comunistas. Aqui entre Nós, que estréia nessa sexta-feira, não é menos inusitado. Chama-se, no original, L´Homme c´Est une Femme Comme les Autres - o homem é uma mulher como as outras.Começa numa sauna gay e corta para um casamento - do primo de Simon, protagonista da história, interpretado por Antoine de Caunes. Simon é músico e é gay, sem que uma coisa tenha algo a ver com a outra. É judeu, o que também não o liga ao homossexualismo. Simon mal chega e a mãe já quer apresentá-lo para uma garota que tem todos os predicados para ser a nora perfeita. Mas eu sou gay, ele praticamente grita. Ela diz que espera que não seja definitivo. E não é. Aqui entre Nós celebra o sonho dessa mãe judaica. Seu filho gay se apaixona por uma mulher (de verdade), sente desejo por ela, mas isso não garante ao filme nenhum happy end.Não é um filme bom. Descarte-se logo essa possibilidade. Mas comporta observações interessantes, não só sobre a diversidade sexual, mas sobre os sentimentos, que prescindem do sexo. O elenco ajuda - De Caunes, que faz Simon, e Elsa Zylberstein, que interpreta Rosalie, a mulher por quem ele se apaixona, são bons. No começo de Aqui entre Nós, Simon é um gay convicto, ou parece sê-lo. Mas seu tio milionário quer perpetuar o nome da família. Para isso, é preciso que Simon procrie. O tio oferece-lhe uma fortuna. A mãe marca de cima, fazendo sua pressão. Simon conhece uma garota judia. É cantora. Almas gêmeas. A fortuna fica ao alcance da mão.Há lances divertidos, na linha de A Gaiola das Loucas, mas Zilbermann tenta evitar o estereótipo que faz com que homossexuais desmunhequem diante da câmera para provocar risadas. As situações, em si, é que são divertidas. Simon ama o primo. Quer beijá-lo, em pleno casamento. O outro reage e com violência. Quando Simon confessa à namorada que já teve relações com homens, a preocupação dela é saber se era ativo ou passivo. Quando Rosalie lhe mostra sua família, ele é imediatamente fisgado pelo irmão da garota - que logo em seguida está dividindo o quarto com o protagonista e confessando que é gay, mas a família não sabe. Num assomo de ousadia, vai adiante e diz que Simon é seu tipo de homem preferido. Pede...Veja o filme se quer saber o resto. Aqui entre Nós parece feito sob medida para realizar a fantasia da mãe judia que espera que o homossexualismo não seja uma opção definitiva do seu filho. Nesse sentido e mesmo por vias tortas, não evita o preconceito que, em princípio, está querendo demolir. Só que o fato de virar straight não garante a felicidade de Simon. Há delicadeza (e tristeza) no final de Aqui entre Nós, que se assemelha aqui a outros filmes em cartaz - Náufrago, de Robert Zemeckis, e Felice... Felice..., que também estréia amanhã, todos bebendo na fonte do admirável Clamor do Sexo, de Elia Kazan. Aqui entre Nós não é bom, mas não é ruim ver o filme de Jean-Jacques Zilbermann. Aqui entre Nós - (L´Homme Est une Femme commme les Autres). Comédia. Direção de Jean-Jacques Zilbermann. Fr/98. Duração: 96 minutos. Espaço Unibanco 2, horário normal. 14 anos

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