Apostas para os filmes premiados em Locarno

O Festival Internacional de Cinema de Locarno termina neste sábado com a revelação, pelo júri, dos filmes de sua preferência. Terminam também os cinco anos da diretora italiana Irene Bignardi, ex-crítica de cinema de La Republica, que deixa Locarno levando consigo sua assistente Teresa Cavina, que tinha sido também de Marco Mueller.Até hoje, o segredo quanto ao nome do(a) novo(a) diretor (a) foi bem guardado e nada vazou para a imprensa que continua fazendo conjecturas. Será um suíço ou de outra nacionalidade ? Uma única coisa parece ser certa - o escolhido (a) precisa saber falar bem o italiano, pois Locarno é cidade do Ticino, na Suíça italiana.Que filme têm chances de ganhar o Leopardo de Ouro? Não haverá nenhuma preferência para o cinema suíço, pois não há nenhum suíço no júri internacional. Depois da exibição dos 18 filmes concorrentes, o favoritismo é do filme Fraticida, uma co-produção franco-alemã, luxemburguesa dirigida pelo curdo residente em Berlim, Yilmaz Arslan, sobre os problemas da imigração curda na Alemanha.Está também na lista dos favoritos o filme canadense A Novena, de Bernard Èmond, que embora se diga sem religião, é uma investigação espiritual ou questionamento sobre Deus, por uma médica, que se julga culpada pela morte de duas pacientes, e por um jovem, cuja mãe está agonizante. Abatidos pela sua dor, os dois se encontram, conversam sobre questões como destino e liberdade de escolha ou sobre a injustiça da morte. Porém, François, com sua simplicidade, bondade e sua crença nos efeitos de uma novena, consegue lavar a médica de sua sensação de culpabilidade. Um filme do cinema independente americano, Nove Vidas, último a ser exibido, dirigido por um cineasta mexicano residente nos EUA, Rodrigo Garcia, também passou a ter um certo favoritismo, num filme que tem entre seus atores Glenn Close. São pedaços de vida de um máximo quinze minutos cada, tratando da existência de nove mulheres diversas. Uma grande decepção foi o filme italiano de Antonio Capuano, rejeitado por Veneza e incluído em Locarno, sobre um caso de adoção - A Guerra de Mario. Querendo mostrar uma criança de origem pobre e problemática por uma casal da classe média alta, Capuano se perdeu ao querer propor uma educação sem limites, no estilo da época passada de Sommerhill ou da contra-cultura. A mãe adotiva supervaloriza o filho e transforma seu adotivo numa criança mimada sem qualquer consciência ou orientação quanto ao certo e errado. Outro filme canadense, Família, tem a possibilidade de ganhar algum prêmio, assim como o filme do suíço Samir (que esconde seu sobrenome) Snow White, sobre um a Branca de Neve da opulenta sociedade de Zurique. Esse filme suíço, metade falado em francês e metade em alemão com cenas em Paris, conseguiu dividir mais uma vez a Suíça - os críticos suíços-alemães gostaram, mesmo porque Samir tem um nome na Suíça alemã, enquanto a crítica francesa e suíço-francesa desqualifica o filme chamando-o de concessão ao cinema de espetáculo.A beleza plática do filme indiano Antarmahal, de Rituparno Ghosh, também pode reservar alguma surpresa, assim como filme iraniano Vamos Todos Bem, de Bizhan Mirbaqeri.A retrospectiva de filmes com e sobre Orson Welles teve dois filmes do falecido cineasta Rogério Sganzerla exibidos em Locarno: Linguagem de Orson Welles (2001) e o Signo do Caos (2003). Ambos sobre a presença de Welles no Brasil, em 1942, para fazer It´s All True, nunca concluído.

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