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'Aquarius' vence como melhor filme e 'Elis' leva mais troféus no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro

Cinebiografia de Elis Regina levou oito prêmios, mas o filme protagonizado por Sônia Braga venceu nas categorias melhor filme e melhor diretor

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2017 | 00h51

RIO DE JANEIRO - A cinebiografia "Elis", dirigida por Hugo Prata, recebeu oito troféus no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, realizado na noite desta terça-feira, 5, no Teatro Municipal do Rio. O filme liderava as indicações e recebeu o maior número de prêmios, mas acabou perdendo para “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, nas duas categorias mais prestigiosas da noite: melhor filme e diretor.

“Boi Neon”, de Gabriel Mascaro, ficou com quatro prêmios, incluindo melhor filme de acordo com o voto popular, e melhor ator, Juliano Cazarré. "Cinema novo", de Eryk Rocha, ganhou pela montagem e como melhor documentário, este dividido com "Menino 23 - Infâncias perdidas no Brasil",  o preferido no voto do público.

Sem apresentadores e pontuada por belas imagens e trilha inspirada, a cerimônia exibiu reflexões de cineastas, como Glauber Rocha, Ken Loach e Béla Tarr. Os prêmios foram entregues pelo cineasta Zelito Viana e a atriz Barbara Paz.

A noite homenageou dois ícones do cinema novo, o ator Antonio Pitanga e a atriz e diretora Helena Ignez, que fizeram ambos discursos emocionados, e também lembrou o centenário do Grupo Severiano Ribeiro e a importância da Cinemateca Brasileira e da Riofilme. 

"Nesse momento passa um filme na minha cabeça. Que estrada bonita foi pavimentada pelo cinema novo, um cinema genuinamente brasileiro", disse Pitanga. "Não é fácil ter identidade feminina quando se casa com Glauber Rocha e depois com Rogério Sganzerla. Sou uma atriz, eterna errante", definiu-se Helena. 

Outro momento tocante foi o da entrega do troféu de Laura Cardoso, melhor atriz coadjuvante, por "De onde te vejo". "É meu presente de aniversário" agradeceu. Laura faz 90 anos no próximo dia 13. Andréia Horta, melhor atriz, por "Elis", também comoveu ao conclamar o público: "Lutemos contra a insensibilidade sempre." 

Francesa radicada no Brasil, Emilie Lesclaux, produtora de "Aquarius", fez dedicatória provocativa: "Esse prêmio é para todos que trabalham com cultura no Brasil nesses tempos de retrocesso. É importante dizer que a cultura é uma arma de construção em massa". Flavio Bauraqui, escolhido melhor ator coadjuvante por "Nise - o coração da loucura", declarou: "Loucos são esses loucos que estão nos deixando loucos".

Os prêmios são entregues anualmente pela Academia Brasileira de Cinema. Trinta e cinco longas e 18 curtas, todos lançados em 2016, concorreram em 24 categorias nesta 16ª edição. As escolhas foram feitas por um júri formado pelos 250 membros da academia (produtores, cineastas, atores) e pelo voto popular, aberto no dia 1º de agosto – o público escolheu os melhores nas categorias longa-metragem de ficção, documentário e filme estrangeiro.

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